
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
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Lelê, Harry Potter e um mágico de verdade
Esta semana eu fui com o meu tio no cinema ver o filme do Harry Potter. Dos outros eu tinha gostado, mas desse eu não gostei. O meu tio até dormiu um pouco. E tem uma coisa chata que é que o filme não acaba. É uma novelinha. No próximo filme é que a gente vai saber as coisas. Assim não vale! Bom, aí, quando a gente estava saindo do cinema, eu falei: “Deve ser legal ser mágico.” “Eu tenho um amigo que é”, o meu tio falou. “Mágico de verdade?” “Mais ou menos. Ele é um mágico de verdade, mas os mágicos de verdade são de mentira.” “Não entendi.” “Deixa pra lá. Quer conhecer esse meu amigo?” “Claro!” Aí a gente pegou e foi até o tal mágico, que se chama Mister Basart. No caminho, o meu tio disse que o Mister Basart trabalhou num programa de televisão muito legal chamado Bambalalão, e que teve um tempo em que ele trabalhou no Japão. Eu pensei que a gente ia encontrar o Mister Basart num castelo, mas foi num prédio normal. Só que lá na sala dele tinha um tantão de coisas de mágica (umas varinhas, uns lenços, umas moedas, uns peões e umas caixinhas). E nas paredes tinha um monte de retrato de mágicos. O Mister Basart não tinha raio na testa nem estava usando cartola. Logo que eu vi ele, eu perguntei: Por que seu nome é Basart, Mister Basart? Você viu algum filme do Harry Potter?
Você tem varinha mágica?
Você é um mágico de verdade? Tudo no Harry Potter é mentira? Como é que você virou mágico? Você teve um professor que nem o Dumbledore? Você ficou nervoso a primeira vez que fez uma mágica para as pessoas? Por que tem tanto quadro aqui no seu escritório? Você já usou bichos nas suas mágicas? Cadê as pombas e os coelhos? Você comeu? Você tem uma namorada mágica que nem o Harry Potter?
Qual é a mágica mais legal para você? Como é que eu viro mágico? Tem que desenhar um raio na testa? Pode ser com caneta ou tem que ser tatuagem? Quem é o mágico mais bacana de todos os tempos do mundo? Mágica é perigoso? Alguma mulher já foi cortada no meio de verdade? No seu Museu eu vi um monte de aparelho de mágica. Dá para comprar essas coisas? Quanto custa? Já teve alguma mágica sua que deu errado? E aí, o que que você fez? Você tem uma cartola? Já usou ela num jantar chique? O que que você faz hoje em dia? Ganha muito dinheiro? Você combate o mal? Qual é a coisa mais legal de ser mágico? Aí o meu tio disse que estava atrasado e a gente foi embora. Mas antes eu pedi para o Mister Basart fazer uma mágica para mim. Então ele pediu uma moeda para o meu tio e fez ela desaparecer. “Poxa, Basart”, o meu tio falou, “cadê a minha moeda?” O Mister Basart olhou para o teto e respondeu: “Foi para o misterioso mundo da mágica.” E o meu tio disse: “Tudo bem. Foi mais barato que o ingresso daquele filme chato.”
Escrito por Lelê às 19h08
![]() Piadinhas!
Eu quero fazer um negócio que é colocar umas piadas aqui no blog toda semana (piada é legal). Mas para isso eu preciso juntar um monte delas. Vocês mandam umas piadas para mim? O meu endereço é blogdolele@uol.com.br. E é claro que eu vou colocar o nome de quem mandar.
Escrito por Lelê às 13h18
![]() Lelê , o pai do Lelê e o Dirceu.
