
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
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Este blog é atualizado às sextas.
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Luck, sequestrado e assassino (de baratas)
Meu cachorro se chama Luck. O Luck é um fofo e só falta falar. Eu costumo conversar com ele e parece que ele entende tudo, pois fica olhando pra mim com cara de feliz. Esse cachorro já aprontou tanto que suas histórias dariam um livro. Teve uma vez que ele desapareceu. Aí eu espalhei alguns cartazes perto de casa e três dias depois ligaram avisando que tinham encontrado um cachorro igualzinho. E era ele mesmo! Só que o moço que encontrou o Luck, disse que só ia devolver o cachorro se tivesse alguma recompensa. Na hora eu fiquei com a maior raiva, mas depois foi engraçado e até hoje eu falo para meus amigos que meu cachorro é tão legal que já foi vítima de seqüestro e eu tive que pagar o resgate. O Luck é companheiro e gosta de passear na rua comigo. Às vezes ele até me livra de umas enrascadas também. Teve um dia que a janela do meu quarto estava aberta e entrou uma barata. Aí eu dei o maior grito e o Luck ouviu e veio correndo e matou a barata pra mim. É engraçado porque ele sabe que fez uma boa ação e fica se achando o máximo. Érika.
Escrito por Lelê às 10h58
![]() A Luana e o bem-te-vi
(Hoje quem vai contar uma história é a Luana)
Oi, Lelê, Eu também tenho uma histórinha de passarinho bem legal. Aqui em casa moram dois cachorros, o Zal e o Zig. Por causa desses dois cachorros lá no quintal tem duas cumbucas de ração, e por causa da ração o quintal vive cheio de passarinhos. Os passarinhos que mais gostam da ração do Zal e do Zig são os bem-te-vi. Quando eu era mais criança do que eu sou agora apareceu um bem-te-vi no quintal, só que ele não voava, só ficava ali...no quintal.
Minha mãe achou que ele era uma filhotão, e que uma hora a mãe dele ia aparecer, mas a mãe dele não apareceu. Ele ficou morando em casa quatro dias. Ele passava o dia no quintal, e a noite dormia numa salinha dentro de casa para o gato sem rabo que vivia andando no muro de casa não conseguir fazer ele de jantar.
Depois de três noites que ele tava em casa minha mãe resolveu ligar para o Orquidário daqui de Santos e falou com um moço. Ela disse para ele que tinha aparecido um passarinho em casa que parecia um filhotão, porque ele era grande mas não voava, daí o moço falou que ela podia levar ele lá para ver se estava doente. Para gente levar ele até lá minha mãe e eu colocamos o passarinho dentro de uma caixa de sapato com uns furos, assim ele ia poder respirar e olhar para fora.
Isso tudo eu tô te contando só para você falar para os seus amiguinhos não comprarem passarinhos. Fala para eles comprarem plantinhas, assim os passarinhos vão aparecer na casa deles, mas vão estar livres, e principalmente, vão estar voando. Ah, mas se alguém já tiver um passarinho, não vale soltar, se não um gato feroz pode fazer ele de jantar, ou de almoço, ou de... Tchau Lelê! Um beijo, Luana.
PS: Como teve um monte de gente que pediu, eu vou voltar a escrever no sábado. Mas, esta semana, todo dia vai ter a história de um bicho.
Escrito por Lelê às 12h30
![]() Aninha e Tobi
Um dia a Aninha e a Luiza estavam numa casa com piscina (a Aninha é que está foto). Aí Aninha se jogou na piscina e o pai da Luiza teve que entrar lá e se molhar todo. Mas a Aninha cresceu, ficou linda e teve um monte de filhotes. O Tobi é o cachorro de uma menina chamada Isabelle (mas também chamam ela de de Isa, de Bel, de Belle e de Bells). O Tobi mora no sítio da avó da Bel. Aí, uma vez veio um vizinho com um com um rotwailer. O Tobi foi tentar conversar com o cachorro, mas ele latiu e o Tobi fugiu de medo, se enfiou num buraco e ficou lá um tempão. Mas o pior foi depois, porque o rotwailer latiu de novo e o Tobi saiu correndo. Aí ele pulou por cima de umas madeiras e "crec", quebrou a perna. Levou dois meses para ele ficar bom de novo. O Tobi é o maior medroso.
