
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
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Este blog é atualizado às sextas.
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Lelê no colo de Zeus
Putz, a gente estava mesmo no colo de Zeus. Mas não era o Zeus-Zeus. Era uma estátua dele. Uma estátua supergrandona. “Onde a gente está?”, eu perguntei para o Antípatro. “Na cidade de Olímpia. Ou, mais especificamente, no colo da estátua de Zeus, uma das sete maravilhas da antiguidade.” “Ainda bem que o Zeus está sentado. Se estivesse de pé, a gente tinha se espatifado no chão.” “E, se ela ficasse de pé, ia bater a cabeça no teto do templo.” “Ela é bem grandona, né?” “Tem uns doze ou quinze metros. Mais ou menos um prédio de quatro ou cinco andares” “Isso é metade daquela estátua lá de Rodes.” “É verdade. Mas esta aqui é mais bem feita. É a obra-prima do Fídias, um arquiteto ateniense muito famoso. Ela é toda de marfim e ébano, e seus olhos são pedras preciosas.”
“E o que é aquilo na mão direita dele?” “É a estátua de Nike.” “Não parece um tênis.” “Nike é a deusa da Vitória.” “Ah...” “O Fídias começou a trabalhar nesta estátua em 440 a.C., fazendo os diferentes pedaços antes de montar tudo.” “Ah, é assim que se faz uma estátua grande, é?” “É.” “Até o Cristo Redentor?” “Até ele.”
“E a estátua de Zeus ainda existe lá no meu tempo, em 2009?” “Não. Mas ela aguentou bastante. Uns oitocentos anos. É que Olímpia foi atingida por por terremotos, desabamentos e enchentes, e o templo de Zeus foi destruído. Mas a estátua, não. Então uns gregos ricos decidiram desmontá-la e levá-la para uma cidade que se chamava Bizâncio (e que depois passou a ser chamada de Constantinopla e hoje todo mundo conhece como Istambul). A estátua ficou lá até que um incêndio, no ano 462 depois de Cristo, acabou de vez com ela.” Logo quando o Antípatro acabou de contar a história, a gente ouviu um grito assim: “Desçam já daí se não quiserem ir parar numa tumba!” A gente olhou para baixo e viu um monte de guardas apontando umas lanças para a gente. “O que nós vamos fazer?”, eu perguntei para o Antípatro. “Você quer parar numa tumba?” “Eu? Não?” “Então é melhor pular.” Daí a gente pulou e caiu justo... numa tumba. Na quarta-feira eu explico que tumba é essa.
Escrito por Lelê às 08h43
![]() Lelê suspenso nos Jardins da Babilônia
Bom quem não leu o que aconteceu antes, nem precisa. O que importa é que a cabeça do Colosso de Rodes não caiu em cima de mim e de um amigo meu, o Antípatro (que está me mostrando as sete maravilhas do mundo), por isso nós não morremos. Em vez disso, a gente apareceu no meio de umas plantas. E aí uma voz falou assim: “Saiam já do meu jardim!” Quem tinha dito aquilo era um cara barbudo, com cara de bravo. Meio assim, ó:
Aí eu perguntei: “E quem o senhor pensa que é para mandar a gente embora?” “Eu sou Nabucodonosor, o rei da Babilônia.” “Bom, se o senhor é o rei daqui, tudo bem, pode mandar a gente embora.” “Pois eu vou vou é mandar cortar as suas cabeças!”, falou o Nabuco (eu vou chamar ele assim para economizar umas letras). “Não, querido, não vamos manchar de sangue este dia tão alegre, disse uma mulher bonitona que estava perto dele.” Aí o Nabuco foi conversar com ela e o Antípatro falou umas coisas bem baixinho no meu ouvido: “Lelê, esse aí é o homem mais poderoso do mundo no tempo dele. E aquela é a sua esposa preferida, a Amitis. Ela nasceu num reino vizinho que tem muitos campos e florestas. Mas aqui na Babilônia o terreno é árido. Isso deixava Amitis muito triste, então o Nabucodonosor...” “Vamos chamar ele só de Nabuco.”