No domingo eu estava lá em Santos, almoçando com a minha mãe e o Dirceu (que é o marido dela), e aí a minha mãe disse para mim: “O seu pai vem te visitar hoje.” Eu achei isso legal, porque, sempre que ele vem me visitar em Santos, ele joga Playstation comigo (eu jogo com o Brasil e ele joga com o Palmeiras, e ele até fez um jogador com a cara dele), depois me leva para dar um passeio e me compra um monte de coisa para comer. Ah, e eu gosto dele também, né? Bom, aí, lá pelo meio da tarde, o meu pai chegou com a Karina, que é a namorada dele. Eu achei o meu pai meio esquisito, porque ele ficou falando de umas coisas tipo futebol e escola, mas parecia que ele não estava com vontade de falar dessas coisas. Então teve uma hora que ele chamou a Karina para perto dele e ficou com cara bem séria. "Bom, Lelê”, ele disse, “tem mais uma coisa que eu queria conversar com você.” “O quê?” “É que eu e a Karina vamos mudar para Porto Alegre.” “Legal! Isso é aqui em Santos, né?” “Não. Por que você pensou isso?” “Porque aqui é porto e é alegre.” “Não, não, Lelê, Porto Alegre é uma cidade bem longe daqui.” “Longe?” “Tem até que pegar avião para ir para lá.” “Pô, que ruim. Você tem o maior medo de avião e agora vai ter que pegar avião toda semana para vir me visitar.” “Pois é, esse é que o problema. Eu não vou poder pegar avião toda hora.” “Não?” “Não. É muito caro. E a gente vai ter que montar o apartamento, se ajeitar na cidade...” “Sei...”, eu disse. Mas o que eu pensei foi: “Quer dizer que você vai embora e não vai me ver nunca mais? Não gosta mais de mim, é?” Acho que o meu pai escutou o que eu pensei, porque ele falou: “É claro que eu adoro você e isso vai ser muito chato para mim, mas por um tempo vai ser difícil a gente se ver.” Aí o meu pai começou a chorar, quer dizer, chorar, não, porque ele não fez barulho, foram só umas lágrimas que escorreram, mas ele enxugou rapidinho.
Então ele levantou meio triste e disse: “Acho que não vou conseguir te levar para passear hoje, Lelê. É melhor eu voltar para São Paulo. Tem muita mala para a gente arrumar.” Depois ele e a Karina foram embora. Eu fiquei meio chateado e sem vontade de fazer nada, e, quando eu tenho vontade de fazer nada, eu jogo futebol no Playstation. Eu estava jogando quando o Dirceu chegou. “Posso jogar um pouquinho?”, ele perguntou. “Tudo bem”, eu falei. Eu estava meio sem vontade de jogar, mas aí o Dirceu estava errando tanto que eu comecei a fazer um monte de gols. Ele estava num dia péssimo, coitado. Até gol contra ele fez. A gente jogou quatro partidas e eu ganhei as quatro. Ele só fez um gol, numa partida que eu ganhei de 6 a 1. “Poxa”, disse o Dirceu, “você acabou comigo. Acho que fiquei até meio deprimido. E sabe o que que eu preciso fazer para melhorar o meu humor?” “O quê?” “Tomar sorvete. Vamos?” Aí, como eu que tinha deixado ele triste porque eu ganhei dele no Playstation, eu topei, né. Então a gente foi tomar sorvete (a minha mãe não foi porque ela ficou em casa arrumando umas coisas). Eu tomei um de pistache e o Dirceu tomou um que tinha uma bola de passas ao rum e outra de milho verde. “Caramba”, disse o Dirceu quando acabou o sorvete, “esse negócio pesou demais na minha barriga. Acho que eu preciso andar um pouco, senão eu vou passar mal. Você se importa se a gente der uma volta no aquário?” Aí, como ele tinha tomado sorvete porque eu tinha vencido ele no Playstation, eu fui, né. A gente andou lá um tempão e foi legal, porque a gente deu sorte e passou bem na hora que estavam dando peixe para os pingüins. Depois a gente voltou para casa e o Dirceu disse que queria jogar mais uma partida de futebol no Playstation.
Então a gente jogou mais uma, mas dessa vez foi diferente. O Dirceu jogou com o Santos, que é o time dele, e até fez um jogador parecido com ele, com bigodão e tudo. E ele jogou o maior bem. O jogo acabou três a três! A gente já marcou de fazer uma revanche amanhã.
Escrito por Lelê às 08h24
![]() As sete maravilhas da Duda
Oi, Lelê! Tudo bem? Todo o dia eu vou no seu blog e leio o que você escreveu! Adoro ir no seu blog! As histórinhas são tão engraçadas! Bom, você tá dizendo pra mandar umas 7 maravilhas, né? Então vou mandar! 1: A primeira maravilha foi os fiordes da Noruega! A água é linda e transparente... mas muuuuuito gelada! Aí sou eu, tentando agüentar a temperatura da água!
6: A Torre Eifel! A vista é linda!!!