Escrito por Lelê às 10h05
![]() Milagre e Téo
Essa gata aí em cima vive no meio de quatro cachorras: uma vira lata, dois rott e uma pastora alemã. Por isso a Cida colocou o nome dela de Milagre. É que é um milagre que as outras cachorras não tenham acabado com ela. E esse peixe é o Téo. Ele era todo azul e ficou com a Laura por dois anos. Ele morava sozinho no aquário. Todo dia ela 5 bolinhas para ele comer. Mas teve um dia que o Téo ficou doente, não quis mais a comida e acabou morrendo. Eu perguntei para a Laura se ela almoçou o peixe, e ela respondeu assim: "Não!!!! O Téo era muito pequeno. A minha irmã jogou ele fora. Ela só guardou o aquário pra colocar outro peixe. Mas ainda não ganhei outro peixe."
Escrito por Lelê às 17h06
![]() Lelê e as histórias da Pintada
Eu tenho uma gata chamada Pintada. A Pintada gosta de dormir do lado da televisão, que é quentinho; gosta de beber água da torneira quando a gente abre; e de brincar com saco de supermercado. Ela é o maior inteligente. E o maior preguiçosa também. O mais legal é que eu consigo falar com ela. A minha mãe me explicou que é um negócio chamado telepatia. Mas devia se chamar telegatia, porque a Pintada não é uma pata, é uma gata. Bom, aí eu estava brincando com ela e ela me perguntou telegaticamente: “Pô, Lelê, faz tempo que você não me coloca no seu blog.” E eu falei: “É mesmo.” “Então por que você não coloca uma história minha essa semana?”, ela perguntou. “Que história,?”, eu perguntei. “Você só dorme!” “Eu gosto de dormir, sim, mas às vezes acontece alguma coisa legal. Lembra daquele passarinho?” Aí eu pensei e lembrei: “Ah, foi um dia que você apareceu com um filhote de passarinho na boca.” “Esse mesmo.” “E você estava com a maior cara de convencida.” “Porque eu tinha feito uma grande caçada.” “Ainda bem que você não matou o passarinho. Então eu coloquei ele numa caixa. Todo mundo pensava que ele ia morrer, mas ele não morreu. No outro dia, quando eu abri a caixa, ele estava com o biquinho aberto pedindo comida. E eu fiquei dando comidinha para ele com um canudo.”
“Sabe que eu até fiquei com inveja dessa mordomia?”, disse a Pintada. “O legal é que ele viveu. E a minha mãe colocou ele numa gaiola, porque ela disse que passarinho criado em cativeiro não pode ser solto na natureza, senão morre de fome.”
“Agora ele já está bem grandinho. E deve estar bem gostoso. Hum...” “Pintada, para de lamber os beiços!” “Tá, eu paro, mas então conta a história da árvore.” “Aquela também é boa”, eu disse. E aí eu comecei a lembrar como é que foi. E foi assim: O gato do vizinho, que se chama Mingau (o gato, não o vizinho), subiu numa árvore bem alta aqui da rua. Aí o vizinho viu, pegou uma escada bem alta e tentou pegar o Mingau. Mas ele se assustou e subiu mais ainda. Então juntou um monte de gente em volta da árvore, mas ninguém sabia como é que o Mingau podia descer. Daí a Pintada pegou e subiu na árvore. E ela é o maior boa em subir em árvore. Ela foi até o galho em que o Mingau estava, e começou a descer bem devagarinho, ensinando o caminho para ele. E o Mingau foi seguindo ela até que chegou no chão. Todo mundo bateu palmas e começou a chamar a Pintada de Gata-Bombeira.
“Eu fui ótima mesmo naquele dia”, disse a Pintada lambendo uma patinha. “Naquele dia, foi. Mas teve a vez em que você trouxe o rato, lembra?” “Rom, rom”, riu a Pintada. “Aquele dia foi muito divertido. Eu trouxe um rato na boca e a sua mãe deu um berro bem alto, então eu me assustei e soltei o bicho, que correu pela casa toda. Foi muito engraçado ver a sua mãe atrás dele com uma vassoura.” “Você arranjou a maior confusão, Pintada!” “Mas teve uma vez que foi pior, lembra?”
