BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

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O hipersuperparque de diversões do Lelê

Neste fim de semana, o meu avô me levou num parque de diversões chamado Playcenter. Esse lugar tem nome em inglês mas fica em São Paulo. Acho que o pessoal pensa que falar em inglês é mais chique. Será que se o nome fosse em português o ingresso ia ser mais barato?

Bom, o meu avô me levou no Playcenter e lá tinha um monte de brinquedos, tipo castelo dos horrores, um trenzinho que anda em volta do parque, uma pista com carrinhos de bate-bate e montanha russa. Daí eu perguntei para o meu avô:

“Vô, por que que montanha russa chama montanha russa?”

E ele respondeu: “É porque esse brinquedo foi inventado na Rússia. No inverno, os russos faziam uns morros de gelo para ficarem passeando de trenó. E eram uns montes de gelo bem grandes, de mais de vinte metros de altura. Depois, eles tiveram a idéia de prender o carrinho em trilhos, e aí nasceu a montanha russa desse jeito que é hoje.”

O meu avô entende de montanha russa, mas quando eu perguntei se ele queria ir comigo, ele disse: “Nãnina. O máximo que o meu coração suporta hoje em dia é o carrossel. E, mesmo assim, se não girar muito rápido.” 

Uma das coisas que mais gostei no Playcenter foi o show da Monga, a mulher que vira gorila. Quando ela ficou peluda e começou a fazer “Grrr!”, todo mundo ficou com medo e saiu correndo.

Aí, lá fora eu fiquei pensando que todo mundo parece um pouco com algum bicho. A minha mãe fica gritando que nem uma arara quando eu quebro alguma coisa, o meu pai parece um porco quando come pipoca doce, o meu tio é uma avestruz que engole qualquer comida, o meu avô dorme que nem bicho-preguiça e a Catarina parece um ursinho panda.

Então eu fui no touro mecânico, que fica chacoalhando a gente. E a minha cabeça chacoalhou tanto que eu tive uma idéia: e seu fizesse um parque de diversões diferente? Só que eu é que ia inventar os brinquedos. Ia ser uma Lelelândia. Ou um Playlelenter.

A Lelelândia ia ter a maior a roda gigante do mundo. Ia passar no meio das nuvens. E os aviões iam passar pelo meio dela. Mas cada pessoa ia dar uma volta, porque uma voltinha já ia demorar umas duas horas.

Outra coisa legal ia ser o carrossel. Em vez de ser com aqueles cavalos, que são sempre iguais, o meu carrossel ia ter cavalos marinhos. Mas o mais legal é que o carrossel ia ser dentro de um aquário gigante, e a gente ia ter até que colocar escafandro para entrar.

Os carrinhos de bate-bate iam se chamar Carrir. O cinto de segurança ia ser duas mãozinhas que ficariam na cintura. Quando o carro batesse, elas fariam cosquinhas e todo mundo ia dar gargalhadas. Ia ser o brinquedo mais engraçado de todos!


 
Um treco legal ia ser catapulta. Você sentava nela e ela te jogava longe, em cima de um lago de bolas. Ah, e quando a gente estivesse caindo, abria o para-quedas para a gente pousar bem devagar.

Eu também ia fazer um Minhocarro. O Minhocarro é um carro que desce uns túneis bem rápido, por baixo da Lelelândia. Ele faz umas curvas doidas e parece que a gente está cavando. No meio do caminho a gente ia passar por uns vermes gigantes, bem nojentos mesmo. Mas o mais terrível é que a gente ia passar no meio do inferno, e os diabos iam atacar a gente com os tridentes.

A montanha-russa ia se chamar Serpentrem, porque ia ser um trem maluco, com cara de serpente, que ia dar uma monte de voltar no meio de uma floresta. Ia ser ecológico e radical ao mesmo tempo!

Outra idéia que eu tive foi a Máquina de Tempestade. A pessoa ia ficar amarrada pela cintura enquanto uns ventiladores gigantes e umas máquinas de chuva iam fazer de conta que ele estava num furacão. Depois, de brinde, você ganhava um remédio para resfriado.

 Esse desenho eu que fiz, por isso não está bom que nem o do Doki. Mas está legal.