“Tá bom. Então o Nabuco decidiu construir os jardins suspensos da Babilônia para ela. São seis terraços arborizados, apoiados em colunas bem altas.” “É, aqui é alto mesmo. Dá até para ver a cidade toda.” “Esta cidade é a Babilônia, a cidade mais bonita de seu tempo.” “Que tempo?” “Nós estamos mais ou menos no ano seiscentos antes de Cristo.” “Aica!” Aí, depois de eu falar aica, dei uma olhada em volta e vi que o jardim era bacana mesmo. Parecia um morro, e o pessoal subia nele por uma escadona de mármore e tinha muitas flores e árvores. E, no meio das árvores, tinhas umas piscinas, umas estátuas e umas fontes.
Nessa hora, o Nabuco veio até a gente e disse: “Como hoje é a inauguração dos jardins que mandei construir para minha amada Amitis, decidi atender aos apelos dela e não cortarei suas cabeças.” “Ufa!...”, eu disse. “Apenas arrancarei seus braços e suas pernas.” Eu olhei para o Antípatro e perguntei: “O que a gente vai fazer?” “Vamos pular fora.” “Como?” “Pulando!” E aí ele segurou a minha mão e a gente pulou lá de cima dos jardins suspensos. Mas, quando a gente caiu, a gente estava num lugar diferente. Então eu perguntei para o Antípatro: “Onde é que a gente está?” E ele respondeu: “No colo de Zeus.”
Escrito por Lelê às 02h31
![]() Lelê, o homem de 30 metros e a mulher de 14 peitos
Oi. Se você não leu o texto da semana passada, dá uma olhada lá que eu espero. Pronto, agora eu vou dizer o que aconteceu. Depois da tempestade de areia, o camelo e o deserto sumiram. Quer dizer, eles viraram outra coisa: o camelo virou um barco e o deserto virou o mar. E, quando a gente viu, estava embaixo de uma estátua muito grande, mais ou menos assim: “Caraca!”, eu falei. “Essa estátua é um... como é que é a palavra mesmo?” “Um colosso?” “Isso, um colosso!” “Exatamente”, disse o Antípatro. “Tanto que o nome dela é Colosso de Rodes.” “Rodes? Mas ela não tem rodas...” “Rodes é o nome dessa cidade em que a gente está entrando?” “E quem é o cara da estátua?” “É o Hélios, o deus grego do sol. Os habitantes de Rodes ganharam uma batalha contra o rei macedônio Demétrio e decidiram fazer uma estátua para comemorar a vitória. A maior parte do bronze da estátua veio das armas usadas pelos macedônios.” “Legal!” “E quem fez a estátua foi um escultor chamado Carés de Lindos. Ele levou doze anos para terminar tudo. De 292 a.C. a 280 a.C.” “Poxa, que tempão!” “É que a estátua é muito grande. Ela tem 30 metros de altura. O Colosso é tão colossal que um homem não consegue abraçar o seu dedão.” “Aica! Esse Carés devia ser o maior bom.” “Parece que o povo não achou a estátua muito bonita, e o Carés ficou tão triste que acabou se suicidando.” “Coitado... E o que é aquilo na mão da estátua?” “É um farol. Serve para guiar as embarcações à noite.” “Uau! E essa estátua existe até hoje, quer dizer, até o meu tempo?” “Não. Ela só ficou em pé por 55 anos. Houve em terremoto e ela caiu.” “Poxa, que chato. E falta muito tempo para isso acontecer?” “Bom, pelos meus cálculos, uns cinco segundos.” “Quê?!” Então tudo começou a tremer. O mar chacoalhava o nosso barco e a estátua sacudia tanto em cima da gente que até parecia que estava dançando. E ela se sacudiu, se sacudiu, se sacudiu até que a cabeça soltou. E estava caindo bem em cima da gente. Eu fechei os olhos com toda a força e fiquei esperando levar uma cabeçada do gigante. Mas nada aconteceu. Aí o Antípatro falou assim: “Pode abrir os olhos”. E, quando eu abri os olhos, eu vi que estava num lugar muito diferente. Esse aqui: Lá dentro era muito grande e tinha um monte de colunas. “Puxa, acho que a gente morreu e isso aqui é o céu”, eu disse. “Mas cadê as nuvenzinhas?” “Não, você está na cidade de Éfeso, em frente ao Templo de Artemis”, falou o Antípatro. “Uau!, ele é bem grandão!” “Se é. Tem 138 metros de comprimento por 71 de largura. Mais ou menos o tamanho de um campo de futebol.” “E tem um monte de colunas. Ia ser legal jogar bola aqui dentro.”