“Qual?” “Aquela do veterinário.” “Puxa, aquela foi engraçada mesmo. A gente levou você para o veterinário e você tomou uma anestesia...” “...então eu acordei, vi uma janela aberta e fugi.” “Todo mundo lá da clínica deve ter ficado te procurando.” “Mas eu peguei e voltei para casa sozinha.” “E, no dia seguinte, o veterinário veio até aqui em casa com a maior cara de triste. Ele chamou a minha mãe e falou assim: ‘Sinto muito, minha senhora, mas a sua gatinha morreu...’” “Então a sua mãe começou a rir e o coitado do veterinário não entendeu nada. Até que eu fui lá na porta e a sua mãe falou: ‘Ela voltou sozinha. Ou então é um fantasma’. E começou a rir de novo. “Poxa, pensando bem, já aconteceu um monte de coisa com você”, eu disse. “É mesmo. Mas só de lembrar de tudo isso já me deu sono de novo. Tchau, vou tirar uma soneca.” E aí ela deitou do lado da tevê e dormiu.
PS: Quem tiver uma história legal de bicho, pode mandar para mim: blogdolele@uol.com.br
Escrito por Lelê às 06h22
![]() Lelê e o menino que fez a música do cachorro que corre atrás do próprio rabo
Nesse fim de semana eu fui até a casa do meu avô. No telefone ele tinha me dito que ia me dar um presente bem legal. Então, quando eu entrei na casa dele, eu perguntei: “Vô, cadê meu ovo de chocolate?” “Ovo de chocolate?” “Não era esse o presente?” “Xi, Lelê, eu nem lembrei que era Páscoa.” “Não...?” “Não. O presente que eu vou te dar é bem diferente.” “É um par de meias? Eu detesto ganhar meia.” “Não. É um CD do Chopin.” “Do Chapolin?” “Não, é Chopin mesmo. Quer escutar?” “Quero, né...” Aí ele colocou o CD e a gente ficou escutando. Só, que, para escutar melhor, eu fechei os olhos. Então aconteceu uma coisa beeeem estranha, porque, quando eu abri eles de novo, eu vi um menino da minha idade, que é oito anos, e ele falou assim comigo: “Você está gostando da minha música?” Então eu olhei direito e entendi que não estava mais na sala do meu avô. Era outra sala. Bem mais chique. E a música não vinha do CD. Era o garoto que estava tocando, e num piano bem grandão. “Quem é você?”, eu perguntei. “O meu nome é Fryderyk Franciszek Frédéric Chopin”, ele respondeu. “Mas pode me chamar só de Chopin.” “O meu nome é Leocádio, mas pode me chamar só de Lelê.” “Tá bom.”
“Que música era essa que você estava tocando?”, eu perguntei. “O nome dela é Polonesa. Fui eu que fiz.” “Você que fez?! Mas você só tem uns oito anos.” “E eu fiz com sete.” “Pô, legal! Você deve estudar pra caramba!” “Desde os três anos que a minha mãe me dava aula. E, quando eu fiz seis, contrataram um professor de verdade para mim. O nome dele é Wojciech Zywny.” “Voiciéqui Zuini?”, eu repeti. “Alguém me chamou?”, disse um velho que entrou na sala. Ele não tinha nenhum dente, usava uma peruca loira e o nariz dele era bem batatudo. “Esse é o Zwyny, o meu professor”, disse o Chopin. “Zwyny, esse é o Lelê.” “O senhor também toca piano, senhor Lelê?”, o Zwyny me perguntou. “Não, só violão. E só sei tocar Asa Branca.” “Não conheço esta música, mas deve ser bem bonita. Agora, com licença. Vou até a despensa comer uma coisa.” “Ele tem um cheiro estranho, né?” “O Zwyny não gosta muito de banho. E às vezes se lava com vodca.” “Vodca?” “É uma bebida bem forte.” “Que nem pinga?” “Deve ser.” “E você brinca de quê?” “Eu gosto de passear no bosque, de desenhar, de fazer peças com as minhas irmãs, e de tocar piano. Eu até já fiz um concerto.” “Aica!” “Foi no Palácio Rodziwill, um lugar muito chique. Veio um monte de gente me ver. Eu usei uma roupa bem bonita, um casaco preto e uma gola branca. A minha mãe ficou um tempão me arrumando.” “Elas gostam de arrumar a gente.” “No final me aplaudiram de pé.” “Você deve ter tocado o maior bem.” “Ou vai ver eles gostaram da minha roupa.” “É.”
