BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

Saiba quem é Torero

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Este blog é atualizado às sextas.
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A estréia de um novo herói

Uol Crianças orgulhosamente apresenta:

 

 

Super-Lelê

contra

as estátuas gigantes

 

 

Foi assim que tudo aconteceu:

Eu estava com o meu tio numa cidade chamada Brejo da Madre de Deus, que é perto de uma cidade chamada Caruaru. Aí a gente passou por uma placa onde estava escrito: “Parque das Esculturas”. Eu pensei que era um lugar chato, tipo museu, mas aí o meu tio falou que tinha umas esculturas gigantes, e eu disse:

“Legal! Tudo que é gigante é legal!”

“Pena que a gente está atrasado e não vai dar para ir.”

“Pô, me leva lá, tio...”

“Não dá.”

“Me leva lá, tio...”

“Não dá.”

“Me leva lá, tio...”

“Tá certo....”

“Me leva lá, tio...”

“Já concordei, Lelê.”

“Ah, desculpe. É que com a minha mãe eu tenho que repetir sete vezes.”

Aí a gente foi até lá. Não tinha ninguém no tal parque, só um velhinho que abria a porteira.

Esse parque é bem engraçado, porque a gente entra de carro e fica passeando lá dentro, indo de uma estátua para outra, depois para outra, para outra e tal.

O meu tio ficou anotando umas coisas num caderno (ele anota tudo num caderninho para escrever depois) e eu tirei um monte de fotos.

Mas aí, quando o meu tio viu uma espécie de touro de pedra, ele falou assim: “Lelê, eu vou montar naquele touro e você tira uma foto.”

“Será que a estátua aguenta, tio?”

“Pô, eu não engordei tanto assim, Lelê. E capricha na foto. Vai ser o Torero no touro, entendeu?”

“Entendi.”

“E por que não riu?”

“Porque não achei graça.”

“Mais um crítico...”

Então ele sofreu um bocado para subir no touro de pedra, montou no bicho e eu tirei essa foto.

 

Aí é que aconteceu o negócio. De repente a estátua começou a pular que nem cavalo de rodeio e atirou ele para longe. Então, antes que a estátua pisasse no meu tio, eu virei o Super-Lelê!

Os meus óculos se transformaram em superóculos com visão de raio-x e telescópica, minha mochila virou um jato, meus tênis atômicos com luzinhas acumularam energia e o meu relógio que solta raios se preparou automaticamente para a luta.

Daí eu voei superrápido e tirei o meu tio do chão. Só que eu tinha esquecido de carregar as baterias atômicas dos meus jatos e eles logo pifaram.

Foi quando aconteceu uma coisa terrível: todas as estátuas do parque ficaram vivas e começaram a cercar a gente!

Veio o homem com uma enxada, e só ela já era maior que uma pessoa,

veio um bem alto com uma pedrona na cabeça,

  

veio um montado num burrico, mas sem a parte de trás,

 

veio um Lampião e uma Maria Bonita, os dois com rifles de pedra que soltavam balas de pedra,

 
   

e veio até uma banda fazendo um barulho horrível (porque os instrumentos de pedra não são muito bons).

 

Então a estátua do Lampião falou: “Agora vocês vão aprender a respeitar as estátuas, seus cabras da peste!”

O meu tio ficou com o maior medo e disse: “E agora, Lelê?”

“Lelê, não. Super-Lelê!”

“Tá bom, e agora, senhor Super-Lelê?”

Eu respondi: “Agora eu vou destruir as estátuas com meus superraios!”

Então eu soltei um monte de raios nas estátuas, mas nem aconteceu nada com elas, porque os raios só desintegram coisas vivas e não fazem nada com as pedras.

“Você tem outra arma?”, falou o meu tio com o maior medão.

E eu disse: “Calma, nada tema. Com Super-Lelê não há problema.”

Daí eu dei superchutes com meus supertênis (que acendem uma luzinha no calcanhar) nas estátuas. Mas os meus superchutes só quebram ossos, e pedra é mais dura do que osso, então não adiantou nada de novo..

“Você tem mais alguma arma?”, o meu tio Torero me perguntou.

“Não”, eu disse.

“Então é o nosso fim... Bom, pelo menos não vou ter que escrever o texto de amanhã”, ele falou olhando para o caderno de anotações dele.

“É isso!”, eu gritei. Então eu peguei as folhas do caderno do meu tio, fiz umas bolas, comecei a atirar elas nas estátuas e elas foram ficando duras de novo.

Eu fui gastando todas as folhas do caderno do meu tio, e com a última eu acertei a última estátua, que era a do Lampião.

O meu tio não entendeu nada. “Como é que você sabia que essas bolas de papel iam parar as estátuas?”, ele perguntou.