“São 127 colunas de vinte metros de altura. E o templo é inteirinho de mármore.” “Deve dar o maior trabalho para limpar.” “Pode apostar. Vamos entrar?” “Claro!” Aí a gente subiu os degraus e entrou no templo. Lá dentro era muito legal. O teto era bem alto e devia ser bem legal brincar de esconde-esconde naquelas colunas. Ah, e também tinha umas estátuas. Mas aí a gente andou até o meio do tal do templo e tinha uma estátua maior que as outras, e ela era assim, ó:
“Puxa, quantos peitos essa estátua tem”, eu falei. “A Catarina ia adorar ela.” “Essa é a estátua da Ártemis. Ela foi feita em ouro, prata, pedra negra e ébano, que é uma madeira preta. Ah, e deve medir uns quinze metros.” “Legal!”, eu falei. “Eu também achei”, disse o Antípatro. “Tanto que eu coloquei o templo entre as sete maravilhas do mundo. Pena que esse templo vai ser atacado pelos godos.” “Pelos gordos?” “Não, godos. É um povo guerreiro que vai atacar Éfeso no ano 262 antes de Cristo.” “E esse é bem o ano que a gente está, né?” “Como é que você adivinhou?” “É que tem um monte de caras armados vindo para cá”, eu falei.
Aí o Antípatro olhou para trás e viu um monte de caras correndo na nossa direção. Eles eram grandes e meio loiros. Então a gente correu para trás de uma coluna. Mas, de repente, a coluna não era mais coluna. Era uma árvore. E aí eu escutei uma voz dizer. “Saiam já do meu jardim!” Na semana que vem eu explico que jardim é esse.
Escrito por Lelê às 07h37
![]() Lelê e a pumrâmide
Essa semana eu almocei com o meu tio Torero e o meu avô. Então, quando estava todo mundo comendo a sobremesa, o meu avô falou: “Quero fazer um teste de inteligência com vocês: Quem sabe me dizer quais são as sete maravilhas do mundo?” O Dirceu, que gosta muito de carros, respondeu: “Essa é fácil. São o Mustang, o Corvette, o Jaguar, o Porsche 911, o Lamborghini Murciélago, o Mach 5 e o Batmóvel.” O meu tio disse assim: “Que nada. São a Gisele, a Naomi, a Luma, a Bruna, a Michele, a Angelina e aquela sardentinha do Lost.” E a minha mãe disse: “Eu voto no Brad Pitt, no George Clooney, no Sean Connery...” Aí ela viu que todo mundo estava olhando para ela e falou: “... e, é claro, em vocês quatro.” O meu avô não gostou de nenhuma daquelas respostas: “Não, seus manés! Eu estou falando das sete maravilhas do mundo antigo, as sete construções mais fantásticas feitas pelo homem. Foi um poeta grego que fez a lista há muito tempo, há mais de dois mil anos, antes de Jesus Cristo nascer. Se não me engano o nome dele era Antípatro.”
“Muito bem, senhor sabichão, e que maravilhas são essas?”, o Dirceu perguntou. “Eu também não sei”, disse o meu avô. “Mas o Lelê vai saber já, já, porque eu trouxe um livro para ele sobre isso.” “Oba!”, eu disse. Se tem uma coisa que eu gosto é de ganhar presente. Eu nunca fico cansado de ganhar presente. Só não gosto muito quando é roupa.