 

Só que aí, quando eu estava acabando de inventar as coisas da Lelelândia, começou a chover de verdade. Foi o maior chato e a gente teve que ir embora. Droga!

Por isso é que na Lelelândia vai ter uma capota conversível gigante.

Bom, se você tiver alguma idéia para a Lelêndia, desenha e manda para mim, que eu vou fazer um álbum bem legal com os brinquedos, e todo mundo vai poder ver. Depois eu vou sortear esse livro entre quem mandou:

Escrito por Lelê às 04h27
 
 

“O Travesseiro”

Domingo eu falei para o meu tio me levar no teatro para a gente ver uma peça chamada “O Travesseiro”, lá em São Paulo, porque a minha professora disse que era boa. mas ele falou que uma peça com esse nome devia dar muito sono, e continuou dormindo no sofá.

Aí eu chamei a minha mãe para ir comigo. Como ela gosta de teatro, ela topou e a gente foi.

A peça é legal, só que eu acho que é mais para menina que para menino, porque não tem nenhum malvado, nem explosão, nem luta.

É a história da Didi e do irmão dela que vira travesseiro. Quer dizer, ela acha que vira. Mas é que ele morreu.

Aí ela procura um mágico para ver se ele faz o irmão dela desvirar travesseiro e voltar ao normal.  Esse mágico é engraçado, mas não é muito bom, não. Ele nem consegue fazer a mágica direito e a Didi fica o maior triste.

É o mesmo moço que faz o papel do irmão, do mágico e do pai da Didi. Acho que eles não tinham dinheiro pra chamar mais gente para a peça.

No final ele aparece de novo vestido de Senhor Seco. Ele tem esse nome porque nunca chora. O engraçado é que nessa hora, eu vi um monte de gente chorando na plateia. Até a minha mãe. Não tinha nenhuma criança chorando, só gente grande. Adulto não devia ir em peça de criança, é muito forte para eles.

De noite, quando eu fui dormir, eu olhei para o travesseiro e me lembrei da minha avó que já morreu. Fiquei pensando que ia ser legal se a minha avó tivesse virado um travesseiro. E, na hora de deitar, eu encostei a cabeça bem de levinho nele.

 

Escrito por Lelê às 15h12
 
 

A maçã, a pera e a bomba

(Quem mandou essa piada foi a Letícia, que também chamam de Lelê)

Num avião tinha três pessoas: a primeira comeu uma maçã e jogou para fora do avião, a segunda comeu uma pêra e jogou para fora do avião, a terceira pegou uma bomba e jogou para fora do avião.

Quando elas desceram, a primeira encontrou um menininho chorando muito e perguntou: "Por que você está chorando tanto menininho?" e ele respondeu: "É porque jogaram uma maçã na minha cabeça...".

A segunda pessoa encontrou outro menininho chorando e perguntou: "Por que você está chorando tanto menininho?", e ele respondeu: " É porque jogaram uma pêra na minha cabeça...".

A terceira encontrou um menininho rindo muito e perguntou: "Por que você está rindo tanto menininho?". E ele respondeu: "É que quando eu soltei um pum, a casa explodiu!!!"
 
 

Categoria: Piadas do Lelê
Escrito por Lelê às 08h05
Lelê, Pedro e o terrível monstro verde


Lá na minha escola eu tenho um amigo chamado Pedro. Acontecem umas histórias muito doidas com ele.

Ontem a gente estava no intervalo (quando eu tinha oito anos eu chamava o intervalo de recreio, mas agora eu já sou grande) e aí eu falei para o Pedro:

“Eu tenho uma gata chamada Pintada. Você tem algum bicho?”

E ele respondeu: “Eu tenho um iguana.”

“Um iguana!”

“Quer dizer, não é um, é uma. É que o meu iguana é fêmea. O nome dela é Jade, porque ela é verde.”

“Uau! Ela deve ser um terrível monstro verde! Eu vi um iguana na tevê que tinha quase dois metros.”

 Esse iguana aqui é bem grandão. Será que a minha mãe deixava eu ter um desses? 

“A Jade é bem pequenininha", o Pedro disse. "Foi o meu pai que me deu. Mas a minha mãe detestou. Ela tem medo de bicho.”