“Elementar, meu caro tio. Você nunca jogou joquempô?”

“O quê?”

“Pedra, papel e tesoura.”

“Já.”

“Então, o que ganha da pedra? O papel.”

“Ah...”, ele fez com uma cara que queria dizer “Entendi...”

Daí a gente entrou no carro e saiu dali bem rápido.

Quando a gente já estava bem longe, o meu tio deu um tapa na cabeça e disse: “Droga, fiquei sem minhas anotações! Agora como é que eu vou escrever minha reportagem?”

“A gente pode voltar”, eu falei.

“Voltar naquele parque? Não, não, deixa para lá.”

“Mas o pessoal do UOL não vai ficar bravo, tio.”

“Vamos fazer assim: você escreve o que aconteceu aqui, e eles vão entender.”

“Tá bom.”

E é por isso que eu escrevi essa história aqui hoje. E é por isso que o meu tio não escreveu nada lá no blog dele.

Tchau!

 

Escrito por Lelê às 07h46
Aviso

Não perca, neste sábado:

 

Super-Lelê

contra

as estátuas gigantes

Escrito por Lelê às 17h32
Dois super-heróis superlegais

Esse aqui embaixo é o Super-Pai. Foi o Tiago que inventou.

 

 

E este aqui em cima é o Super-Fast-Food. Quem inventou ele foi a Ana Rebeca.

Escrito por Lelê às 17h41
Sete coisas legais e três ruins

Eu estou viajando com o meu tio Torero para ver uns jogos de futebol e estou vendo um monte de coisas diferentes.

Quase tudo é legal. Mas tem umas coisas que são ruins. Eu fiz as contas e deu sete coisas legais e três ruins.

A primeira coisa legal que eu lembrei foi de um sorvete que eu comprei num posto, quando o meu tio parou para pôr gasolina na estrada. Eu nunca tinha visto um sorvete igual! Ele tinha três sabores, mas não era que nem aqueles napolitanos chatos, que são de chocolate, creme e morango (e todo mundo sempre gosta mais do chocolate). Ele era de graviola, cajá e goiaba! Aí eu colocava a pazinha em um de cada vez, e cada hora um sabor que era o meu favorito. Achei esse sorvete trilegal.

Uma coisa que eu não gostei foi o sorvete de graviola da Kibon. Ele é meio aguado e sem graça. O de cajá é bom, mas o de graviola, blargh!

Outra coisa que eu gostei foi um museu de futebol. Museu é meio chato, mas museu de futebol é legal porque tem muito troféu e foto esquisita. Lá numa cidade chamada Campina Grande a gente foi num museu que tinha um monte de foto velha de futebol de gente que eu acho que até já morreu. A que eu mais gostei foi essa aqui, de um time chamado Treze.

Eu achei a foto legal porque todo mundo está com o número 13 na camisa. Devia ser a maior confusão para o avô do Galvão Bueno.

Uma coisa que eu achei legal foram essas bolachas aqui.

Eu gostei delas porque elas ensinam inglês. É que nas bolachas tem o desenho do bicho, o nome em inglês e em brasileiro, quer dizer, português. Aí eu aprendi que foca é seal, que cachorro é dog (esse eu já sabia por causa do hot dog), que urso é bear (se a minha irmã se chamar Beatriz e for cabeluda, eu vou chamar ela de Beartriz), que cisne é swan, e que búfalo é buffalo (essa é fácil). Eu não gosto de inglês, mas se a aula fosse com essas bolachas ia ser legal. O esquisito é que a gente ia comer o caderno.

Teve um restaurante numa cidade chamada Guarapari que teve duas coisas que eu gostei. Uma foi que o chão é de areia, e aí a gente pode ficar brincando enquanto a comida não chega (eu sei, depois tem que lavar a mão). E outra foi que lá tinha uma fábrica de moqueca. Era um montão de fogão e a parede da cozinha é de vidro, então dá para ver tudo. O meu tio disse que queria ser operário dessa fábrica.

 

Uma coisa que eu achei o maior ruim até agora foi que a gente dormiu num hotel velho que tinha pulga. Nos desenhos as pulgas são legais e fazem coisas engraçadas, mas na vida de verdade elas são o maior chatas. Elas me atacaram de noite e toda hora eu me coçava. Nem deu para dormir direito. E agora eu estou com um monte de pintinhas vermelhas. Até tem uma na bochecha. Agora, nos desenhos, eu sempre vou torcer pelos cachorros e contra as pulgas.

Teve um lugar chamado Arapiraca onde a Coca-Cola era só um real. Mas o que eu gostei mesmo é que na tampinha estava escrito isso. Eu nunca tinha visto uma tampinha com preço. Deve ser que nem figurinha difícil. Eu até guardei ela e vou começar uma coleção de tampinhas. Só não entendi por que que a Coca-Cola é tão barata em Arapiraca e em São Paulo é mais caro.

