BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

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Lelê, o pinguim, o churro e o papaiiiii

A minha mãe estava dando de mamar para a Catarina, aí eu fiquei olhando e comecei a fazer umas perguntas:

“Se o leite é uma coisa que azeda, as mães não tinham que ficar na geladeira?”

“Não, Lelê.”

“E se você tomar bastante Toddy, o leite não vira chocolate?”

“Não, Lelê.”

“Será que se tomar café vira café com leite?”

“Não, Lelê.”

“Será que o gosto do leite do peito da esquerda é diferente do do peito da direita?”

“Não, Lelê.”

“Será que...”

“Não, Lelê.”

“Mas eu nem fiz a pergunta.”

“Mas eu já sei a resposta. Por que você não vai dar uma volta, hein?”

“Onde?”

“Pede para o Dirceu te levar no aquário.”

Eu fui falar com o Dirceu, que estava na cozinha, e disse assim: “Dirceu, a mãe pediu para eu pedir para você me levar no aquário.”

Aí o Dirceu, que é o segundo marido da minha mãe e é o pai da Catarina, falou assim. “Vamos lá”.

Antes de sair, ele se despediu da Catarina, que deu tchau para ele com a mãozinha e disse “Papaiiii!”. Essa é uma das quatro palavras que ela já fala. As outras são “mamãeeee”, “humm...”, quando tem comida boa, e “obaaa”, quando alguém dá um presente para ela.

Lá no aquário tem um monte de coisa legal, mas eu gosto mesmo é dos pinguins. Eles andam de um jeito bem engraçado. Dessa vez tinha um pinguim-pai e um pinguim-filho, e o pinguim-filho estava sempre andando atrás do pinguim-pai.

Quando a gente saiu do Aquário, eu lembrei do meu pai. Ele agora mora em Porto Alegre, que é uma cidade bem longe. E não me liga faz um tempão. E eu também lembrei da Catarina chamando o Dirceu de pai, e pensei que quem eu vejo o tempo todo é o Dirceu, não o meu pai. Na semana passada, quando eu tive bronquite, foi até o Dirceu que me levou no Pronto Socorro, porque a minha mãe ficou com a Catarina.

Eu fiquei pensando nessas coisas e acho que eu fiz uma cara de meio de chateado, porque o Dirceu pegou e perguntou: “Quer comer um churro para melhorar o seu humor?”, e eu respondi “Claro!”, porque, sempre que me convidam para comer churro, eu aceito.

Eu fiquei na dúvida se pedia um de doce de leite ou de chocolate, mas acabei pedindo o de chocolate, que é o que eu peço sempre. E o Dirceu pediu o de doce de leite. O meu acabou bem rápido, antes do do Dirceu. Quando ele viu que eu já tinha acabado, ele me ofereceu o dele:

“Quer provar esse aqui, Lelê?”

“Mas é o último pedaço, e o último pedaço é o mais gostoso.”

“Eu sei, por isso que eu estou oferecendo.”

“Oba!”, eu disse. E depois, quando eu estava comendo, eu fiz “Humm...”

Eu nunca tinha provado o de doce de leite, mas ele é melhor mesmo.

Depois a gente voltou para casa e, quando a Catarina viu o Dirceu, falou: “Papaiiii...”. Então eu imitei ela e disse: “Papaiiii....” e na mesma hora o Dirceu virou para mim e perguntou: “O que é?”

“Nada”, eu respondi. “Não é nada, papai.”

O Dirceu ficou olhando um tempo para mim, meio paradão, e os olhos dele foram ficando meio molhados.

Depois dessa vez eu acostumei, e agora eu chamo ele de pai.

 

Escrito por Lelê às 07h02
Eu entrevistei o Peixonauta!

Eu não sei se vocês já viram, mas tem um desenho no Discovery Kids que é o maior legal. O nome dele é Peixonauta. O Peixonauta é um peixe, mas usa um capacete de astronauta, por isso que chama peixonauta. Ele tem uns jatos nas costas e voa. Dentro do capacete tem uma água para ele respirar. Ele descobre uns mistérios e tem dois amigos, o Zico, que é um macaco que se mete em confusão, e a Marina, que é menina.