“E a Jade é brava? Ela morde? Espirra veneno?”

“Que nada, ela é o maior tranquila. Não dá trabalho nenhum. Depois a minha mãe ficou quase gostando dela. Até guardava o melhor pedaço de mamão para a Jade. Só não passava a mão porque achava a pele dela meio estranha.”

 Esse é bem pequeno. A Jade deve ser assim.

“Iguana tem espinhos?”

“Não, mas parece meio de borracha. O chato é que um dia a Jade ficou doente.”

“Ela espirrava ou tossia?”

“Era uma doença que deixava ela bem quietinha. Quase não se mexia.”

“Não levou no veterinário? A gente leva a Pintada na doutora Sheila.”

“No dia que eu ia levar, ela entrou no banheiro.”

“Poxa, que iguana educada, foi fazer xixi antes de sair de casa.”

Não, é que ela sempre entrava no banheiro. Acho que é porque o banheiro é fresco, tem um monte de plantas e água.”

“Aí você entrou no banheiro e pegou a Jade?”

“Eu entrei no banheiro mas não vi a Jade. Eu procurei em tudo que é vaso, em tudo que é canto, mas não achei ela.”

“Putz, já sei! Se ela não estava num vaso de planta, estava no vaso sanitário!

“Onde?”

“Na privada!”

“Foi o que o meu pai disse. Aí eu comecei a chorar, porque eu queria a Jade de volta. A minha mãe até me prometeu comprar outro bicho, tipo gato e cachorro, mas eu gosto é de iguana.”

“E aí, o que você fez? Enfiou a mão na privada?”

“Claro! Até o fundo. Mas não achei nada.”

“Nem cocô?”

“Nem cocô. Ainda bem.”

“E você comprou outro bicho?”

“Não. Eu nem saí do banheiro. Como eu estava triste, eu fiquei um tempão lá. Foi aí eu vi a pontinha do rabo dela se mexendo! A Jade não tinha entrado pela privada, tinha entrado pelo cano!”

“Ra, rá, ela entrou pelo cano de verdade.”

“Isso não é engraçado.”

“Desculpe. Em que cano que ela entrou?”

“Naquele que fica atrás da privada.” 

“Uau, que danada!”

 Eu li que o rabo do iguana tem o dobro do comprimento do resto do corpo dele.

“Aí eu coloquei um prato de comida para ela e fiquei chamando: Jade..., Jade...”

“E ela saiu?”

“Não. Ela tentou, mas estava entalada.”

“Xi, ela morreu?”

“Não. Porque eu tive uma idéia o maior boa. Passei pasta de dente no cano. Aí ela foi escorregando, escorregando e saiu.”

“Legal. E já saiu com os dentes escovados!”

“Pois é!”

“Essa história foi bem boa. Ela é de verdade mesmo?”, eu perguntei.

“É claro que é”, o Pedro respondeu. Pode até colocar no seu blog.

 

E aí eu coloquei. Se você também tiver uma história legal, manda para mim: blogdolele@uol.com.br.

 

Escrito por Lelê às 07h24
 
 

O papagaio que falava duas línguas

Um freguês entrou na loja de animais e falou para o vendedor:

"Oi, eu queria um papagaio que fosse bem legal."

"Chegou na hora certa!", disse o vendedor. "Eu tenho um papagaio bilíngue. Se levantar a patinha direita, ele fala Inglês. Se levantar a patinha esquerda, ele fala Francês."

"E se eu levantar as duas?", o menino perguntou.

"Aí eu caio!", disse o papagaio.


(Essa quem mandou foi a Isabella)

Categoria: Piadas do Lelê
Escrito por Lelê às 08h19
 
 

Tá chovendo hambúrguer

Esses dias eu vi um filme legal. O nome dele é “Tá chovendo hambúrguer”. Eu fui com o meu tio Torero, porque ele adora comer.

Quando a gente quer ver um filme, tem que escolher direito para quem a gente vai pedir para levar a gente. Como esse filme era de comida, e o meu tio come muito, ele topou na hora.

  O cartaz americano é bem diferente do brasileiro. O americano tem umas almôndegas e o cara está de costas. No Brasil, o cartaz tem hambúrguer, o cara está de frente e tem uma menina, que é a quase-namorada do cara.  