Escrito por Lelê às 22h00
![]() Lelê entrevista Maurício de Souza
Hoje o Maurício de Souza faz 50 anos de carreira. O Maurício foi que inventou a Turma da Mônica. Eu acho a Turma da Mônica o maior legal. Então eu peguei e mandei umas perguntas para o Maurício por internet e ele respondeu todas.
Oi, Lelê, tudo bem? Tudo. Em que cidade você nasceu? Numa cidade chamada Santa Isabel. Depois fui para Mogi das Cruzes, onde passei parte da infância. Qual a sua professora preferida? Ah, foi Dona Iracema Brasil, que me preparou para entrar no ginásio, em Mogi. O que o seu pai fazia? Trabalhava em rádio (fazia tudo lá, desde locução até pápeis em novelas), era poeta, pintor e barbeiro. E a sua mãe? Escrevia muito bem, fazia poesias, letras de musicas e costurava. O que que você desenhava quando era criança? Copiava desenhos dos gibis. Todos os personagens que eu achava interessantes. E desenhava na escola? A professora brigava? Desenhava muito. E geralmente os professores até gostavam e me incentivavam. Menos uma, no meu quarto ano, que me proibia de desenhar. Quem é o seu desenhista favorito? O meu é você. Will Eisner, um desenhista americano que fazia a historia policial “O Espírito.” E obrigado pela preferência.
O que que você lia quando era pequeno? Além dos gibis, tudo do Monteiro Lobato. Queria ter um bigode que nem o dele? Já tive. Mas depois de algum tempo raspei. Me envelhecia. Onde você guarda os seus livros? Eu tenho uma estante. Como eu tenho mais idade do que você, tenho mais estantes. Na minha casa e no estúdio. Cheias de livros de histórias em quadrinhos do mundo todo. Comer é gostoso, mas eu enjôo. Você enjoa de desenhar? Desenhar, pra mim, é um prazer, um passatempo, um meio de vida. Tudo. Como posso enjoar?
Vai ter festa por causa dos 50 anos de carreira? Vão acontecer algumas comemorações: a exposição no Museu de Escultura (MuBE), um livro com 50 ilustradores desenhando histórias da Turma da Mônica à sua maneira, reimpressão da minha primeira revista: Bidu, que ninguém conheceu... e outros eventos durante os próximos meses. Ah! tem um documentário que vai passar no canal pago Biography Channel (BIO) nesse sábado, dia 18 de julho às 22h00. Você vai se aposentar? O meu avô se aposentou. Difícil artista se aposentar. A criatividade não para num período "X" . Temos que continuar criando. Quem foi o seu primeiro personagem? Comercialmente, em temos profissionais, foi o Bidu, junto com o Franjinha. Antes, na escola, já havia criado o capitão Picolé. E o segundo? Foi o Cebolinha. E a Mônica? Veio um ano depois do Cebolinha. E bombou.
Você tem um personagem preferido? O meu é o Astronauta. Gosto do mesmo jeito de todos. Mas nas historinhas do Horácio, sou mais eu. Você já teve um cachorro chamado Bidu? E Floquinho? Não tive antes. Agora tenho. Mas, quando criei os personagens, o Bidu e o Floquinho atuais não existiam. Você come que nem a Magali? Houve tempo que sim. Agora estou maneirando. E conseguindo. Quantos filhos você tem? Algum deles tem cabelo que nem o do Cebolinha? Teve um que não gostava de tomar banho que nem o Cascão? Tenho 10 filhos. Mas nenhum tem ou teve os cabelos do Cebolinha. O Cascão não foi meu filho, e o menino que o inspirou realmente não gostava de banho. Eu li uma crônica que você escreveu e você falava da morte. Você tem medo de morrer? Lógico que tenho medo da morte. De repente dói. Mas... não fico pensando nisso. Quanto mais trabalhemos, gozemos a vida, vamos empurrando a Dona Morte pra mais longe. Legal!
