
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
![]() ![]() ![]()
Este blog é atualizado às sextas.
Visitas
|
Gente grande é meio doida
(texto publicado hoje na Folha de S.Paulo)
O meu nome é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê. O jogo da seleção foi o maior legal. Eu gosto de jogo de seleção porque todo mundo torce junto, e isso é o maior difícil, porque a minha mãe é corintiana, o meu tio é santista, o meu avô é são-paulino, e o Dirceu (que não é o meu pai mas é quase, porque casou com a minha mãe) é palmeirense. Bom, antes de começar o jogo estava todo mundo contente. "Vamos ganhar fácil", falou o meu avô. "Vai ser de três de novo", disse o Dirceu. "Três é pouco. Aposto em quatro!", falou o meu tio. "Cinco!", gritou a minha mãe. Mas aí, quando começou a partida de verdade, aconteceu uma coisa estranha: quem fez gol foi os Estados Unidos. Todo mundo ficou calado por um tempo, até que o meu avô disse: "Já, já a gente empata". "É, a seleção está bem", disse o Dirceu. "É questão de tempo." "O Dunga vai saber virar o jogo", falou o meu tio. "Vamos ganhar de 5 a 1!", gritou a minha mãe. E aí eles ficaram contentes de novo. Só que, em vez do Brasil fazer gol, quem fez foi o outro time. Aí todo mundo ficou chateado mesmo. "Acabou, acabou...", falou o meu avô. "Sem armador não dá, tem que chamar o Alex", disse o Dirceu. "O Dunga é muito inexperiente", falou o meu tio. "Quem ele pensa que é para começar a carreira como técnico da seleção? O Beckenbauer?" E a minha mãe disse bem baixinho: "Vamos perder de 5 a 0..." No intervalo, todo mundo arranjou alguma coisa para fazer e ninguém viu os melhores momentos. O Dirceu foi fazer xixi, o meu tio foi comer mais sobremesa, o meu avô foi brincar com a Pintada (a Pintada é a minha gata) e a minha mãe foi fazer pipoca. Só eu que fiquei na sala. O chato é que todo mundo se atrasou para voltar, e aí eles perderam o gol do Luís Fabiano (que usa aparelho no dente). Só voltaram quando escutaram o Galvão gritando. Depois disso ninguém mais saiu da sala. E quando teve aquele gol do Kaká que não valeu, eles falaram uns palavrões, mas depois o Dirceu disse que eu nunca devia falar aquelas coisas, se bem que aquele juiz cegueta bem que merecia ouvir umas boas. Então o Brasil fez dois gols, o juiz apitou o fim da partida e todo mundo ficou contente. "Não foi 5 a 0 porque o Brasil ficou com pena e deu dois gols para os EUA", a minha mãe disse. "Eu sabia que a gente ia marcar três", falou o Dirceu. O meu avô disse que não foi fácil, mas que as coisas difíceis são mais gostosas, e foi ligar para uma namorada que ele disse que também está se fazendo de difícil. E o meu tio ficou chamando o Dunga de Dungabauer. Gente grande é engraçada. Uma hora eles acham que vai dar tudo certo, depois acham que vai dar tudo errado e depois acham tudo bom de novo. Gente grande é meio doida.