A Catarina, a minha irmã, adora o Peixonauta. E ele não é um desenho americano. É brasileiro.

Para entrevistar o Peixonauta, o Doki me desenhou numa folha, e a Célia Catunda e o Kiko Mistorigo desenharam o Peixonauta em outra, e aí a gente conversou cara a cara. Quer dizer, folha a folha. Foi assim:

- Oi, Peixonauta.

- Oi, Lelê! 

- O que você mais gosta de ser Peixonauta?

- Hmmm...bom, eu gosto de ser agente secreto. Eu adoro desvendar mistérios! E também gosto muito de poder voar por aí e conhecer novos lugares. 

- Você tira um bocado de coisa de dentro da sua roupa. Como é que cabe tanta coisa lá?

- A minha roupa é super especial e cabe tudo mesmo! É como seu eu pudesse levar o meu quarto junto comigo, não é bom?

- É, mas o uniforme não fica pesado com aquelas coisas todas?

- Um pouco mas, dá para levar. É como essas mochilas que as crianças levam para a escola.

- Embaixo da água você fica de uniforme ou peladão?

- Como eu estou sempre pronto para uma nova missão, fico de uniforme mesmo embaixo d’água. Mas, para dormir, eu fico pelado, claro!

 Assim que o Peixonauta fica sem uniforme.

- Você tem cheiro de peixe?

– Eu? Só quando eu não tomo banho... Que é meio raro, né? 

- Quem são os seus amigos?

- A minha turma é enorme, mas os meus melhores amigos são a Marina, o Zico, o Chumbo-Feliz e a Rosa.

- De quem você gosta mais? Da Marina ou do Zico?

- Nossa, eu não sei de quem eu gosto mais! Os dois são demais. 

- Será que a Marina come sushi? Se ela comer, você fica com raiva dela?

- Sushi? O que é isso? Uma fruta do sul da Ásia? Uma espécie de kiwi?

- Deixa pra lá. E se você estiver na água e jogarem uma minhoca, você morde?

- Você pensa que sou bobo? Eu já avisei para todo mundo que, minhoca sozinha na água é uma armadilha de gente pescando.

 Esse é o quarto do Peixonauta.

- Que tipo de peixe você é? Peixe dourado? Por que os peixes de aquário morrem cedo?

- Sou um peixe muito diferente, de origem secreta! Eu detestaria morar em um aquário. Acho que os peixinhos sentem falta de mais espaço pra esticar as barbatanas, de correnteza, do escuro da noite...

- Como é que se chama mesmo o lugar onde você trabalha?

- É a O.S.T.R.A: Organização Secreta para a Total Recuperação Ambiental.

- É legal trabalhar lá?

- É super legal! A gente recebe novas missões todos os dias e todo mundo se ajuda. 

- O que a Ostra faz? Quem são os inimigos da Ostra?

- A O.S.T.R.A. É uma organização que cuida do tudo que tem no Parque das Árvores Felizes. Inimigo mesmo, a OSTRA não tem. Mas a pressa tem: a perfeição.

- Por que o agente Chumbo Feliz está sempre dormindo?

- Ele não está dormindo. Na verdade ele está meditando e é sempre muito bom e relaxante falar com ele.

- Quanto tempo você pode ficar na terra com o seu capacete?

- Dá para ficar um tempão. Mas bem que eu gostaria que fosse muito mais. Toda vez que aparece aquele Gotômetro, o marcador do meu tanque, eu fico nervoso.

- Você acha legal voar? Alguém já se assustou a te ver voando?

- Voar é super legal! Mas não é para todo mundo! Eu tentei ensinar uma galinha amiga minha e foi um fracasso. Por aqui, ninguém estranha o fato de eu voar, ainda mais depois que eu comecei a aparecer na TV.  

-Você vê desenho? Qual que você mais gosta?

- Eu adoro desenho animado. As Manjubas Super-Poderosas, Zé Esponja, 

- Por que tem poucos desenhos brasileiros?

- Sei lá? Eu mesmo tenho um projeto super legal e nunca consegui fazer!

- Quantas pessoas trabalham para fazer um desenho?

