“O Travesseiro”
Domingo eu falei para o meu tio me levar no teatro para a gente ver uma peça chamada “O Travesseiro”, lá em São Paulo, porque a minha professora disse que era boa. mas ele falou que uma peça com esse nome devia dar muito sono, e continuou dormindo no sofá.
Aí eu chamei a minha mãe para ir comigo. Como ela gosta de teatro, ela topou e a gente foi.
A peça é legal, só que eu acho que é mais para menina que para menino, porque não tem nenhum malvado, nem explosão, nem luta.
É a história da Didi e do irmão dela que vira travesseiro. Quer dizer, ela acha que vira. Mas é que ele morreu.
Aí ela procura um mágico para ver se ele faz o irmão dela desvirar travesseiro e voltar ao normal. Esse mágico é engraçado, mas não é muito bom, não. Ele nem consegue fazer a mágica direito e a Didi fica o maior triste.
É o mesmo moço que faz o papel do irmão, do mágico e do pai da Didi. Acho que eles não tinham dinheiro pra chamar mais gente para a peça.
No final ele aparece de novo vestido de Senhor Seco. Ele tem esse nome porque nunca chora. O engraçado é que nessa hora, eu vi um monte de gente chorando na plateia. Até a minha mãe. Não tinha nenhuma criança chorando, só gente grande. Adulto não devia ir em peça de criança, é muito forte para eles.
De noite, quando eu fui dormir, eu olhei para o travesseiro e me lembrei da minha avó que já morreu. Fiquei pensando que ia ser legal se a minha avó tivesse virado um travesseiro. E, na hora de deitar, eu encostei a cabeça bem de levinho nele.





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O cartaz americano é bem diferente do brasileiro. O americano tem umas almôndegas e o cara está de costas. No Brasil, o cartaz tem hambúrguer, o cara está de frente e tem uma menina, que é a quase-namorada do cara.