Escrito por Lelê às 08h43
![]() Nhô Lelê vai para a cadeia
O meu nome é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê. Menos em festa junina, que aí eu gosto que me chamem de Nhô Lelê. Eu gosto muito de festa junina porque tem um monte de comida, balão, estralinhos e fogueira. Nessa semana a gente foi numa festa numa igreja perto aqui de casa. Na hora que a gente estava se arrumando, a minha mãe falou assim para o Dirceu (o Dirceu não é o meu pai, mas é quase, porque ele casou com a minha mãe): “Olha só o vestido novo que eu comprei para a Catarina:”
“Que linda!”, o Dirceu falou. “Ela vai fazer o maior sucesso na festa junina!” E fez mesmo. Logo que a gente chegou, a minha mãe e o Dirceu encontraram uns amigos e foram sentar com eles. Eles ficaram falando assim: “A Catarina está muito lindinha com este vestido!” “É uma caipirinha perfeita!” “Ela está demais, hein!?” Todo mundo elogiava a Catarina, mas ninguém falava nada de mim. E eu até estava com bigode e cavanhaque, que a minha mãe fez com lápis. Poxa, eu acho que um menino com bigode e cavanhaque é bem mais diferente do que uma menina com vestido. Aquele negócio foi me deixando o maior chateado. Então eu pedi um dinheiro para o Dirceu, fui até o cara da prisão, paguei e falei: “Quero que você prenda uma pessoa.” “Quem?”, ele perguntou. “Eu”, eu respondi. “Quero ficar longe duma gente chata.” Ele me olhou de um jeito meio estranho, mas depois falou “Tá bom” e me prendeu. Aí, quando eu cheguei lá, já tinha três caras dentro da prisão. Então um deles perguntou assim para mim: “Quem mandou prender você? Alguma namorada?” “Não, fui eu mesmo.” “Por quê?”, um outro perguntou. “Porque eu detesto festa junina!” “Sério?”, perguntou o terceiro. “Mas festa junina é a melhor coisa que tem.” “Blargh!”, eu respondi. “Aposto que você nem sabe por que a festa junina é do jeito que é, não é?” “Não sei e nem quero saber.” “Quer, sim. Explica para ele, Pedro.” E aí o tal do Pedro falou assim: “Bom, a festa junina tem um monte de coisas bacanas, mas a que eu gosto mais é a fogueira. Sabe por que que tem fogueira?”
“Para ficar quente?” “Não. É porque tem uma lenda que diz que a Isabel, mãe de São João, e a Maria, mãe de Jesus, tinham um acordo. As duas eram primas, e a Isabel ficou de acender uma fogueira num monte para avisar a Maria que o João tinha nascido, e aí a Maria foi até lá para ajudar a Isabel.” Depois um dos outros caras perguntou para mim: “E você sabe por que tem balão e fogos de artifício na festa junina?” “Nem tem mais balão”, eu respondi. “Ainda tem nos enfeites”, ele disse. “É, nos enfeites tem”, eu falei.
“Quer que eu conte?”, ele perguntou. E um outro cara respondeu: “Claro que ele quer. Conta para ele, Antonio.” Então o tal de Antonio falou assim: “Foram os portugueses que trouxeram esse costume. Eles soltavam balões e fogos de artifício para avisar todo mundo que a festa ia começar. Assim as pessoas podiam ver de longe. Melhor que telefone, né?” “É”, eu disse. Depois um outro perguntou: “E você sabe por que que nas festas juninas se come pamonha, cural, milho cozido, canjica, cuzcuz, pipoca e bolo de milho?”
“Porque é gostoso”, eu respondi. “Também é por isso, mas tem outro motivo. Conta para ele, João.” E aí o tal de João disse assim: “É que no mês de junho é a época da colheita do milho, então o pessoal aproveita para fazer a maior parte das comidas da festa com ele.” Aí, depois de eles falarem essas coisas, eu fiquei pensando naquelas comidas, nos balões, nos estralinhos e na fogueira, e meu deu vontade de sair da prisão. Mas eu estava na maior dúvida, porque lá fora todo mundo ia ficar dizendo que a Catarina era linda. Bem nessa hora o Antonio, o Pedro e o João viram a Catarina de longe e começaram a falar assim: “Nossa, que menina maravilhosa!” “Olha só o vestido dela!” “Um encanto!” Então eu decidi sair da prisão. Se era para ficar escutando elogio para a Catarina, pelo menos eu ficava na festa. E, quando eu cheguei perto da Catarina, ela falou telepaticamente para mim: “Ei, Nhô Lelê, seu bocó! Como é que você me deixa sozinha aqui? Me leva para dar uma volta. Já não aguento mais esse pessoal babando em cima de mim.”
E aí eu peguei a Catarina e a gente foi ver a fogueira, os balões pendurados e as barracas de comida. E todo mundo dizia para a gente: “Olha só, é o casal mais lindo da festa!” E acho que a gente era mesmo. Legal!