Uma coisa legal no filme é que o personagem principal começa menino (que nem no UP! Será que é um tipo de truque para fazer histórias?). É um menino que quer ser cientista. E ele vira cientista mesmo, só que dá tudo errado. Mas um dia ele consegue transformar água em comida.

O problema é que a máquina voa e fica lá nas nuvens, e aí começa a chover um monte de coisa (não é só hambúrguer).

E as coisas vão aumentando e vão ficando doidas. O resto eu não posso contar, senão estraga o filme.

Tem umas coisas bem legais, bem bonitas de ver, tipo que nem quando o cientista entra com a menina que ele gosta numa gelatina. Eu fiquei com vontade de fazer isso.

A dublagem é boa.

Só que tem uma hora que o filme fica meio chato.

Ele não é tão legal quanto o UP!, mas é legal, dá para ver.

E uma coisa engraçada é que a gente sai do cinema sem fome, de tanto que viu comida.

 

Escrito por Lelê às 08h10
Lelê e o Juca da jaca

Esses dias eu estava na casa do meu tio e estava chovendo e não tinha nada para fazer. Então eu disse para ele:

“Aqui está chato...”

“Sinto muito, Lelê, mas eu comi muita jaca e estou com uma tremenda dor de barriga. Não posso levar você para dar uma volta”, ele respondeu enquanto soltava um pum.

 O meu tio diz que consegue comer uma jaca inteira.

“Será que a minha mãe e o meu pai vão demorar muito para vir me buscar?”, eu perguntei tapando o nariz.

“Eles foram levar a sua irmã no médico. Acho que devem demorar mais umas duas horas.”

“Tudo isso!? o que eu vou fazer esse tempo todo? Até lá eu vou morrer de falta de ar.”

“O cheiro não está tão ruim. E por que você não vê um dos meus vídeos?”

Eu acho os vídeos do meu tio meio chatos, porque eles são para gente grande, mas como não tinha outra coisa para fazer, eu disse: “Tá bom...”, e aí eu fui até uma prateleira onde tem os vídeos em que ele trabalhou.

Tinha um chamado “Morte”, que devia ser de terror e eu não gosto porque eu fico com medo de noite, tinha um chamado “Amor!”, que só quem deve gostar é menininha, tinha um chamado “O Bolo”, que devia ser sobre receitas, e tinha um chamado “Furacão da Botocúndia”. Esse eu achei legal, porque furacão destrói tudo, e destruição é uma coisa muito divertida.

Aí eu peguei a fita (coitado do meu tio, ainda usa VHS) e coloquei no vídeo. Então eu vi que o filme não era sobre furacão, era sobre um cara chamado Monteiro Lobato, que é um escritor e eu até já li um livro dele chamado “A chave do tamanho”. Tinha um monte de fotos e uma voz contando a história do tal do Lobato, e ver fotos na tevê me dá o maior sono. Daí eu dormi.

 Parece que o Lobato era assim.

O estranho é que eu acordei embaixo de uma jaqueira. E tinha um menino de uns onze anos me olhando.

“Quer jaca?”, ele me perguntou.

 Isso é uma jaqueira.

“Quero”, eu respondi.

Aí ele me deu um pedação de jaca, e a gente começou a comer e a cuspir os caroços bem longe.

Depois de um tempo, ele me perguntou: “Quem é você?”

E eu respondi: “Eu sou o Lelê. Mas o meu nome é Leocádio. E quem é você?”

“Eu sou o Juca. Mas o meu nome é José Renato. Quer dizer, era, porque eu vou mudar para José Bento.”

“Vai mudar de nome?”

“É que o meu pai me deu uma bengala dele, e o nome dele é José Bento Marcondes Lobato, então na bengala tem as iniciais JBML. Se eu mudar o meu nome para José Bento, as minhas iniciais também vão ser JBML, e aí eu posso usar a bengala.”

“Legal!”, eu falei.

“Quer brincar de alguma coisa?”, ele perguntou.

“Você tem Playstation?”

“Nem sei o que é isso.”

“Futebol?”

“Também não conheço.”

“Caramba, de que que você brinca então?”