- É um montão de gente. O Kiko e a Célia me falaram que são mais de 160 pessoas só no meu desenho!

- Se tanta gente te desenha, como é que você não sai cada hora de um jeito?

- Eles estudaram todas as minhas poses e ainda têm um monte de fotos minhas e dos meus amigos. Acho que ninguém tem um álbum de fotos tão grande que nem o meu!

- Você está dando Ibope? (Ibope é assim quando muita gente te vê).

- Pelo jeito, deve estar dando muito Ibope. Aonde eu vou, vem alguém falar comigo. Parece que o meu desenho está em primeiro lugar no Ibope.

- Você está ganhando do LazyTown e do Backyardigans?

- Sim! Eles são meus amigos e ficara super contentes com o meu sucesso!

- Quanto tempo demora para fazer um desenho?

- Depende do desenho. No meu caso, foram mais de 2 anos e 52 casos solucionados com sucesso!

- A música do seu desenho é meio diferente, né?

- É, tem um pouquinho de tudo: forró, samba, bossa nova. É uma salada de ritmos.

- O seu desenho vai passar em outro país?

- Já estou em mais de 60 países, em inglês, espanhol, árabe e turco.

- Vai ter mais desenho no ano que vem ou vai acabar?

- Já, já a gente vai receber mais 52 novas missões.

- Que horas passa o seu programa?

- De segunda a sexta, às 11:30, 19:30 e também à meia noite e meia, pra quem ainda não conseguiu dormir.

- Para que idade que é o seu desenho?

- Para todo mundo, principalmente para as crianças, é claro!

- Do que que você mais gosta?

- Em primeiro lugar, desvendar os mistérios que a POP traz: sempre acaba numa aventura! Depois, de brincar de pega-pega com a Marina, o Zico, Pedro e Juca. Ah, e assistir ao Peixe Baile Show com a agente Rosa, um concurso de dança super legal!

- Do que que você mais  tem raiva?

- Eu odeio quando os meus equipamentos não funcionam direito! 

-Valeu. Tchau.

-Tchau, Lelê. Obrigado pela entrevista e é uma honra para mim aparecer no seu blog. Eu e a Marina sempre lemos e rimos muito!

-Legal!

Escrito por Lelê às 06h40
O melhor filme do ano

O melhor filme que eu vi este ano foi o "Up". Muito bom mesmo. Lindão. A minha mãe que me levou. E ela chorou três vezes. Mas o filme é engraçado.

Eu ia escrever mais, mas estou atrasado, tchau!

Escrito por Lelê às 07h54
Um vídeo legal

Esse é um video legal sobre dois cachorros (e sobre irmãos mais velhos). Quem mandou foi a Luiza Cerniauskas.

Para ver, é só clicar aqui.

Escrito por Lelê às 07h32
Lelê e o cara que enganou a morte duas vezes

Ontem, eu, a minha mãe e a Catarina (que é a minha írmã e tem só um ano) fomos dar uma volta no jardim com o carrinho novo da Catarina (que parece um carro mesmo, com direção e capota, e um dia, quando não tiver ninguém reparando, eu vou entrar dentro dele).

Aí eu comecei a olhar um gari que catava umas folhas. Ele catava uma, catava outra, catava uma, catava outra, e, quando o chão estava quase ficando limpo, batia um vento e caía um monte de folhas de novo. Então ele catava uma, catava outra, catava uma, catava outra...

Quando a minha mãe sentou num banco e botou a Catarina no colo para dar mamadeira, eu peguei e fui conversar com o gari, porque eu tinha uma idéia ótima para ele.

“O seu trabalho é o maior difícil, né?”

“É...”

“Mas eu tive uma idéia.”

“Que idéia?”

“A minha írmã usa fralda para não deixar o xixi e o cocô caírem. Porque você não coloca umas fraldas nas árvores?”

“Fraldas nas árvores? Não ia ficar muito bonito.”

“Não precisa ser fralda de verdade. Pode ser, tipo assim, umas redes. Aí as folhas vão cair lá e não vão dar tanto trabalho.”

“É uma boa idéia. Mas acho que o meu chefe não ia gostar. Ele quer que eu trabalhe muito.”