Escrito por Lelê às 19h08
![]() Maravilhas Gabrielísticas
(Essas são as maravilhas do Gabriel Basílio:)
Como tenho apenas nove anos e ainda não conheci muitos lugares, vou colocar os que eu conheço. 1º Paraty é um lugar que tem muitas cachoeiras e praias muito bonitas e à noite, andando pela pela beira da praia, acho que eu vi um navio pirata. 2º Eu gosto do frio e da paisagem de Campos do Jordão. Acho que o Wolverine também passou por lá. 3º Nessa cidade, Lins, eu fiquei num hotel o maior legal, e a água da piscina era quente. 4º Achei a cidade do Rio de Janeiro muito legal, só que estava muito cheia. É que ia ter o show do Roling Stones. Tudo bem, no meio do show eu dormi. 5º Eu também gostei de ir em Santos, principalmente na Vila Belmiro. Quando o Santos ganha, é muita alegria. Gostei também de Florianopólis, lá tem praias legais e tem ski bunda.
Escrito por Lelê às 00h18
![]() As maravilhas da Agnes
Lelê,
- Primeiramente, a Catedral de Maringá (Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória), considerado monumento símbolo da cidade de Maringá (cidade onde nasci). De forma cônica, possui um diâmetro de 50 m e 124 m de altura considerando a cruz no topo. É o décimo monumento mais alto do mundo e o segundo da América do Sul;
Escrito por Lelê às 09h01
![]() Lelê, Catarina e umas coisas terríveis
Ontem eu vi que a Catarina estava com uma cara meio estranha. Como a gente conversa pela cabeça (o nome disso é telepatia, porque os patos também conversam assim), eu perguntei para ela: “Por que você está com essa cara esquisita, Catarina. Você fez cocô?” “Ainda não.” “Então o que foi?” “É que eu estou com medo.” “Do quê?” “De um boi.” “Aqui em casa não tem boi, só uma gata, a Pintada.” “Mas estes dias a mãe falou que um boi da cara preta ia pegar.” “Por quê?” “Só porque eu tenho medo de careta. Mas tenho mais medo de boi da cara preta. O pior é que não é só isso. A mãe também disse outra coisa.” “O quê?” “Ela disse assim: ‘Dorme, Catita, que a Cuca vem pegar...’. Poxa, se essa Cuca vem me pegar, aí é que eu não vou dormir mesmo.”
“Por causa desse boi e dessa Cuca que você demora para dormir?” “Claro, né! Por que será que a mãe fala essas coisas?” “Sei lá. De vez em quando a mãe fica nervosa.” “Por isso que ela atirou um pau no gato?” “Ela atirou um pau num gato, Catarina?” “Mas o gato não morreu. A pontaria dela deve ser muito ruim.” “Ainda bem. Mas eu não sabia que a mãe era tão cruel” “O mundo é muito cruel, Lelê. A mãe me disse que o soldado que não marchar direito vai preso para o quartel.” “Caramba, não quero mais ser soldado.” “E o mundo também tem muitos escravos e guerreiros.” “É?” “É. Tem os escravos de um tal de Jó e os guerreiros que fazem zigue-zigue-zá. Poxa, um mundo com escravos e guerreiros não pode ser legal.” “É verdade.”
“Vai ver a mãe fica assim de mau humor por causa do pai.” “O que que ele fez?” “Deu um anel de vidro para ela, e o anel se quebrou.” “Também, foi dar anel de vidro. Podia ter comprado um brilhante, né? O Dirceu economiza muito.” “E a mãe também pode estar nervosa com o problema do jardim.” “O que é que aconteceu lá?” “Você não sabe?” “Não. Conta, conta!”
“O cravo brigou com a rosa debaixo de uma sacada. O cravo saiu ferido e a rosa, despedaçada.” “Aica! Coitada.” “E a mãe me contou todas essas desgraças na maior tranquilidade. Cantando! Dá para acreditar?” Justo nessa a hora a minha mãe chegou na sala e disse assim: “Não está na hora de você dormir, seu Lelê?” “Tá”, eu respondi. “Quer que eu cante uma música para você dormir?” “Não!”, eu gritei. Então ela fez uma cara de chateada e disse: “Poxa, Lelê, eu sou tão desafinada assim?”