Uma coisa que eu gostei mas depois desgostei foi esse bonequinho aqui:

A raposa é um time chamado Campinense e o galo é aquele time chamado Treze. No começo eu achei o bonequinho bem engraçado e até pedi para o meu tio comprar um. Mas depois um amigo do meu tio me disse que teve uns torcedores do Campinense que viram um torcedor com a camisa do Treze na rua e aí bateram nele. E bateram tanto que o cara morreu. Pô, mataram o cara só por que ele torce para outro time? Que gente burra! Aí eu fiquei com a maior raiva do bonequinho.

O prédio que eu achei mais bonito até agora foi esse aqui, lá em Ilhéus.

É um lugar que vende óculos, mas é um castelo. E eu adoro castelo! Quando eu crescer eu quero ter uma casa assim.

E o lugar que eu achei mais bonito até agora na viagem foi umas montanhas de areia lá numa cidade bem pequena chamada Itaúnas. Parece que a gente está no deserto, mas tem árvore. Teve uma hora que andei assim de joelhos, que nem quem tem muita sede e disse para o meu tio: “Milk-shake..., milk-shake...”.

Aí ele falou: “Milk-Shake? Está morrendo de sede e ainda quer milk-shake?”

E eu disse: “E de chocolate..., e de chocolate...”

A viagem está sendo o maior legal. Semana que vem eu conto mais. Agora o meu tio vai me levar para ver um castelo de verdade. Tchau!

Escrito por Lelê às 08h07
Todos os nomes (da minha irmã)

Eu estou viajando de carro com o meu tio. É que ele vai fazer umas reportagens sobre futebol nuns lugares bem longes, e aí ele me pediu emprestado para a minha mãe porque eu falo o tempo todo e assim não deixo ele dormir na direção. O pessoal reclama que eu falo muito, mas se eu falasse pouco eu não ia estar viajando agora.

Bom, aí ontem a gente estava na estrada e passou por uma placa que dizia “Marataízes”.

Então eu perguntei: “Por que será que essa cidade tem esse nome?”

E o meu tio explicou: “É que nessa cidade só podem entrar meninas chamadas Mara ou Thaís.”

“Verdade?”

“E eu sou de mentir?”

“Então a minha irmã tem que se chamar Mara ou Thaís, senão ela não vai poder entrar aqui.”

“São dois nomes bonitos.”

“Mas eu já disse para a minha mãe que queria que a minha irmã se chamasse Leocádia.”

“E o que ela achou?”

“Ela disse que de jeito nenhum, porque a gente não vai ser dupla caipira.”

“Eu sugeri que fosse Torera, mas acho que ela também não gostou muito.”

“Ela é o maior chata com nome.”

“É que nome de filho é uma coisa muito importante. É a palavra que ela mais vai falar na vida.”

“Isso é mesmo, porque toda hora a minha mãe me chama para eu catar alguma coisa do chão.”

“E tem mais. O nome define a personalidade de uma pessoa.”

“Verdade?”

“E eu sou de mentir?”

“Será, tio? Você se chama Torero é não é magro que nem os toreros que aparecem na tevê.”

“Não sou, mas já matei muitos touros.”

“Matou?”

“Juntando todos os churrascos que eu comi até hoje, já matei uns vinte. A dentadas.”

“Assim não vale.”

“E tem mais, sua mãe quer um nome que signifique alguma coisa bonita.”

“Hã?”

“É que os nomes significam alguma coisa. Por exemplo, Helena vem do grego e significa tocha.”

“Tocha? Legal!”

“Legal, nada. Esse nome é ruim. Vai que ela vira uma menina esquentada, que fica de cabeça quente por qualquer coisinha.”

“Eu gosto de Paula.”

“Paula quer dizer pequena.”

“Isso é ruim, porque vão ficar chamando ela de baixinha o tempo todo e ela pode ficar baixinha de verdade.”

“Você está entendendo a idéia.”

“E Bernardete?”

“Quer dizer ‘forte como um urso’?”

“Xi, aí é ruim, porque ela vai bater em mim. E Márcia?”

“Quer dizer ‘aquela que tem relação com Marte, o deus da guerra’.”

“Xi, também não. Ela pode virar uma brigona. E Marcela?”

“Martelinho.”

“Não dá. Aí quando a gente brigar ela vai querer me dar uma martelada. E Cecília?”

“Ceguinha.”

“Caramba! Assim vão acabar os nomes.”

“Você não gosta de... Fernanda? Fernanda quer dizer protetora.”

“Não. Fernanda é o nome de uma professora lá da escola. Tinha que ser um nome assim... de princesa!”