Então eu acabei a sobremesa (que era salada de fruta), o meu avô pegou o livro e a gente foi para uma poltrona e ficou lendo. Só que, logo que ele desembrulhou o livro, eu já senti aquele cheirinho (quer dizer, cheirão!). E aí eu perguntei: “Vô, o senhor soltou um pum?” “Depois decomer essa feijoada, o que você queria?”. E então ele soltou outro, só que mais fedido ainda. Um pum especial. Um pum de pirlimpimpim! E sempre que o meu avô solta um pum de pirlimpimpim, acontece alguma coisa esquisita. Dessa vez as paredes começaram a sumir, o chão virou areia e aí eu vi que eu, em vez de estar sentado na poltrona com o meu avô, estava em cima de um camelo, junto com um cara que eu nem sabia quem era.
“Meu nome é Antípatro”, ele disse. “O cara do poema das sete maravilhas?”
“Eu mesmo.” “E aonde a gente está indo?” “Para nenhum lugar. Já chegamos. Olha lá.” E aí ele apontou para a frente e eu vi isso aqui:
Eram três pirâmides beeeeeeem grandes. Eu até fiquei de boca aberta. Ainda bem que o Antípatro disse: “Não vá engolir uma mosca, Leocádio”. “Elas são muito grandes”, eu falei. “As moscas?” “Nâo, as pirãmides.” “São mesmo.” “Por que fizeram elas? Tinha um escorregador que descia de lá?” “Não, Lelê. Na verdade as pirâmides são tumbas.” “Tumbas? Tipo assim..., o lugar que a gente fica depois que a gente morre?” “Isso mesmo.” “Poxa, esses três caras deviam ser bem ricos, né?” “Eles foram faraós.” “Faraó é um tipo de farol?” “Não. Um tipo de imperador.” “Ah...”
“Os nomes deles eram Quéops, Quéfren e Miquerinos. A pirâmide maior é a do Quéops, aquela um pouquinho menor é a do Quéfren, que era irmão do Quéops, e a menor de todas é do Miquerinos, que era filho do Quéfren e sobrinho do Queóps.” “Elas parecem que tem mais de cem anos!” “A do Quéops foi feita há uns quatro mil e quinhentos anos atrás.” “Aica!” “Tem até um provérbio que diz: ‘O tempo ri para todas as coisas, mas as pirâmides riem do tempo’.” “Tem muitas pirâmides por aí?” “No Egito tem umas oitenta. Mas essas são as três maiores. Outra coisa que pouca gente sabe é que perto das pirâmides sempre tem outras coisas, como templo, as pirâmides menores das rainhas, e os túmulos dos sacerdotes e das pessoas do governo.” “E tem muita coisa dentro das pirâmides?” “Os construtores faziam várias armadilhas e sistemas de segurança, mas em dois mil antes de Cristo todas as pirâmides já tinham sido roubadas. Só escapou a tumba do Tutankhamon.” “A grandona tem que tamanho?” “A de Queóps tinha 146,6 metros de altura, mas hoje tem só 137. Mesmo assim, é maior que um prédio de quarenta andares. E ela era toda coberta de pedra calcária polida, o que fazia ela brilhar muito. Por isso os egípcios a chamavam de ‘A Luz’.” “Legal!”