“Saiu no jornal que eu era um gênio. E aí eu comecei a fazer uns concertos de caridade.” “Poxa, eu ia ficar com vergonha.” “Mas é uma coisa legal. As meninas ficam olhando para a gente.” “É? Então acho que eu vou começar as aulas de violão de novo.” “Eu até já toquei umas vezes para o Grão-Duque Constantine, o homem mais poderoso aqui da Polônia. E numa dessas vezes eu inventei uma marcha militar. E aí ele mandou que uma banda militar tocasse a minha música marchando. Foi bem legal.” “Inventar música deve ser muito legal...” “É, sim. E eu tenho umas idéias para fazer umas músicas bem diferentes. Uma vai ser que nem as gotas pingando no telhado, outra vai ser que nem se um gato pulasse em cima das teclas do piano, e outra vai ser que nem se um cachorro corresse atrás do rabo.” “Pô, irado!” “Vou tocar uma música para você”, ele disse. E aí ele começou a tocar aquela mesma música do CD que o meu avô me deu, e eu fechei os olhos para escutar melhor. Só que eu logo acordei, porque alguém me cutucou e disse: “Acorda, Lelê!” “Hein? O que foi, vô?” “Você dormiu.” “Não, eu estava conversando com o Chopin.” “Sei... Acho que você não gostou do meu presente, né?” “Gostei sim.” “Eu devi ter te dado o ovo de Páscoa. Bom, vamos lá no supermercado comprar um.” Então a gente foi comprar o meu ovo. E no caminho eu fui assobiando a música do Chopin.
PS: Quem quiser ver uma menininha tocando a música em que o cachorro corre atrás do próprio rabo pode clicar aqui. É legal.
Escrito por Lelê às 05h40
![]() Lelê, o elevador e a dor de barriga
O meu nome é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê. Se bem que eu queria era me chamar Zebedeu. Vou explicar por quê. É que, logo no primeiro dia de aula desse ano, eu vi que tinha uma menina na minha classe chamada Zélia. Eu achei ela o maior bonita. No pátio, antes de entrar na classe, ela viu que eu estava olhando para ela e disse assim: “Oi.” Pô, aquilo foi demais! Até fiquei com dor de barriga. Então o sinal bateu, a gente entrou na classe e sentou. As carteiras eram aquelas de duplas, e eu sentei duas fileiras atrás da Zélia. Achei aquele lugar legal porque eu podia ficar olhando para ela o tempo todo. E, como eu não estava muito perto, não ia me dar dor de barriga. Mas aí a professora disse: “Não, não é assim que nós vamos sentar. Eu quero que vocês fiquem na ordem de chamada.” Aquilo foi o maior ruim, porque o meu nome começa com a letra L, e Zélia começa com Z. Por causa disso eu fiquei no meio da classe e a Zélia ficou lá no fundão. Nem dava para eu ficar olhando para ela.