“Tem uma princesa que se chamava Urraca.”

“Pô, ela devia ser bem feia!”

“Dizem que era.”

“Já sei! Ela podia ter o nome daquele peixe que a gente comeu no almoço.”

“Tilápia?”

“É!”

“Isso não é nome de gente.”

“Mas não tem um técnico chamado Leão? Aquele cara da tevê não se chama Falcão? E o presidente não é Lula?”

“Tá bom, você ganhou, gente pode ter nome de bicho. Mas duvido que a sua mãe aceite essa Tilápia. Pode ir pensando noutro nome.”

“Já sei!”, eu disse. “O Dirceu não vende pneu?”

“Vende.”

“Então, ela podia se chamar Piréllia!”

“Mas e se ele vender pneu da Goodyear?”

“Aí pode ser Gooddyervalda.”

“E ser for da Firestone?”

“Firestonia!”

“Até que ia ser engraçado, mas acho que sua mãe não ia gostar.”

“Droga...”

Então a gente passou por uma placa onde estava escrito Vitória. Eu achei esse nome legal, porque aí ela vai ganhar sempre. Só vai ser chato quando ela ganhar de mim. Mas como ela é minha irmã, nem ia ser muito ruim.

Bom, quem tiver um palpite de nome bem engraçado ou bonito, manda aí. Tchau!

Escrito por Lelê às 20h18
Lelê e o ultrassom

Ontem aconteceu uma coisa bem estranha. Beeeeeeem estranha.

Bom, o negócio começou quando o Dirceu (que é o namorado da minha mãe, porque ela se separou do meu pai, que agora namora com a Karina) passou lá em casa. Ele disse assim:

“Está pronta para o ultrassom?”

“Claro”, a minha mãe respondeu.

“Então vamos lá.”

“Eu também quero ir!”, eu falei.

“Você?”, eles perguntaram ao mesmo tempo.

“Eu, ué! Não pode? Esse ultrassom é proibido para criança?”

A minha mãe fez uma cara estranha e disse: “Não, proibido não é.”

“Na verdade, acho até bom ele ir. Já está na hora”, falou o Dirceu.

“É, já está na hora”, eu concordei.

“Tá bom...”, disse a minha mãe.

E aí eu fui com eles.

Bom, quando a gente já estava no meio do caminho, eu perguntei: “Que bandas que vão tocar?”

“Bandas?”, os dois perguntaram ao mesmo tempo (eles estão com essa mania).

Eu expliquei: “A gente não está indo num lugar que tem um ultrassom? Então, se tem um ultrassom, tem que ter umas ultrabandas.”

A minha mãe deu um tapão na testa dela e começou a rir sem parar. “Ai, meu deus, eu vou fazer xixi”, ela falou. Mas não fez.

Então o Dirceu falou: “Lelê, esse ultrassom não é um ultra som, um super som, um hiper som. É uma espécie de raio-x para ver como está o nosso bebê.

“Então devia se chamar ultra raio, ou foto-x”, eu falei. E aí eu fiquei o resto da viagem quieto, porque eu detesto quando eu falo alguma coisa errada e os outros riem.

Bom, aí a gente chegou no consultório e esperou um tantão. Lá só tinha revista velha para ler. E revista chata, daquelas cheias de foto de gente rica. Nada de história em quadrinho do Homem-Aranha (será que os ricos são os heróis dos adultos?).

Depois mandaram a gente entrar numa sala e a minha mãe deitou numa cama. Aí a médica pediu para ela levantar a blusa e mostrar a barriga, que já está meio grande (a minha mãe anda comendo pra caramba!). Daí a médica colocou uma coisa gosmenta na barriga da minha mãe e começou a passar uma máquina por ali.

Daí aconteceu uma coisa engraçada: numa televisão que tinha ali começaram a aparecer umas imagens estranhas.

“Sabe o que é isso?”, a médica me perguntou.

“Sei”, eu respondi.

“Sabe?”

“Sei. É o almoço da minha mãe. Morango com chantili.”

“Não!”, disse a minha mãe. Esse é o bebê.”

Daí eu disse: “Esse é o bebê?! Caramba, eu vou ser irmão de um ET!”

“Calma”, disse a médica. “É que essa máquina deforma um pouquinho. Não mostra exatamente como ele é. E ele ainda vai mudar bastante.”

“Ainda bem”, eu falei.

Depois a médica ficou passeando com o aparelho na barriga da minha mãe, e de vez em quando ela parava e dizia: “Isso aqui é a mão”, “Isso aqui é o pé”, “Isso aqui é o coraçãozinho”. E o coração batia o maior rápido.

Mas aí teve uma hora que ela perguntou: “Vocês querem saber o sexo do bebê?”