“Que prefeito malvado!”

“Mas o meu chefe não é o prefeito.”

“Não?”

“Não. O meu chefe é Hades. O deus do inferno.”

“Hein?”

“Vamos começar do começo. Meu nome é Sísifo, muito prazer”, ele disse me estendendo a mão.

Eu apertei a mão dele e perguntei: “Você é um daqueles deuses gregos que eu vivo encontrando?”

“Sou grego, mas não sou deus. Sou um homem comum. Quer dizer, comum não, que eu era o rei de Ephyra. E também diziam que eu era o rei dos truques.”

“Por quê?”

“Porque eu enganei os deuses.”

“Aica! Como que você conseguiu isso?”

“Bom, tudo começou quando eu vi uma águia sobrevoando a minha cidade. E nas garras ela levava a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio.”

“Esse Asopo era um deus ou um rio?”

“Era as duas coisas ao mesmo tempo. Mas o interessante é que eu percebi que aquela águia não era uma águia comum. As águias não gostam de comer gente, e a Egina era muito bonita. Então a águia só podia ser um disfarce de Zeus. Ele sempre se transformava em alguma coisa para pegar as mulheres.”

“E o que você fez? Atirou uma pedra na águia?”

“Não. Eu fui até o velho Asopo, que estava desesperado com o desaparecimento da filha, e fiz uma proposta para ele: ‘Se você der uma fonte de água para a minha cidade, eu conto quem raptou a Egina’.”

“E ele topou?”

“Na hora. A minha cidade ganhou uma fonte e o Asopo exigiu sua filha de volta.”

“Que bom!”

“Bom, mas não muito, porque Zeus ficou fulo da vida comigo. Tanto que enviou Tânatos, o deus da morte, para me levar para o inferno.”

“Xi, que ruim...”

“Ruim, mas não muito. Quando o Tânatos chegou, eu disse que ele era tão lindo que eu tinha que colocar um colar no pescoço dele. Mas, em vez de colar, eu botei uma coleira, e ele ficou preso. Daí, com a morte presa, ninguém mais morria.”

“Poxa, isso foi bom!”

“Bom, mas não muito, porque Hades, o deus do inferno, e Ares, o deus da guerra, ficaram com raiva de mim.”

“Por quê?”

“Porque não chegavam mais almas lá no inferno e as guerras nunca acabavam.”

“Eles te bateram?”

“Pior! Libertaram Tânatos e mandaram que ele me levasse para o inferno.”

“Caraca!, isso foi ruim.”

“Ruim, mas não muito. É que quando eu me despedi da minha mulher, a Mérope, eu falei assim no ouvido dela: ‘Não enterre meu corpo’, e um morto não ser enterrado era uma grande ofensa para os gregos. Daí, quando eu cheguei no inferno, falei assim para o Hades:

“‘Hades, minha esposa não me sepultou, e isso é uma grande falta de respeito. Permita que eu volte por um dia para me vingar daquela ingrata.’”

“Ele deixou. Então eu retomei o meu corpo e fugi com a Mérope. Enganei a morte pela segunda vez.”

“Isso foi bom!”

“Bom, mas não muito. É que eu fiquei velho e, como todo velho, um dia morri. Aí não teve jeito: acabei no inferno. E o Hades inventou um castigo terrível para mim: eu fui condenado por toda a eternidadde a rolar uma grande pedra de mármore até o alto de uma montanha, e, toda vez que eu chegava pertinho do topo, ela rolava para baixo. Daí eu tinha que descer e começar tudo de novo. Por isso que todo trabalho inútil é chamado de ‘Trabalho de Sísifo’.”

“Eu conheço um trabalho de Sísifo: arrumar a cama. Todo dia a gente arruma de manhã e desarruma de noite. É o maior chato. Eu digo para a minha mãe que não adianta nada, que é melhor deixar a cama desarrumada de uma vez, mas ela não me entende.”

“Eu entendo o seu ponto de vista, pode acreditar...”

“E como você veio parar aqui”, eu perguntei.

“É que o Hades cansou de me ver empurrando a pedra e mudou o meu serviço. Agora eu tenho que catar as folhas das árvores. E elas nunca param de cair. Este também é um Trabalho de Sísifo.”