“De um monte de coisa. Eu ando a cavalo, caço borboleta, brinco com as minhas irmãs, a Esther e a Judith, caço preás com a minha espingarda Tico-Tico e faço bonecos com chuchus, beringelas e sabugos de milhos.”

“Bonecos de sabugo de milho? Que nem o Visconde de Sabugosa?”

“Esse Visconde eu não conheço. Só conheço o Visconde de Tremembé, que é o meu avô. Essa casa é dele.”

Aí que eu reparei que a gente estava no jardim de uma baita casarão bacana. E eu falei: “Que baita casarão bacana!”

“A parte mais legal é a biblioteca. Quer ver?”

“Quero.”

Então a gente entrou correndo na casa e foi até uma sala cheia de livros. Mas cheia mesmo. Não cabia mais nada nas estantes.

Quando eu estava dando uma olhada nos livros, passou uma negra bem gorda e trouxe uns quindins para a gente.

“Aica, ela parece a Tia Nastácia”, eu falei.

“Não, o nome dela é Joaquina. Trabalha para a gente. Foi escrava.”

E logo depois entrou uma velha bonitinha e disse: “Não façam bagunça, hein, meninos.”

“Puxa, ela parece a Dona Benta”, eu falei.

“Você está confundindo a minha avó com alguém”, disse o Juca. “Essa é a Dona Anacleta. Ela é professora e sabe contar histórias muito bem.”

Bom, aí eu desisti e fui olhar os livros de novo.

“Você já leu tudo isso?”, eu perguntei.

“Tudo, não. Mas li um monte. Todos os de criança e os de aventura. E eu estou fazendo um livro também. Quer dizer, não é bem um livro. É um caderno onde eu colo umas notícias de jornal, faço uns desenhos e coloco umas piadas.”

“Pô, dez!”

“Dez, não. É um caderno só.”

“Não, é que eu falo dez quando uma coisa é bem legal. Não falam assim na sua escola?”

“Não. Lá a gente fala ‘supimpa’!”

“Poxa, que estranho. Supimpa é palavra de velho. Coisa do tempo do meu avô.”

“De que ano é o seu avô?”

“Sei lá. De mil novecentos e nada.”

“Como assim? A gente ainda está em 1893.”

“1893! Xi, acho que meu tio soltou um pum de pirlimpimpim.”

“O que que é isso?”

“É um pum mágico que faz a gente ir para qualquer lugar e qualquer tempo.”

“Pum de pirlimpimpim...? É supimpa, mas é meio nojento. Tinha que ser um pum? Não podia ser um pó de pirlimpimpim?”

“Ia ser bem menos fedido.”

“O que que ia ser bem menos fedido?”, perguntou o meu tio.

“Ué, o que eu estou fazendo aqui na sua casa?”

“Vendo o meu vídeo.”

“Xi, acho que eu dormi. Ou então você soltou um pum de pirlimpimpim. Ou as duas coisas, sei lá.”

“Deixa de invencionices”, ele me disse. Depois olhou para o chão, viu um monte de caroços de jaca e falou: “Que engraçado, eu pensei que tivesse catado todos os caroços. Acho que estou ficando caduco.”

 

Escrito por Lelê às 06h11
Lelê fica mais velho

Ontem, dia 9 de outubro, a minha mãe foi me buscar na natação às sete da noite, que é quando acaba a minha aula. Aí, quando a gente estava no carro, ela disse: “Lelê, quando a gente chegar em casa, vê se se arruma rápido que nós vamos jantar fora.”

“Jantar fora? Por quê?”, eu biperguntei.

“Como por quê?”, a minha mãe reperguntou. “É o seu aniversário!”

“É?”

“É! Você vai fazer nove anos.”

Eu achei isso muito estranho. Desde que eu comecei a escrever aqui no blog, em 2006, eu nunca tinha feito aniversário. Eu sempre tive oito anos. Mas ia fazer nove.

Então a gente chegou e eu fui para o meu quarto. Aí, enquanto eu estava botando uma calça comprida (eu não gosto de usar calça comprida), eu fiquei pensando duas coisas. A primeira é que eu estava ficando mais velho. Muuuuuuuito mais velho. É que eu envelheci 1/8 da minha idade (eu tive aula de frações esta semana). E um oitavo é muito. Se eu tivesse 40 anos, ia fazer 45. Se tivesse 80, ia pular para 90.