“Ela foi a coisa mais alta que o homem já fez por muito tempo, até que fizeram a Torre Eiffel. E de largura ela também é enorme, do tamanho de oito campos de futebol. Para dar a volta na pirâmide, tem que se andar quase um quilômetro.” “E o irmão dele, o tal do Quéfren?” “A pirâmide do Quéfren tem 143 metros de altura, e devia ser toda vermelha. Perto dela fica a Esfinge, monumento que, dizem, representa o faraó sentado em seu trono.” “E por que a do Miquerinos é menor?” “Ela é menor mesmo. Tem só 62 metros, o que dá um prédio de uns vinte andares. É que ele reinou por pouco tempo, e aí não deu tempo de acabar a pirâmide dele.” “A gente pode entrar lá dentro?” “Podemos, é claro.” Mas, antes que a gente entrasse na pirâmide, começou uma tempestade de areia. E aí, quando eu vi, já não estava mais num camelo. Eu estava num barco com o Antípatro. E a gente estava passando embaixo de uma estátua gigante. Mas muito gigante mesmo! Semana que vem eu explico.
Escrito por Lelê às 02h34
![]() As cachorras que não ficaram grávidas mas tiveram filhote.
Oi, Lelê
Um dia, numa festa de ano novo, quando todo mundo estoura fogos e rojões ela ficou muito nervosa e se escondeu num canto, poque não gostava do barulho e acabou ficando doente.... quando fomos ver, ela tinha tido derrame.... ficou com um lado da cara todo caido... mas mesmo assim, continuava a Dara que a gente amava.... O tempo passou, e um dia a barriga dela começou a crescer... achamos que ela tava de cria, mas na verdade era gravidez psicologica.... ela pensava que tava grávida mas não tava.... daí foi uma outra tristeza pra ela, pois no dia de nascer os bebezinhos, não nasceu nada..... daí ela foi ficando triste... triste.... e o veterinário falou que ela ia morrer de tristeza se não fizessemos alguma coisa..... sabe o que fizemos??? Compramos a Kiara, uma Weimaraner de 1 mês. A Dara ficou tão feliz que até de mamá deu pra ela.... e cuidou dela como filha de verdade.... a Dara adotou a Kiara.... mesmo elas tendo raças diferentes..... e assim foi por 3 anos....
Até que a Dara ficou doente e morreu..... e a Kiara ficou muito triste..... triste igual a Dara ficou quando não teve nenem...... e sabe o que aconteceu depois??? A Kiara também achou que tava de cria..... mas era gravidez psicologica de novo...... e mais uma vez, agora com a Kiara, quando era pra nascer os bebes e não nasceu nada, ela ficou doente.... e pra resolver isso, sabe o que fizemos??? Adotamos a Radyjha num canil de cães abandonados. Ela é mestiça vira lata e pitbull(o veterinário que descobriu isso), e ela tinha 1 mês. A Kiara também cuidou da Radyjha como se fosse filha dela, e também até deu mamá pra ela, igual um dia a Dara fez.....
Kelli, Fabinho e Fábio.
Escrito por Lelê às 08h28
![]() Cuca & Pipoca
Oi, Lelê, bjs, Clarissa.
Escrito por Lelê às 08h45
![]() A comida preferida da Catarina
Teve um dia desses que eu, a minha mãe e a Catarina fomos na doutora Ana, que é doutora de crianças e isso se chama pediatra (pediatra parece médico de pé. Médico de criança devia se chamar crianciatra). A gente foi lá porque a Catarina tinha feito seis meses e estava na hora dela começar a comer comida e parar de só tomar o leite da minha mãe. No caminho, eu conversei um pouco com a Catarina (quer dizer, não é bem conversar porque a gente não conversa com a boca, a gente conversa pela cabeça). Então eu disse, quer dizer, eu pensei: “Catarina, a gente está indo na doutora Ana.” “Por quê?”, ela perguntou pensalmente. “Parece que você vai começar a comer comida de verdade.” “Isso é melhor que leite?” “Acho que é. Leite é bom, mas tem umas outras coisas boas, tipo batata frita.” “É isso que você come?” “Eu como um monte de coisa.” “O quê?” “Eu gosto de bife, de hambúrguer, de frango frito, de arroz com feijão, de sorvete, de quindim... Hum, quindim...” “E eu vou começar a comer tudo isso?” “Acho que vai.” “Oba!”