Escrito por Lelê às 13h26
![]() A maravilha da Mari (uma marivilha)
Oi, Lelê, meu doce... Enfim, prá mim é um lugar maravilhoso e tá na cidade que eu amo muito. Mari
Escrito por Lelê às 22h00
![]() A Maravilha de Cecília
Oi, Lelê, meu nome é Cecília, tenho 8 anos, e gosto muito de ler seu blog. Sabia que eu também tenho um blog? o endereço é http://cecilia.ml.zip.net/. Mas na foto eu estava lá pertinho dele, em cima do meu irmão... o nome dele é Flávio mas pode chamá-lo de Flavito. Tchau, Lelê... até a próxima vez... BEIJOS.
Escrito por Lelê às 17h01
![]() As cinco maravilhas de Jussara
Oi, Lelê! 2-) Essa é a minha cidade - Santos (seu tio conhece bem...). A foto é de um navio de passageiros saindo num cruzeiro na temporada de 2009. Minha cidade é a mais linda de todas! 4-) Essa é a torre da Rapunzel, vc conhece a estória? Ela até deixou uma trança de lembrança lá. Essa torre fica no jardim do castelo de Ludwigsburg, na Alemanha. Gostei do castelo porque adoro estórias! 5-) Chicago é uma cidade perfeita. Tudo lá parece que a gente já viu em filmes. Alugue "Curtindo a Vida Adoidado" por exemplo....
Escrito por Lelê às 21h12
![]() As 7 maravilhas lelísticas
Depois de ver as sete maravilhas com o Antípatro, eu fiquei pensando que todo mundo deve ter uma lista das suas sete maravilhas. Então eu comecei a pensar nas minhas. Deu o maior trabalhão, porque eu tive que ler tudo o que eu já escrevi. Mas aí eu cheguei na minha lista das... "Sete maravilhas lelísticas"! Bom, a minha primeira maravilha é o Museu do Chocolate. Eu fui lá com o meu tio. Lá é legal por dentro, porque tem uma floresta, uma cascata de chocolate, um monte de coisa de história e uma supersupersuperloja de chocolate. A gente até almoçou chocolate. Me deu dor de barriga, mas valeu a pena.
Outro lugar bem bacana foi o Coliseu. Só que lá não tem chocolate. O Coliseu é uma construção bem grandona, onde os caras lutavam um monte de gente e de bichos. Até com anões. Lá tinha uma maquininha, tipo uma televisãozinha, que a gente apontava para um lugar e via como ele era antigamente.
Uma coisa que eu acho o maior legal é castelo. Eu já vi um monte (até um aqui no Brasil, numa cidade chamada Pesqueira), mas o que eu mais gostei mesmo foi um chamado Chambord.
Ele é muuuuito grande e tem um lago em frente. Lá dentro também é bacana, porque tem uma escadona o maior linda, mas o mais diferente é o teto, porque tem um monte de torres. O castelo de Chambord fica num lugar chamado Vale do Loire. O Loire (se escreve assim, mas se fala “luar”) é um rio. E tem um monte de castelo perto desse rio. Dá para ver todos num parque de miniaturas que fica por ali. Tem um monte de castelinhos, até o de Chambord, que é o dessa foto aí embaixo.
Eu ia gostar de morar num castelo, porque dá para correr muito lá dentro. Só não ia gostar de limpar, porque deve dar o maior trabalho. Um lugar que é o maior doido é a Mesquita de Córdoba, que é uma cidade lá da Espanha. É tipo uma igreja, quer dizer, duas. É que tinha a mesquita (que é a igreja dos muçulmanos) e depois os cristão fizeram uma igreja dentro da mesquita. É uma baita mistureba. Essa mesquita é bem grande. O papel que me entregaram na entrada dizia que lá cabiam mais de 40 mil pessoas. E ela tem um monte de arcos e mais de 850 colunas. Estas quatro maravilhas ficam fora do Brasil. Mas tem três que ficam aqui mesmo. Uma delas é essa fazenda aqui: Ela se chama Ponte Alta (mas não vi nenhuma ponte) e fica num lugar chamado Barra do Piraí. Lá é que nem o vale do Loire. Só que em vez de castelos tem umas superfazendas de café. Elas são bem lindonas. Essa da Ponte Alta é legal porque tem uma senzala. Senzala é onde moravam os escravos. Outra maravilha lelística no Brasil é esse esqueleto de igreja.