Bem nessa hora a Catarina acabou de mamar e a minha mãe me chamou. Aí eu fui para lá e a gente começou a passear de novo.

Depois bateu um vento bem forte e derrubou um monte de folhas no chão. 

 

Escrito por Lelê às 07h42
E o vencedor é...

O álbum de planetas ficou o maior legal. Tem mais de cem desenhos! E umas idéias de gênio! Se o espaço fosse que nem o álbum ia ser bem divertido.

Bom, em terceiro lugar ficou o Hallydión, da Mariana, que é um desenho muito legal mesmo. Ele teve 59 votos.

Em segundo ficou o Livroneta da Luísa, com 182 votos, que é uma idéia muito legal e estava ganhando até ontem de noite.

E em primeirâo ficou o Planeta Festa do Heitor, que parece que botou até os avós no computador para trabalhar. Ele teve 229 votos. É ele legal ele ganhar porque ele fez aniversário esses dias.

 

Bom, daí, como os três tiveram um montão de votos, eu pedi para o pessoal lá da editora e eles me mandaram mais dois livros. Então eu vou dar um Diário do Lelê para cada um. Podem mandar os endereços para o blogdolele@uol.com.br

(E quem quiser ver o álbum inteiro, clica aqui)

Escrito por Lelê às 09h57
Virei um quase-desenho!

O UOL Crianças fez uma coisa o maior legal: pegou uma historinha minha e animou em flash, que é quase um desenho animado.

A história é a do Dia da Grito, quando eu encontrei com D.Pedro e ajudei ele a fazer a independência. 

Quer ver?

Clica aqui

Escrito por Lelê às 08h27
Lelê, Darwin e a tartaruga

Essa semana, lá na escola, a professora falou de uns negócios de evolução e de um tal de Darwin. Eu não prestei muita atenção, porque eu estava fazendo uma corrida de tampinhas de caneta em volta do meu estojo (ganhou a tampa vermelha).

O chato é que a professora ia fazer uma prova no dia seguinte, e estava o maior difícil de estudar. Mas a minha sorte é que, quando eu estava olhando para o livro (sem entender nada), a minha mãe disse: “Chega, não aguento mais. Essa reforma ortográfica está acabando comigo!”

É que a minha mãe trabalha de revisora, que é a pessoa que vê se tem erro no que os outros escrevem, e essa reforma está dando muito trabalho para ela.

“Lelê”, ela disse, “eu, você a Catarina vamos dar uma volta no aquário para espairecer.”

“Mas eu tenho que estudar”, eu respondi.

“Leva o livro e estuda lá no jardim.”

Eu achei aquilo bem bom e a gente foi para o aquário (aqui em Santos tem um aquário legal, com um jardim bem grande na frente).

Então, quando eu estava olhando uma tartaruga, eu senti um cheiro péssimo. Péssimo mesmo! Acho que foi uma velhinha que estava do meu lado que soltou um pum. Foi um cheiro tão ruim que a tartaruga olhou para mim e perguntou:

“Por que você está fazendo essa careta?”
 
“Acho que alguém aqui soltou um pum.”

“Ainda bem que tem esse vidro entre a gente.”

“É verda... Ei?! Estou conversando com uma tartaruga! Já sei, a velhinha soltou um pum de pirlimpimpim!”

“Hein?”

“É uma espécie de pum mágico e muito fedido”, eu respondi.

“E o que é isso na sua mão?”, ela perguntou.

“É o meu livro. Eu tenho que estudar para fazer uma prova sobre um tal de Darwin.”

“Charles Darwin? O inglês que desenvolveu a teoria da evolução e escreveu o livro ‘A Origem das espécies’.”

“Acho que é esse.”

“Conheci muito. Foi meu amigão uns cento e oitenta anos atrás.”

“Aica!. Quantos anos você tem?”

“199. Faço duzentinhos no ano que vem.”

“Caramba!”

“Pois é. E boa parte desse tempo eu passei com o Darwin.”

 Esse desenho é do Luccas Longo.

“Por que que ele ficou famoso? Foi essa teoria da evolução?”