“Claro!”, nós três respondemos (eu também estou pegando essa mania).

Então ela apontou um lugar e falou: “Dá para ver o sexo por esses três risquinhos aqui.”

“Pô, ele vai ter três pintos?!”, eu falei meio alto.

Então a médica olhou para mim com uma cara que queria dizer “tadinho, ele é tão bobo...”, e disse: “Não são três piupius, esses risquinhos querem dizer que é uma menina.”

“Menina! O meu irmão é uma menina?!”

O Dirceu apertou a mão da minha mãe e os olhos deles ficaram bem molhados. Acho que é porque ele queria um menino legal que nem eu.

A minha mãe passou a mão na minha cabeça e perguntou: “Gostou da notícia, Lelê?”

E aí eu não respondi nada, porque eu não sabia o que eu tinha achado da notícia. É que eu pensava que ia ser um menino, e aí ia ser moleza, porque eu só ia ter que jogar bola com ele. Mas o que que a gente faz com uma menina? Eu vou ter que brincar de casinha com ela? Sobre o quê que elas conversam? Eu vou ter que tomar banho com ela? E se alguém mexer com a minha irmã, eu vou ter que bater nele? E se os meus amigos quiserem namorar com ela? Poxa, ter irmã deve ser o maior complicado. Mas pode ser legal. Sei lá.

 Essa é a minha irmã. Ela tem uma cabeçona. Acho que ela vai ser o maior inteligente. Droga...

Escrito por Lelê às 07h55
O dia em que Lelê virou japonês – o final da história

Bom, para quem não leu o texto da semana passada, foi o seguinte: o meu avô soltou um pum de pirlimpimpim, eu virei japonês e fui parar num navio chamado Kasato Maru. Lá tinha um monte de gente vindo do Japão, e eu fiquei amigo de um menino chamado Yassuo Doki (que é o avô do Doki que faz os desenhos aqui do blog).

Bom, aí o navio parou no porto de Santos. Tinha um monte de gente esperando para ver a gente, e todo mundo lá no barco ficou agitando umas bandeirinhas de seda do Brasil e do Japão. Foi o maior legal!

Mas como já era meio tarde, ninguém desceu do navio naquele dia, que era o dia 18 de junho de 1908.

E de noite aconteceu uma coisa que ninguém esperava: começou a estourar um monte de fogos, e o céu ficou bem colorido.

O Doki falou assim: “Caramba, que legal! Os brasileiros estão fazendo festa porque a gente chegou!”

Eu sabia que estavam estourando aqueles fogos porque era festa junina, mas eu fiquei quieto para não estragar a alegria do Doki.

 Esse é o Kasato Maru lá no porto de Santos

Bom, a gente dormiu, acordou, e às sete horas colocaram uma escada para a gente descer.

Enquanto as pessoas desciam a escada, parecia que elas estavam alegrosas, que é uma mistura de alegre com medrosas. Elas estavam alegres porque já não aguentavam mais ficar no navio, mas também tinham um pouco de medo, porque eles não sabiam direito o que ia acontecer.

Então levaram a gente até um trem e a gente entrou. Lá pelas nove horas tocou o apito e o trem saiu.

Deram para a gente comer uns sanduíches de mortadela. Mas o pessoal não sabia o que era aquilo, e um monte de gente jogou a mortadela fora e comeu só o pão.

Também deram umas frutas. O Doki pegou uma e perguntou para mim:

“O que que é isso?”

“É uma banana. Nunca viu?”

“Nunca. Que fruta engraçada!”

“Experimenta. É o maior gostosa.”

O Doki deu uma mordidinha na banana e falou:

“Não sei, não. Achei meio esquisita.”

Quando eu parei de rir, eu expliquei para ele: “É que você mordeu a casca!”

Então eu peguei uma banana, descasquei, e comi.

Aí ele me imitou e disse: “Hummmm!” (que quer dizer “Que delícia!” em japonês e em qualquer língua).

 Olha  a gente com as bandeirinhas, antes de sair do porto.

A viagem até São Paulo levou três horas, e a gente foi na segunda classe, que são umas cadeiras meio duras.

Quando a gente chegou lá, o pessoal desceu e foi para um lugar chamado Hospedaria dos Imigrantes. Os funcionários da Hospedaria ficaram dois dias examinando todas as malas, uma por uma, e elas eram mais de mil. Mas não acharam nada de errado.

O ruim lá na Hospedaria é que só quem era casado é que podia ficar nas camas de ferro. Os solteiros, que nem eu e o Doki, tinham que dormir em cima de uns estrados de madeira no chão.

 A Hospedaria dos Imigrantes por fora

Uma coisa que o pessoal achou estranho foi a privada, porque eles vieram do interior do Japão e lá não tinha disso, não.