Ele fica num lugar chamado São Miguel das Missões, que fica no Rio Grande do Sul. De dia o lugar já é legal, mas de noite acontece uma coisa mais legal ainda, um show chamado Som e Luz. Ficam aparecendo umas luzes nas ruínas e a gente ouve umas vozes que contam a história dos índios e dos padres que moravam ali. Tem até umas batalhas. No castelo de Chambord também tem um show desses, mas o daqui é mais legal. E a última maravilha é o Parque das Esculturas, que fica numa cidade chamada Brejo da Madre de Deus, que é perto de uma outra chamada Caruaru.
Lá tem um monte de esculturas gigantes, e tudo que é gigante é legal. A gente fica andando de carro lá no parque e vai passando pelas esculturonas. E pode tirar fotos e até subir nelas. Subir em estátua é legal. Bom, essas são as minhas sete maravilhas. Ia ser legal se todo mundo me mandasse uma maravilha, um lugar legal onde foi. E aí eu coloco aqui no blog. E manda uma foto! Tchau.
PS: Manda a lista e a foto para blogdolele@uol.com.br. Se você estiver na foto é mais legal. PS2: Quem quiser ver o que eu fiz nesses lugares, é só clicar na foto que já vai para o mês certo.
Escrito por Lelê às 08h40
![]() Lelê e o farol alto da Alexandria
Eu não sabia o que era aquela luzona, então fechei os olhos. O Antípatro me puxou pela mão e a gente foi andando, até que sentiu que aquela luz não estava mais na nossa cara. Aí eu abri os olhos. E a boca também, porque eu falei: “Pô, que luz é essa?” “É o farol de Alexandria.” “Essa tal de Alexandria não podia usar um farol baixo.” “Alexandria é uma cidade no Egito. Ela foi fundada pelo Alexandre, que criou mais de quinze cidades com esse nome.” “Que convencido!” “Ele podia. Era o homem mais poderoso do mundo no tempo dele.”
“E foi esse tal de Alexandre que mandou construir o Farol?” “Não. Foi o sucessor dele, o Ptolomeu, em 280 antes de Cristo. Mas o Farol demorou dez anos para ficar pronto, e aí o rei já era Ptolomeu II, filho do Ptolomeu.” “É noite, mas da para ver umas pessoas lá embaixo. Elas estão pequenininhas. A gente está muito alto?” “Uns cem, cento e vinte metros. O farol é mais alto que um prédio de trinta andares.” “Aica!” “O projeto foi de um arquiteto grego chamado Sóstrates de Knidos. Ele ficou tão orgulhoso do seu trabalho que pediu para que seu nome fosse gravado na base do prédio. Mas o Ptolomeu II disse que não, que só o seu nome que seria escrito. Então o Sóstrates, que era muito inteligente, colocou o nome do Ptolomeu II num pedaço de gesso. Mas, por baixo do gesso, escreveu assim numa pedra de mármore: ‘Sóstrates, filho de Dexifanes de Knidos, em nome de todos os marinheiros para os deuses salvadores’. Então, com o tempo, o gesso envelheceu e caiu, revelando a declaração de Sostrates.” “Legal!”, eu falei. Daí um dei uma olhada em volta e vi que a gente estava numa ilhinha. Mas eu nem precisei falar nada, porque o Antípatro já tinha adivinhado o que eu ia perguntar, e respondeu: “O Farol fica numa ilha chamada Faros. Por isso é que ficou conhecido como Farol. E ele acabou sendo tão famoso que todos os faróis são chamados de farol.” “Mais ou menos”, eu disse. “Está meio quente, né?” “É que a luz do farol vem de uma fogueira. E a luz dessa fogueira é multiplicada por este espelho curvo, que não é um espelho de verdade, mas uma placa de bronze bem polida. Dizem que com isso dá para ver a luz do Farol a mais de cinquenta quilômetros de distância.” “Lonjão!”