“Foi. Antes dele a maioria das pessoas pensava que Deus tinha feito todos os animais e pronto, acabou. Mas ele percebeu que os animais estavam sempre mudando, e que os mais adaptados viviam mais tempo e tinham mais filhos. Entendeu?”

“Não mesmo.”

“Pensa assim, ó: Faz de conta que as tartarugas não tinham casco. Mas aí, um dia, nasce uma com casco. Ela vai viver mais tempo que as outras porque está mais protegida, não é?”

“É.”

“E, vivendo mais tempo, vai ter mais filhos, não é?”

“É.”

“E vários dos filhos dela vão ter casco. E também vão viver mais tempo e ter mais filhos. Então, depois de um tempo, todas passam a ter casco.”

“Acho que agora deu para entender. E como é que o Darwin inventou essa teoria?”

“Foi graças a uma viagem num navio chamado Beagle, em 1831. O Beagle tinha 30 metros e 74 homens. A idéia era desenhar o mapa do litoral da América do Sul. O engraçado é que o Darwin quase não viajou, porque na época ele tinha uma namorada que queria que ele ficasse em Londres e casasse com ela. A Fanny chegou até a procurar o Beagle no porto, mas errou de navio e o Darwin acabou viajando.”

“Ele passou aqui pelo Brasil?”

“Passou. Esteve em Fernando de Noronha, na Bahia, no Rio de Janeiro e em Recife. Mas a parada mais famosa dele foi nas Ilhas Galápagos. Lá que a gente se conheceu e ele me contou que desde criança gostava de colecionar caramujos e besouros.”


 
“A mãe dele devia odiar a coleção dele.”

“Devia. Mas foi por causa dessa coleção que ele começou a se interessar pelos bichos e entendeu por que que os bichos são como são.”

“E ele levou você para a Inglaterra?”

“Levou. Quando ele morreu, eu fui para o Zoológico de Londres, depois para outro, para outro e acabei vindo parar aqui, no Aquário de Santos.”

“Legal!”

“Você acha que essa história vai te ajudar na prova?”

“Claro que vai!”

Mas não ajudou muito, não. Eu tirei zero. É que a pergunta da professora foi: “O que é evolução?”

E eu respondi que evolução era se eu nascesse com um casco de tartaruga.

 

 

Escrito por Lelê às 02h16
Eleição!

Em vez de eu escolher quem vai ganhar o livro, acho que é mais legal fazer uma votação.

Então vocês é que vão dizer qual o desenho mais legal.

É bom colocar o nome do planeta e de quem desenhou, assim eu não me confundo. E só valem os votos colocados nos comentários deste post.

Dá para ver todos os desenhos clicando aqui.

O livro é este, ó:

  

 

Escrito por Lelê às 19h51
Último planeta

Este é o último planeta que chegou. É Planeta Festa, do Heitor. Ele inventou esse planeta porque está fazendo aniversário.

 

Escrito por Lelê às 17h58
Heróis e Comidas

Esse aí em cima é o Planeta X, do Gabriel. O Gabriel inventou um sistema planetário inteiro, com um monte de planetas doidos.

E esse aqui embaixo é o Planeta Comida, da Agnes. Os rios e mares são de suco, a terra é de chocolate, as nuvens, de algodão doce, as flores são pirulitos e as árvores são de brócolis, com maçãs penduradas, porque ela diz que a gente também tem que comer alimentos saudáveis.

Escrito por Lelê às 08h20
Maluquice e Felicidade

Este é o Planeta Felicidade. Quem inventou foi o Fabinho.

E este é o Planeta Maluco do Artur:

Para ver mais planetas, clique aqui.

Escrito por Lelê às 13h52
Mãos e Guns

O planeta Guns n´Roses é um planeta louco. Os prédios são pirâmides, todo dia é dia de rock e tem vulcões. A boca dele é uma garagem. E o olho vira uma fogueira gigante.

Eduardo.

 

O Mãopla é uma mão com continentes e oceanos como a Terra. Eu resolvi fazer esse planeta porque acho minha mão esquisita. O seu nome é o conjunto de Mão com o Pla de planeta. Gostei muito de fazer.

Laila.

Escrito por Lelê às 01h21