A gente já estava sem fazer nada lá na Hospedria há quase uma semana, só esperando mandarem o pessoal para as fazendas, quando o pai do Doki resolveu dar uma volta com a mulher dele, o Doki e eu.

A gente foi andando até o centro e viu que São Paulo era bem bacana. Nem tinha congestionamento.

 No caminho a gente passou por essa rua aqui, que se chama São Bento.

No caminho, todo mundo olhava meio estranho para nós como se a gente fosse de outro planeta. Uns ETs. Mas aí, quando a gente chegou na Praça da Sé, foi pior ainda, porque uma multidão cercou a nossa turma. Acho que eles nunca tinham visto um japonês na vida.

Mas ninguém atacou a gente nem nada. Eles só queriam olhar de perto, como se a gente fosse tipo um canguru.

Um dos homens que estava lá na Sé até tentou falar com o pai do Doki. Ele sabia umas palavras em japonês e fazia muitos sinais. Deu para entender que ele tinha uma tinturaria.

Depois a gente voltou para a Hospedaria e ficou mais três dias lá. Então começaram a sair umas turmas.

 Dentro da Hospedaria era assim. Olha o Doki ali do lado direito.

Eles iam de trem para as fazendas no interior de São Paulo, perto de Ribeirão Preto. Foram uns cem para uma, uns duzentos para outra, uns oitenta para uma outra outra, e assim todo mundo foi indo embora.

O pai do Doki e mais uns dez ficaram em São Paulo. O seu Dokão e o Doki iam trabalhar na tinturaria daquele homem lá da Sé.

Então o Doki veio se despedir de mim e falou: “Lelê, tomara que a gente se encontre por aí”, e depois me deu de presente dois daqueles pauzinhos que os japoneses usam em vez de garfo e faca.

“Toma, é para você comer com eles”, disse o Doki.

“Legal”, eu respondi. “Mas eles também servem para eu me transformar num monstro! O Lelezila!”

 

Só que aí passou o efeito do pum de pirlimpimpim do meu avô e de repente eu estava de novo na casa dele.

“Lelê, tira esses pauzinhos do nariz!”, o meu avô falou.

“Tá bom, tá bom...”, eu disse.

Aí ele olhou melhor para o meu hashi e perguntou.

“Onde você arranjou esses pauzinhos diferentes?”

“Foi com o pessoal do Kasato Maru.”

Aí ele me olhou com uma cara bem desconfiada e perguntou bem sério: “Lelê, você andou experimentando o meu saquê?”

 

Escrito por Lelê às 08h08
Quando os vilões se encontram
A terceira parte da história do meu tio já está no ar. Quem quiser ajudar ele a fazer o próximo pedaço, é só clicar aqui.
Escrito por Lelê às 15h16
O dia em que Lelê virou japonês

Eu estava na casa do meu avô e ele perguntou assim: “Quer me ver cozinhar?”

“Quero!”, eu respondi. E eu queria mesmo, porque é difícil ver o meu avô cozinhar.

Então ele pegou o telefone, ligou para um lugar e depois disse para mim: “Pronto. Já fiz o almoço. Agora é só esperar que daqui a meia hora ele fica pronto.”

“Assim não vale”, eu disse. “Desse jeito até eu cozinho.”

Então o meu avô tirou a dentadura da boca dele e deu duas risadas, rá, rá, uma com a boca e outra com a dentadura que estava na mão dele.

Depois de um tempo a comida chegou, Mas ela nem estava pronta.

“Isso está cru!”, eu falei para o meu avô.

“Essa comida é assim mesmo. O nome disso é sushi. É peixe cru com arroz. É ótimo para a memória.”

“Blargh!”, eu fiz. “Isso é que nem pegar um peixinho do aquário e comer.”

“Também não é assim. Prova um para você ver.”

Aí eu peguei um. Só que, quando eu coloquei ele na boca, eu escutei um barulho assim: “Prummm!”

Eu sabia que aquele barulho era do pum do meu avô. Aí eu me virei para ele para reclamar, mas quando eu olhei, não era o meu avô que estava lá. Era um menino de olhinhos puxados. O meu avô tinha soltado outro pum de pirlimpimpim!

Para quem não sabe, o pum de pirlimpimpim do meu avô é mágico, e sempre me manda para algum lugar estranho. Dessa vez eu fui parar num navio cheio de gente de olhinhos puxados. Mas o mais estranho é que, quando olhei para o vidro de uma janela do navio, eu vi que eu também estava com os olhinhos puxados!

“Caramba, virei japonês!”, eu disse.

E um menino falou: “Claro. Aqui nesse navio todo mundo é japonês.”

“Que navio é esse aqui?”