Só que aí, quando a gente foi falar com a doutora Ana, a gente viu que não ia ser assim, porque ela falou para a minha mãe: “Olha, agora que ela já tem seis meses, você pode começar a dar um suquinho de laranja serra d’água, uma frutinha raspada à tarde, e daqui a duas semanas já pode dar sopa.” “Sopa de ervilha?”, eu perguntei, porque eu adoro sopa de ervilha. “Não”, respondeu a doutora Ana. “Tem que ser sopa com legumes, com o caldo da carne ou do frango. Tudo tem que ser bem amassadinho e passado na peneira. Mais ou menos com a consistência de um pirão. “Ela não pode comer comida de verdade porque ela é banguela?”, eu perguntei. A doutora Ana riu um pouco e disse que era. E também porque a Catarina tem que começar a comer devagar. “No começo ela vai cuspir tudo, principalmente a sopa.”
Outra coisa engraçada que ela falou é que tem que cozinhar numa panela de ferro, porque aí um pouco do ferro vai para a Catarina e ela fica forte. Aí eu dei a idéia de colocar uns pregos para cozinhar junto com os legumes, mas a minha mãe e a doutora Ana me olharam com cara feia. Então eu expliquei: “Depois o prego fica na peneira”, mas acho que elas nem ouviram, porque a doutora continuou a falar. “Então fica assim: Ela vai mamar de manhã, às dez horas toma um suquinho, almoça a sopinha, come uma frutinha raspada de sobremesa, mama de novo lá pelas três da tarde, papa outra frutinha às seis e aí mama para dormir.” “Caramba, sete refeições!”, eu disse. “E daí, você faz umas vinte”, falou a minha mãe. “Toda hora eu te vejo abrindo a geladeira.” “É só para ver o que tem lá dentro”, eu respondi. “Você é quem pode engordar agora”, a doutora Ana falou para a minha mãe. “É que você vai começar a parar de amamentar, e amamentar gasta umas oitocentas calorias por dia. Além disso, as mães acabam comendo o resto que a criança não come, e isso é um perigo para o peso.”
Bom, aí a gente voltou para casa. E no caminho a Catarina colocou de tudo na boca: os brinquedos dela, o cadarço da roupa e até o pé. E na hora do almoço ela comeu sopa e teve mamão de sobremesa. Então eu perguntei telepaticamente para ela: “E aí, Catarina, gostou da sopa?” “Gostei, mas leite é mais gostoso.” “E do mamão?” “Esse foi bem bom. Comi tudo!” “É a sua comida preferida?”, eu perguntei. “Não, tem uma coisa melhor”, ela respondeu. “O quê?” “Pé.” “Pé de alface ou de galinha?” “O meu”, ela disse. E aí botou o pé na boca. Ela sempre coloca o pé na boca. Acho que a Catarina vai ser contorcionista quando crescer. Enquanto ela chupava o dedão eu fiquei pensando que o pé dela deve ser gostoso mesmo, porque todo mundo que chega perto da Catarina fala: “Ah, essa menina é uma delícia...”, “Ah, essa menina é uma gostosura...” Daí a Cata viu que eu estava olhando para o pé dela e pensou para mim: “Quer experimentar? Meu pé é muito bom.” “Tá bom”, eu respondi. E aí eu chupei o dedinho da Catarina. Só que a minha mãe entrou justo nessa hora e deu o maior grito: “Lelê! Larga o pé da sua irmã!” E aí eu larguei. “Nunca mais quero ver você fazendo isso”, ela disse. Depois, quando a minha mãe saiu, eu falei pensalmente para a Catarina: “Nunca mais vou poder comer o seu pé.” E ela, chupando o dedão, respondeu: “Melhor. Sobra mais para mim. Hummm...”