Escrito por Lelê às 02h21
![]() Lelê, Gabriel e o super-hiper-ultra-carro
Esses dias eu estava indo de carro para Peruíbe. No banco da frente estavam o Dirceu e a minha mãe, e, no de trás, eu e o meu amigo Gabriel. Aí eu perguntei: “Mãe, falta muito?” “Falta.” E depois o Gabriel perguntou: “E agora, ainda falta muito.” “Falta”, a minha mãe respondeu olhando para trás, e quando ela olha para trás é que é para parar de perguntar. Então o Gabriel disse: “Viagem de carro é um negócio muito demorado.” “Muuuito!”, eu falei. Aí o Gabriel pensou um pouco e falou uma coisa superinteligente: “O pessoal devia colocar umas coisas diferentes no carro, assim a gente ia se distrair enquanto não chega.” “É mesmo”, eu disse. “Tipo assim, atrás de um banco podia ter um computador para a gente ir brincando no caminho.” “Isso ia ser legal. Mas dentro do túnel ia falhar.” “Que nada! A gente colocava uma antena bem grande na capota.” “Boa idéia! E atrás do outro banco podia ter uma tevê.” “É. E no porta-malas ia ser um depósito de brinquedo, assim a gente podia brincar lá atrás.” “E aí ele não ia se chamar porta-malas, ia se chamar porta-brinquedos, que é bem mais legal.”
Daí o Gabriel, que tem um monte de livros, lembrou que ia ser bom se o carro tivesse uma biblioteca. E eu disse: “E uma gibiteca também!, porque eu adoro gibi da Mônica e do Homem-Aranha (numa briga deles dois, quem será que ia ganhar?)” “Mas onde isso ia ficar?”, o Gabriel perguntou. “Era só colocar uns varais dentro do carro, aí a gente pendurava tudo lá”, eu respondi. “É mesmo. E o tapete do chão do carro, em vez de preto, podia ter o desenho de umas estradas, assim a gente brincava de carrinho no carro.” “Legal!”, eu falei. E aí eu pedi para a gente parar num posto, porque eu queria fazer xixi. (vou deixar um espaço em branco aqui que é o tempo que eu levei para fazer xixi)
Bom, aí eu voltei para o carro, a gente continuou a viagem e eu disse para o Gabriel que eu tinha tido uma idéia o maior boa. “Que idéia?”, ele perguntou. “É que uma coisa muito chata é que, quando a gente viaja, toda hora tem que parar para ir no banheiro. Às vezes sou eu, às vezes é o Dirceu, às vezes é a minha mãe, às vezes é o meu tio e às vezes é o meu avô (e a gente sempre sabe quando ele quer ir no banheiro, porque fica um cheiro ruim no carro). Então, para a gente não ter que parar tanto, podia ter uma privada no meio do banco de trás.” “E já ia ter livro e gibi para a gente ficar lendo.” “É!”
Aí o Gabriel mordeu um sanduíche que estava no bolso dele e disse: “A gente também pára muitas vezes para comer. Se tivesse um lugar para fazer uns hambúrgueres ia ser bom.” “Podia ser no porta-luvas.” “Isso! Ninguém usa mais luva mesmo.” “E a fumaça?” “Era só abrir a janela.” “Mas aí a comida esfria.” “Então a gente faz uma chaminé em cima da capota e a fumaça sai por lá.” “Dez! No nosso teto ia ter uma antena e uma chaminé.”
Quando o Gabriel acabou o sanduíche, ele pegou um chiclete que ele já tinha começado a comer, mas tinha guardado (dentro de um papel, que ele não é porco), e falou: “Eu também ia achar legal se colocasse um geladeirinha no carro, debaixo do banco do motorista. Daí, quando a gente quisesse um sorvete, era só pegar.” “E aí nem precisava de ar condicionado”, eu falei. “Era só deixar a porta da geladeirinha aberta.” “Mas também precisava de um armário de comida, que podia ficar embaixo do banco do passageiro. E nesse armário a gente podia guardar umas batatinhas chips, bolachas e biju, porque eu adoro biju.” “Poxa, mas bolacha, batatinha e biju fazem a maior sujeira”, eu disse. E eu sei porque sempre que eu como no carro, ele fica cheio de farelo e a minha mãe reclama. Eu até falo para ela abrir a janela para as migalhas voarem para fora, mas ela me olha com cara feia e não abre nada. “Já sei!”, disse o Gabriel. A gente coloca um aspirador de pó dentro do carro. E tudo que ele pegar vai sair pelo cano de escapamento!” “Legal!”, eu disse. “Legal”, ele falou. “Quando a gente crescer, a gente pode fazer uma fábrica de carro para fabricar esse carro. A gente vai ficar o maior rico!” “É mesmo! E eu até já sei que nome que vai ter a fábrica.” “Que nome?”, eu perguntei. “Gabrielwagen.” “Que horrível!” “Eu gostei.” “Tive uma idéia melhor: Chevrolelet!” “Gabrielwagen!” “Chevrolelet!!” “Gabrielwagen!!!” “Chevrolelet!!!!” “Chega!!!!!!!!”, gritou a minha mãe. "Não quero ouvir mais nenhuma idéia para esse carro!". Mas, depois de um tempo, ela é que teve uma idéia: “Bem que esse carro podia ter um vidro à prova de som para separar a gente do banco de trás.”