A outra coisa que eu pensei é que eu já vivi 3278 dias (também tive aula de multiplicação). É dia pra caramba! O estranho é que eu só lembro de uns. E nem lembro deles inteiros, só de uns pedacinhos. Que pena, eu queria lembrar de tudo. Pelo menos não estou que nem o meu avô que nem lembra onde deixa os óculos.

Bom, aí a minha mãe gritou, perguntando se eu estava no mundo da lua, porque todo mundo já estava pronto, só eu é que não. Então eu me vesti e a gente foi para o restaurante.

Jantar fora é bom porque sempre tem comida diferente. O chato é que tem que por roupa meio chique. A gente foi num lugar que tem peixe. Eu gosto de peixe. Quem foi foi eu, a Catarina, a minha mãe, o meu avô, o meu tio e o meu pai, o Dirceu.

Eu ganhei um monte de presente.

O meu avô me deu um abrigo de ginástica, o meu tio me deu uma super caixa de chocolate (e depois ficou a noite toda perguntando: “Você vai me dar um?, você vai me dar um?”), a Catarina me deu umas camisas (aposto que foi minha mãe que comprou), o Dirceu me deu uma bermuda e um par de chinelos bem chiques (aposto que foi minha mãe que comprou) e a minha mãe me deu um netbook, que é um computador bem pequeno. E quando ela me deu o presente, ela falou:

“Isso é para você, mas também é para mim, porque assim você não precisa mais usar o meu computador.”

Quando todo mundo acabou de comer o peixe, o meu avô começou a falar sobre a minha idade. Ele disse assim:

“Nove é um número muito bom, é o numero do novo, tanto que, em português, as palavras nove e novo são parecidas. E em italiano tem nove e nuovo, em espanhol tem nueve e nuevo, em francês, neuf e neuve, em alemão, neu e neun.”

O meu tio, que gosta dos gregos, disse que nove é um número muito importante, tanto que Mnemosine, a deusa da memória, teve nove filhas com Zeus, que são as musas que inspiram as artes.

Aí o Dirceu falou que a nona sinfonia do Beethoven é a melhor de todas.

E a minha mãe lembrou que a gente também demora nove meses para nascer.

Mas eu só pensava que estava ficando mais velho. Poxa, daqui a pouco eu vou ter doze anos e vou ficar cheio de espinhas, depois vou ter 15 e só vou querer saber de meninas, aí vou ter uns 20 e estudar na faculdade, daí vou ter trinta e trabalhar muito, vou ter quarenta e cinco e começar a ficar de cabelo branco que nem o meu tio, vou ter 70 e ficar enrugado que nem o meu avô, e depois vou morrer, se ninguém inventar um superremédio até lá.

Bom, depois o dono do restaurante, que é amigo do Dirceu, mandou um bolo para mesa. Tinha até uma daquelas velinhas de faísca. E todo mundo cantou parabéns pra você. Quer dizer, parabéns pra mim.

Só que eu não sei se eu mereço parabéns. Agora eu envelheço que nem todo mundo.

 

Escrito por Lelê às 09h00
Quer conversar?

Terça-feira, dia 13, às 15h, eu vou participar de um bate-papo no UOL. Vai ser legal!

Escrito por Lelê às 08h45
Domingo

Domingo vai ter esse negócio aí. Parece que vai ser legal. mas acho que não é de graça.

 

Escrito por Lelê às 12h26

Lelê e o dicionário de Catarinês

 Aqui a Catarina está falando "Ó", que quer dizer "Olha que coisa legal!".

A Catarina já está falando!

Só que é uma língua só dela, o Catarinês.

Eu entendo tudo o que ela fala. E até fiz um dicionário Português-Catarinês. Se alguém quiser conversar com ela, é só usar essas palavras:

Auau: É cachorro. Mas também pode ser gato, camelo ou elefante. Acho que, para a Catarina, “auau” quer dizer animal. Ou qualquer coisa que ande de quatro. Menos cavalo, que tem uma palavra especial.