Escrito por Lelê às 18h03
![]() Liupe, a comedora de abelhas
Quem mandou essa história foi a Érica Larissa:
Liupe tem mania de caçar qualquer coisa que ela veja voando... Certo dia, o que ela viu foi uma abelha e ela acabou conseguindo pegar essa abelha. Nós aqui em casa ficamos loucos, porque ela gritava, chorava e não deixava a gente ver a língua dela... Daí eu fui na internet e vi que para picada de abelhas era coisa gelada, pois dimunuía a dor. Como Liupe também come qualquer coisa que a gente dê, eu comprei um picolé e dei pra ela ficar lambendo. Ela lambeu o picolé todo e ficou ótima. Mas até hoje... Ela ama caçar insetos...
Escrito por Lelê às 14h19
![]() Lelê e o menino prodígio que não é o Robin
Essa semana eu ganhei uns bombons de chocolate bem gostosos chamados Mozart. Eles eram assim:
Bom, aí eu comi um monte de chocolates. E, quando a gente come demais, dá o maior sono. Então eu peguei e dormi um pouco no sofá. Só que eu só consegui dormir um pouquinho, porque começou a tocar uma música muito alta. Eu pensei que era o vizinho e acordei para reclamar. Mas aí, quando eu abri os olhos, eu vi que a música não vinha do vizinho. Vinha dum piano que estava na minha sala (que nunca teve piano!). E quem estava tocando era um menino menor do que eu. Aí eu perguntei: “Ei, quem é você?” E o menino respondeu: “O meu nome é Johann Chrysostom Wolfgang Amadeus Mozart, mas pode me chamar só de Mozart.” “Mozart? Que nem o chocolate?” “Que chocolate?” “Esse aqui, ó!”, e aí eu mostrei um chocolate para ele. “Olha só, que coincidência! Um chocolate com o meu nome!”. E depois de falar isso ele virou para o piano e começou a tocar uma música bem bonita, e ele tocava o maior bem. . “Quantos anos você tem?”, eu perguntei. “Sete”, ele respondeu. “E você já toca bem assim?” “Eu sei tocar direito desde os quatro.” “Aica!” “E com cinco anos eu comecei a fazer umas músicas.” “Puxa!” “Quer ouvir?” “Claro”, eu respondi. Mas aí, quando ele ia tocar a música, uma menina de uns doze anos entrou na sala e disse: “Oi, Wolf. Quem é o seu amigo?” “É, qual é o seu nome?”, ele me perguntou. “É Leocádio, mas pode me chamar de Lelê. E quem é ela?” A menina pegou e respondeu: “O meu nome é Maria Anna, mas pode me chamar de Nannerl. Eu sou irmã dele.” E aí ela sentou do lado do Mozart e os dois tocaram uma música juntos. “Caramba, vocês tocam o maior bem. Podiam até fazer uma dupla!” “E a gente faz mesmo”, disse o menino. “Chamam a gente de ‘Os Pequenos Mozart’.” “Nós já viajamos muito”, contou a Nannerl. “Antes de eu fazer seis anos, o meu pai levou a gente para Munique. Ficamos três semanas lá e tocamos até para o príncipe Maximilian.’ “Foi tão bacana que o nosso pai planejou outra viagem, dessa vez para Viena”, falou a menina (que era bem bonita). “Ela durou uns quatro meses, e nós tocamos para vários nobres.” “Até para a família imperial!”, disse o Mozart. “O imperador Francis I nem acreditou que o meu irmão tocava tão bem. Pensou que tinha algum truque. Então ele cobriu as teclas com um pano preto e disse que queria ver ele tocar só com um dedo de cada mão.” “E você tocou?”, eu perguntei para o Mozart. “Moleza”, ele respondeu. “Mas nesse dia aconteceu uma coisa mais legal ainda!” “O quê?” “Eu escorreguei no salão, porque ele estava muito encerado, e caí de cara no chão.” “Isso foi legal?” “Foi. Porque a filha do imperador, a arquiduquesa Maria Antonia, me ajudou a levantar. Ela tem a minha idade e é linda. Então, quando eu fiquei de pé, eu olhei bem para ela e disse assim: ‘Quer casar comigo?’” “E ela aceitou?” “Não. Parece que ela está prometida para o rei da França, um tal de Luís XVI. Que pena, eu queria que ela perdesse a cabeça por mim...” “No dia seguinte, a imperatriz mandou uma roupa para o Wolf e um vestido para mim.” “A roupa que eu ganhei foi aquela lá”, disse o Mozart apontando para um quadro na parede.