Aí a gente pegou e foi dar uma volta dentro do Farol. Tinha uma escadaria bem grande lá, que era para as visitas e os guardiões. E ele estava equipado com sinais de alarme acionados a vapor, que se faziam ouvir durante o mau tempo, e tinha um elevador que levava as coisas até lá em cima. Ah, e também tinha um periscópio gigante, e aí o vigia podia ver mais longe ainda. “E o Farol vai durar muito tempo?”, eu perguntei. “Vai. Mais de mil anos. Mas ele será abandonado aos poucos. Na Idade Média o Farol vai virar uma mesquita, que é a igreja dos muçulmanos. O espelho vai se quebrar e não colocarão outro no lugar. Nos anos de 956, 1303 e 1323, três terremotos vão deixar o Farol bem estragado. Tanto que nem vai mais se poder entrar nele. E, em 1373, um terremoto vai acabar com quase tudo. Mas ele só vai acabar mesmo em 1480, quando o sultão Quaitbei vai usar as suas pedras para fazer um forte.” “Poxa, os terremotos não conseguiram acabar com o farol, mas os homens conseguiram.” “É quase sempre assim. O homem é o terror das suas maravilhas.” E depois que o Antípatro disse isso, o espelho do Farol virou e veio bem nos meus olhos.
“Poxa, que luz!”, eu reclamei. Mas aí eu reparei direito e vi que era a luz do abajur lá de casa. “Você está com os olhos muito sensíveis”, disse o meu avô. “E foi você quem ligou o abajur para ler o livro que eu te dei, aquele das Sete Maravilhas do Mundo. Mas você dormiu...” “Dormi?” “Um tempão.” “É que eu fiquei muito cansado por causa dos passeios que eu fiz com o Antípatro.” “Quem?” “O Antípatro. O cara que fez o poema das sete maravilhas.” Então o meu avô me olhou com uma cara estranha e disse: “Acho que você ainda não acordou direito.”
Escrito por Lelê às 01h50
![]() Lelê na tumba
A gente foi parar numa tumba. Mas não era uma tumba assim comum, era uma tumbona. Assim, ó:
Então o Antípatro falou: “Estamos no Mausoléu de Helicarnasso, a menos conhecida das sete maravilhas.” “A menos conhecida? Mas ela é o maior grandona.” “Isso é mesmo. Tem uns quarenta e cinco metros de altura.” “E quem é que está enterrado aqui.” “Bom, quem mandou construir o mausoléo foi a rainha Artemísia II. Ele queria um grande monumento para colocar o corpo do rei Mausolo, seu marido e irmão.” “Marido e irmão?” “É. Antigamente, nessa região aqui, que se chamava Cária e hoje é parte da Turquia, os reis podiam casar com as irmãs. Assim não tinham que dividir a riqueza da família.” “Blargh. Eu nunca que ia casar com a Catarina.” “Mas eles se casaram. E ela gostava tanto dele que, quando ele morreu, até bebeu as cinzas dele.” “Com leite, água ou vinho?” “Não sei, mas deve ter sido alguma coisa forte para disfarçar o gosto. Além de beber as cinzas de Mausolo, a Artemísia decidiu fazer a maior e mais bela tumba de todos os tempos para ele. Mandou chamar os melhores escultores e arquitetos da Grécia, e centenas de artesãos. Essa construção ficou tão famosa que criaram a palavra mausoléu, que quer dizer ‘monumento funerário imponente’.”
“Tem um monte de estátua neste tal de mausoléu”, eu falei. “São deuses e deusas, e em cada canto da construção tem estátuas de guerreiros a cavalo para proteger o Mausolo. E lá em cima de tudo colocaram uma estátua da Artemísia e do Mausolo dirigindo uma quadriga.” “E o que é aquilo que estão colocando na escada?” “São pombas, carneiros e bois mortos.” “Pô, vai sujar tudo de sangue!” “Vai. Mas faz parte da cerimônia.” “Que cerimônia?” “É que nos estamos em 355 antes de Cristo e a Artemísia acabou de morrer, dois anos depois do Mausolo. Hoje é o enterro dela. A Artemísia e o marido vão ficar aí nesta tumba por mais de mil anos. Então, lá pelo ano mil e trezentos, um terremoto vai acabar com quase todo o mausoléu.”
“Será que a gente podia ir embora? Eu detesto enterro”, eu disse. “Sim, vamos para a última das maravilhas”, disse o Antípatro. E daí uma luz muito forte brilhou bem na frente da minha cara.
Sábado eu conto o que era.
Escrito por Lelê às 00h09
![]() |