Bebebebebebé: Às vezes a Catarina começa a dar uns passos e fica falando isso. Parece uma sirene de ambulância. Acho que quer dizer: “Saiam da frente que eu quero passar e ainda não sei andar direito!”.

Bibi: É assim que ela chama a Gabriela, que é filha de um amigo do meu pai. Mas também é tudo quanto é criança. Ela olha uma e fala “bibi!”.

Bibiá: É uma bola pequena que ela tem. Ela fica andando com essa bola na mão o tempo todo. E, quando ela não sabe onde a bola está, ela pergunta para gente: “Bibiá?”. Aí a gente aponta e ela vai atrás.

Cabô: A Catarina fala isso quando acaba qualquer coisa. Pode ser comida ou um programa de tevê. A tradução é “Poxa, que pena que acabou...”

Cacá: É ela mesma. Sempre que a Catarina se vê no espelho ou numa foto, ela aponta para ela e diz “Cacá”.

Clocloclocloclo: É cavalo. Ela fica estalando a língua e fazendo clocloclo, que nem o barulho do cavalo quando corre. Em português é “pocotó”.

Eeeeeeeeeeeê: Quer dizer: “Puxa, que ótimo, eu estava querendo isso!”. Ela usa quando começa o Peixonauta, quando chega a comida e quando ganha um presente.

  A Catarina falou Eeeeeeê quando ganhou esse tapete que desmonta. Mas ela pensa que é um colar.

Hummmmm: “Estou no meio da minha refeição e não quero parar de comer. Dá mais uma colherada?”

Lorilorilori: Isso quer dizer: “Estou cantando. Todos comigo!”. É o jeito que ela canta. Acho que ela aprendeu isso com a mãe do meu pai, que cantava aquela música da Xuxa do ilariê para ela.

Meimei: É “mamãe”.

Nhéééé: “Me dá isso!”

Ô: Ela fala “Ô” quando a gente mostra uma coisa para ela que ela não conhecia. Acho que quer dizer “Este treco é diferente!”.

Ó: "Olha que coisa legal!"

Oba!: Não quer dizer “oba” que nem em português. O “oba” dela quer dizer Backyardigans, que é um programa do Discovery Kids. Sempre que ela vê um desenho, um brinquedo ou um dos bonecos do Backyardigans ela fala Oba!

 Tem um monte de obas debaixo da tevê. Aí a Catarina joga tudo longe e fica no lugar deles.

Papá: Essa é fácil. É “comida”.

Papaiiiii: Papai. Só que com um monte de is.

Papaqui: É “sapato”. Às vezes ela fala papaqui e o Dirceu vem todo bobo dizendo “Me chamou, filha?”. Mas aí ela aponta o sapato e ele fala: “Ah, ela só quer mostrar o sapato...”. A Catarina adora sapato. 

Quiqui: É a Fifi, do programa Fifi e os floriguinhos. Só que a Catarina não consegue falar o efe. Se ela falasse farofa ia ficar “caoca”.

Tiquetiquetique: Pode ser um trem ou um carro. Qualquer máquina que anda. A Catarina vê e faz tiquetiquetique um monte de vezes. Agora ela tem uns hotwheels, e ela esfrega eles no chão e faz tiquetiquetique.

 Às vezes a Catarina imita um macaco. Aí eu chamo ela de Macacarina (mas a minha mãe não gosta).

Tiá: Essa é a dona Marili, que é nossa vizinha.

Titio: Uma vez ela olhou para o meu tio Torero e falou “titio”. Ele ficou o maior contente e disse: “Essa Catarina é um gênio! Percebeu que eu sou irmão da mãe dele e me chamou de titio. Ela já sabe que eu sou da família dela. Gênio!”. Só que nessa hora passou o porteiro perto da gente e ela disse “Titio” para o porteiro. Logo depois passou um homem que ninguém conhecia, ela apontou para ele e disse: “Titio”. E depois, para todo cara que passava, ela apontava e falava “titio”. O meu tio Torero fez uma cara de chateado e disse: “Acho que me enganei...”. E ele se enganou mesmo. “Titio” quer dizer “homem”. Coitado do meu tio, ele não sabe catarinês.

 

Escrito por Lelê às 02h15