“E vocês ganham para tocar?” “De vez em quando uns nobres dão um bom dinheiro para o nosso pai”, explicou a Ninnerl. “E ele é muito esperto. Antes de a gente chegar numa cidade, ele manda uma carta anônima para os jornais dizendo que os meninos prodígios estão chegando, e ele elogia a gente e diz que nós somos grandes fenômenos.” ”Que esperto!” “Agora a gente vai viajar de novo”, falou o Mozart. “E dessa vez só vamos voltar daqui a uns três anos.” “Vamos passar por umas oitenta cidades.” “Aica!” “O chato é que eu vou ficar um tempão sem ver o meu cachorro, o Bimperl...”, reclamou o Mozart. E aí entrou um cachorro e correu para cima de mim e me lambeu a cara. Mas aí, quando eu abri os olhos de novo, não era o Bimperl que estava me lambendo. Era a minha mãe que estava me dando um beijo. “Pô, mãe, por que você me lambeu?” “É que tinha um pouco de chocolate na sua bochecha”, ela falou. E aí ela saiu assobiando a mesma música que o Mozart estava tocando. Acontece cada coisa esquisita, né?
E quem quiser ver um cara tocando o Mozart com patins e garrafas, clica nessa:
Escrito por Lelê às 03h42
![]() O Meowth de Agnes
Atualmente só tenho um gatinho, ele é persa e se chama Meowth (nome do gato do desenho do Pokémon, e pronuncia miau mesmo). Aí, quando tenho que falar o nome dele, todos dão risada. Ele é uma graça, o mais engraçado é quando ele está soltopela chácara, e os nossos dois vizinhos do lado tem cachorros, daqueles pretos, grandes com cara brava... o Meowth pega, vai perto da cerca, e deita bem na frente dos cães, que começam a latir para ele, querendo avançar, mas não passam pela cerca. Então ele começa a andar de um lado para o outro como se exibisse para eles, e os encara. O mais incrível é quando a gente se aproxima perto dele, ele se enche de coragem e pula sobre a cerca como querendo atacá-los... só ele mesmo, rs... mas tenho medo quando ele fica solto, porque acho que ele não entende desse perigo. e ele está gordinho, tanto que quando corre fica com a língua de fora rs.
Escrito por Lelê às 03h39
![]() A Lilica de Rose
Um belo sábado, passeando pelo Gonzaga, nos deparamos com uma feirinha de animais para adoção. Olhei um, outro, mais uns e mais outros... quando de repente uma vira-lata muito fofa parecia estar esperando por mim. A moça falou “Quer segurar?”, e sem hesitar peguei-a nos braços. Ela estava quentinha e fiquei por mais ou menos meia hora segurando-a, até que eu e nós três (pai e duas filhas), assinamos o termo de responsabilidade. Pronto, agora ela era parte da família. Agora éramos seis, já que havia o Cedrad, um periquito que não fazia o som de periquitos, já que fora criado por humanos. Chamava todos da família por piados que eram bem próximos aos sons originais: Pa, maii, Tée, Caminha (Camilla), meio distorcidos. Era incrível, só ouvindo mesmo. Falava feio e mandava uns beijos estalados. E assobiava uma musiquinha do exército. Quando trouxemos a Lilica foi muito engraçado. Falávamos que eles eram irmãos: tomavam sol juntos, comiam pão e assistiam TV. Eles tinham ciúmes um do outro. Quando limpava a gaiolinha, tinha que falar com a Lilica ao mesmo tempo, porque ela latia pedindo atenção. Tivemos que dormir com os dois dentro do mesmo quarto, porque ele não parava de nos chamar e ela não parava de latir.
Escrito por Lelê às 03h36
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