Escrito por Lelê às 08h27
![]() Lelê e o dente da Catarina
Tem uma coisa que eu gosto de fazer com a Catarina: é pôr o dedo na boca dela e aí ela pensa que é o peito da minha mãe e mama nele. Mas dessa vez foi diferente. Eu botei o dedo e... Ai! A Catarina me deu uma baita mordida! Ela só tem quatro dentes, mas a mordida dela é fogo. Bom, aí a minha mãe veio ver por que é que eu tinha gritado e eu expliquei: “É que a Catarina me mordeu. Ela é o maior selvagem!” “E como que a Catarina conseguiu te morder? Ela correu atrás de você e te pegou?” “Bom..., não foi assim.” “Você enfiou o dedo na boca da sua irmã de novo, não foi?” “Mais ou menos.” “Mais ou menos?” “Mais mais que menos, né... Mas ela não precisava me morder. O dente dela é muito duro. Você não disse que era de leite? Leite é mole.” “Sabe que você me deu uma idéia? Vamos ao dentista!” “Caramba! Eu vou ter que ir no doutor Rony só porque eu botei o dedo na boca da Catarina? Isso é castigo demais, mãe!” “Não, seu bobo. Eu vou levar a Catarina lá para o doutor Rony dar uma olhada.” “Ufa...”
Aí a gente foi até o dentista. Quando a gente chegou lá, o doutor Rony deu uma olhada na boca da Catarina e disse: “Que lindinha!, ela já tem quatro dentes de leite.” “De leite, nada, de pedra!”, eu disse. “Como é que você sabe?”, ele perguntou. E aí eu mostrei meu dedo. “Imaginei...”, ele falou. “O dente de leite não tinha que ser mole?”, eu perguntei. “Não”, o doutor Rony explicou, “ele é igual aos que vêm depois. Tanto que tem gente que fica com dente de leite para sempre. Acho que a Xuxa tem algum decíduo até hoje.” “Decíduo?” “É o nome científico do dente de leite. As pessoas têm vinte dentes de leite, e depois tem 32 dentes permanentes.” “Caramba!, deve ficar tudo apertado.” “Às vezes fica mesmo. Por isso é que tanta gente usa aparelho.”
Então eu fui para o canto e comecei a empurrar os meus dentes para eles não ficarem apertados, porque eu não quero usar aparelho. Enquanto isso o doutor Rony falou assim para a minha mãe: “Por enquanto está tudo certo com os dentinhos dela. Você tem é que continuar limpando eles com aquela misturinha: uma colher de água oxigenada de 10 volumes com três colheres de sopa de água filtrada. E por enquanto pode usar uma ponta de fralda umedecida ou gaze. Não esquece de massagear a gengiva, a bochecha, o céu da boca e a língua.” “E eu já posso usar a escova de dente nela?” “Geralmente se começa a usar a escova quando nascem os dentes de trás, mas se você quiser começar agora, tudo bem. Mas dá uma para ela ficar brincando e você faz a limpeza.” “Ela vai ficar tão bonitinha escovando o dente...” “Só não esquece de usar pasta sem flúor. Ou continua com a misturinha.” “Tá bom”, a minha mãe respondeu. Depois ela olhou para mim e disse: “Lelê, pára de fazer careta em frente ao espelho e vamos embora!” No caminho a gente passou na farmácia e comprou duas escovinhas de dente. Uma para a Catarina brincar e a outra para a minha mãe escovar os dentes dela. A Catarina gostou muito da escovinha dela e faz a maior festa na hora de escovar os dentes.
Então, ontem eu perguntei telepaticamente para ela: “Por que é que você gosta tanto de escovar os dentes, Cata?” E ela respondeu: “É para eles ficarem bem fortes. Aí minha mordida vai ficar mais doída. He, he, he...”
Escrito por Lelê às 20h13
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