“O nome dele é Kasato Maru.”

“E para onde a gente está indo?”

“Para o Brasil.”

“Ufa... E falta muito para chegar?”

“Não sei. Mas gente já está viajando há 52 dias.”

“Cinquenta e dois? Caramba! O Cabral só demorou 44 para chegar no Brasil. E de caravela!”

“Pois é, e isso já faz uns 400 anos.”

“Você quer dizer quinhentos, né?”

“Não, quatrocentos. A gente está em 1908.”

“Putz! O pum do meu avô me fez viajar cem anos para trás!”

“Como é?”

“Nada, nada...”

Aí eu olhei em voltei e vi que os japoneses estavam todos com roupa de gente do Brasil, assim com saia e blusa, gravata e paletó. Ninguém usava quimono. E daí eu perguntei para o menino porque eles estavam assim.

“É para não assustar o pessoal do Brasil, ele disse. Mas a gente trouxe umas coisas bem japonesas.”

“Tipo o quê?”

“Pauzinhos para comer, travesseiros de bambu, frascos de conserva, molhos para temperos, papel e tinta nanquim. Ah, e a gente tem uns manuais de português também.”

“E a viagem está tranquila?”

“Há uns cinco dias teve vento forte e muita gente vomitou. Já esqueceu?”

“É..., esqueci...”

“Tem que comer mais sushi. Sushi é bom para memória.”

“Já me disseram isso hoje.”

“E você também já esqueceu que o foguista do navio ficou meio doido?”

“Ficou?”

“É. O Kataoka tentou invadir os quartos das mulheres. Mas os vigias seguraram ele. Ele está doidinho.”

“E você está com saudade do Japão?”

“Já, né. A saída foi muito triste. Todo mundo no porto, acenando lenços..., dando adeus... Muito triste.”

“Tem uns mil japoneses aqui, né?”

“Uns oitocentos. Nós somos os primeiros a ir para o Brasil. Mas depois da gente, aposto que muitos outros vão vir.”

“E qual que é o seu nome?”, eu perguntei.

“Yassuo Doki”, ele respondeu.

“Doki? E você gosta de desenhar?”

“Adoro! E também gosto muito de tintas.”

“Legal. Acho que um dia o seu neto vai me desenhar.”

“E eu acho que você bateu a cabeça no dia da tempestade, rá, rá.”

Então nessa hora aconteceu uma coisa muito legal! Tocou um apito e todo mundo correu para a murada do navio. E aí a gente viu que estava chegando numa cidade.”

Eu olhei e disse: “Caraca, parece Santos, só que sem os prédios.”

“O nome dessa cidade é Santos mesmo”, falou o Doki. “E aqui é o Brasil. A gente chegou. Agora é que vai começar a aventura.”

E aí o apito tocou de novo e todo mundo ficou acenando para o Brasil.

(Semana que vem eu conto o que aconteceu comigo e com o Doki)

Escrito por Lelê às 07h08
Quando os vilões se encontram
Se alguém quiser ajudar o meu tio a escrever uma história, clique aqui.
Escrito por Lelê às 05h13
Super-Lesma
Chegou o primeiro desenho de super-herói. E o engraçado é que o primeiro foi o Super-Lesma, que devia ter chegado em último.
Escrito por Lelê às 22h02
Super Lelê e outros súperes

Uma coisa que eu acho o maior legal é super-herói.

Eu gosto deles porque eles têm superpoderes e porque eles usam umas roupas doidonas.

Os meus favoritos são o Homem-Aranha, o Batman e o Hulk (do Super-Homem eu não gosto, porque ele tem poder demais).

Daí eu fiquei pensando nesse negócio de super-herói e resolvi inventar uns também:

O primeiro que eu pensei foi o Arrotômico. Ele é um cara que gosta muito de refrigerante, muito mesmo, e tomou tanto refrigerante que ficou com um arroto atômico. Ele destrói até uma casa com o arroto dele. Só que de vez em quando a energia do Arrotômico acaba e aí ele tem que tomar mais refrigerante. A identidade secreta dele é que ele trabalha numa lanchonete. Ele tem 19 anos e um monte de espinhas.

O Super Pum é um cara que pode voar com os puns dele. Ele é mais rápido que um jato supersônico. Se ele quiser, ele também pode criar uns furacões de pum. E pode soltar uns puns fedidos para fazer os vilões desmaiarem. O Super Pum descobriu o poder dele num dia que a mãe dele fez uma salada com muito repolho. Aí ele deu um pum e bateu com a cabeça no teto.

Um super-herói bem legal é o Meleca Boy. A roupa dele é toda verde e o cabelo também. Ele tira umas bolinhas de meleca do nariz, joga elas nos bandidos e essas bolinhas vão crescendo no caminho até ficarem bem grandonas e aí os bandidos ficam presos nelas. Se ele ficar cercado, ele gira e dá um espirro, soltando meleca para todo lado, e aí acerta todo mundo que está em volta dele. O maior inimigo do Meleca Boy é o Homem-Lenço.

O Homem-Barata é um cara bem nojento. Ele foi mordido por uma barata radioativa e ficou com os poderes dela. Ele sobe em paredes e consegue se desviar super bem dos tiros inimigos (que nem as baratas se desviam do chinelo da minha mãe). Ele tem umas antenas que saem da cabeça dele quando ele quer, e essas antenas conseguem sentir o cheiro das coisas, mesmo que as coisas estejam bem longe. A pele dele é dura que nem casca de barata e, quando ele precisa, ele chama as baratas para ajudarem ele (isso é bem nojento, he, he...). O Homem Barata adora açúcar. A fraqueza dele são os inseticidas, que deixam ele meio bêbado,e aí ele só faz besteira. Ele, o Meleca Boy e o Arrotômico formam um grupo chamado “Heróis Nojentos”.

O Pançamen aí em cima eu inventei pensando no Zepa, um amigo meu lá da escola. Ele é um herói o maior gordão. Os inimigos dão tiros nele, mas ele tem uma barriga tão geléia que a bala bate a volta. O Pançamen é o maior fortão e quando ele come muito ele aumenta de tamanho e pode ficar que nem um prédio de cinco andares. O Pançamen é cozinheiro na vida real (quer dizer, na vida real de mentirinha, porque ele não existe), e a namorada dele é a...

Magriça Girl. Ela é tão magrinha que de lado ela fica invisível. A Magriça consegue passar debaixo das portas e num tiroteio ninguém acerta ela. Uma coisa bacana da Magriça Girl é que ela pode voar se tiver bastante vento. A identidade secreta dela é que ela é modelo, e ela é o maior lindona.

Pensando no meu amigo Aurelius, que é o maior CDF, eu inventei um herói chamado Chato Power. O poder dele é falar de um jeito que dá sono nos inimigos. Ele também é o maior inteligente e sabe tudo, que nem se ele tivesse um Google na cabeça. O problema do Chato Power é que ele é fraquinho e qualquer soco derruba ele.

Tem um herói legal que é o Futeboy. Ele tem poderes de futebol. Salta que nem um supergoleiro, dá chutes que nem um superzagueiro, é rápido que nem um superatacante e tem a resistência de um supermediovolante. No cinto de utilidades dele, ele tem umas bolinhas explosivas. O Superboy tem um monte de fãs e ele consegue dar superchutes que mandam as coisas para bem longe, até para fora da Terra. A identidade secreta do Futeboy é que ele é gandula.

Ah, e tem também o Super Lelê. O Super Lelê não tem superpoderes, mas tem superequipamentos que nem o Batman. Ele usa uns óculos que deixam ele com visão telescópica e de raio-x, um jato (disfarçado de mochila) nas costas que faz ele voar, tênis atômicos com luzinhas que fazem ele andar pelas paredes (quando acaba a gasolina do jato das costas), uma roupa à prova de balas (parece um pijama, mas é o uniforme dele), e um relógio que solta um monte de tipos de raios (parece luzinha de ver as horas, mas são raios). O Super Lelê tem uma Lelecaverna secreta, que é cheia de coisas legais e fica embaixo da cama dele. A identidade secreta dele é eu.

Ser super-herói deve ser o maior legal!


(PS: Quem quiser inventar um super-herói, pode dizer como ele é aqui nos comentários ou então manda um desenho)

Escrito por Lelê às 02h00
Álbum de prédios
Já tem 45 prédios doidos lá no álbum. E ainda vai ter mais (hoje entrou um legal que fica na Lua). Para ir para lá (para o álbum, não para a Lua), é só clicar aqui.
Escrito por Lelê às 08h37
Prédios para escritores

Hoje eu vou colcar aqui dois prédios para escritores.

O de baixo é o Prédio Caneta, do Daniel. E debaixo do de baixo é o Prédio Lápis, da Karina.

Escrito por Lelê às 08h01
Prédios doidos

Esse aí em cima é o Prédio Disco Voador. Foi a Ana Lúcia que mandou. Ele parece um pouco o...

Prédio Cogumelo do Guilherme, só que o prédio do Guilherme é mais colorido.

 

E esse aqui embaixo é um Prédio Sem-frente, que a Celina mandou. Ele vai ser na China, e quem inventou ele foi um professor de Harvard, que parece que é uma escola grandona.

Acho que o Rodrigo também vai dar aula lá, porque ele inventou um prédio mais legal ainda, que é esse aqui:

 

Escrito por Lelê às 09h15