Outra coisa ruim foi que quem ficou do meu lado foi o Leonardo, e o Leonardo é o maior nojentão. Ele tira meleca do nariz e guarda num canto da carteira, pega as remelas do olho e fica esticando que nem se fosse chiclete, e fica brincando de fazer bolhas com o cuspe. Nojentão mesmo! Mas aí, durante as aulas, eu conseguia ficar perto dela. Às vezes era no recreio, às vezes era naqueles negócios de trabalho de grupo. Só que aí tinha um problema: toda vez que ela chegava perto de mim, eu ficava mudo e tinha dor de barriga! Eu nem conseguia ficar muito tempo perto dela porque tinha que sair correndo para ir no banheiro. Por causa disso eu nunca conseguia conversar bastante com a Zélia. Era só falar um pouquinho e já me dava um aperto na barriga. Não demorava nem trinta segundos. Isso é meio esquisito, porque eu sempre ouvi dizer que quando a gente gosta de alguém dá um aperto no coração. Mas comigo é na barriga. Por causa disso eu só podia ficar olhando a Zélia de longe. Ficava olhando quando ela ia na lousa, quando ela falava com as amigas dela e quando jogava queimada. Teve uma vez, na aula de educação física, que a gente fez uma roda e ela ficou bem do meu lado. Mas aí, quando ela me deu a mão, eu tive que sair da roda e correr para o banheiro. Bom, aí teve um dia que aconteceu uma coisa horrível. Na hora do intervalo eu vi o Zibeão pedindo ela em namoro. E ele fez um versinho que era assim: “O seu nome também Poxa, era uma poesia o maior ruim. Zê não rimava com você. Só se fosse “vozê”. Mas acho que a Zélia não entendia nada de rima, porque achou aquela poesia o maior linda e disse: “Tá bom.” Eu fiquei com uma baita raiva. E depois disso os dias ficaram o maior chatos. Até que veio a festa de aniversário do Leonardo, que foi lá no prédio dele. A Zélia estava lá, e eu só ficava olhando para ela. Daí aconteceu um negócio meio estranho: eu fui pegar o elevador para ir para o apartamento do Leonardo (ele escondeu lá os presentes que ele ganhou, mas disse que eu podia ver porque eu sentava do lado dele). Então eu entrei no elevador e, quando a porta estava quase se fechando, sabem quem é que entrou? A Zélia!
Era só eu e ela no elevador. Na hora começou a me dar uma dor de barriga daquelas! Eu ficava olhando para os números vermelhos que mostravam os andares e eles iam bem devagar. Dois, três, quatro... E o chato é que o Leonardo morava lá no décimo-segundo. E eu estava com a maior vontade de ir no banheiro. Mas aí, o que aconteceu? A luz acabou! A luz acabou e o elevador parou. Eu e a Zélia ficamos ali naquele elevador apertado. A minha dor de barriga começou a aumentar e eu já estava pensando que podia acontecer uma coisa horrível, tipo assim... isso mesmo que você está pensando. Mas aí a Zélia começou a falar comigo. E falou mais de trinta segundos. Ela disse assim: “Você senta lá no meio, né? Sabe que quando a professora escolheu onde a gente ia sentar, eu queria que você sentasse do meu lado? Mas a gente teve azar. Se você se chamasse Zebedeu tinha dado certo.” Aquilo foi legal. Eu nunca mais tive dor de barriga perto da Zélia. E qualquer dia ela vai brigar com o Zibeão.
Escrito por Lelê às 02h19
![]() Lelê, o batizado e o despadrinho
Neste domingo foi o batizado da Catarina. Eu nunca tinha ido num. Quer dizer, eu fui no meu, mas eu não lembro de nada. Logo de manhã, o meu tio Torero chegou em casa para ir com a gente. E ele estava com uma cara de chateado. Aí eu perguntei: “O que foi, tio?” E ele respondeu: “Nada, Lelê. Eu não estou triste porque não vou ser o padrinho da Catarina. Garanto que não é isso. Eu nem ligo...” “Ai, meu deus, já vai começar...”, falou a minha mãe, que estava ali na sala. “Não, tudo bem, eu vou parar... Afinal, que direito eu tenho de reclamar de não ser o padrinho da minha única sobrinha...?” “Mas você não diz que é ateu?” “Eu não acredito em Deus, mas acredito na Catarina.” “Eu é que não acredito que você vai ficar reclamando disso. Já te expliquei que o Dirceu insistiu muito para que o irmão dele, o Reneu, fosse o padrinho. E não dá para ter dois padrinhos.” “Então eu podia ser a madrinha. Eu fico bem de vestido. Já usei no carnaval.” “Também não dava para ser madrinha. A gente já tinha convidado a Bruna, que é nossa amiga.” Aí ele abaixou a cabeça e disse: “Tudo bem... Não vou me suicidar para não estragar a festa...” “Bah, vamos logo para o carro, senão a gente vai chegar atrasado.”
E aí a gente entrou no carro. O meu tio foi com a Catarina no colo e ele não parava de falar assim com ela: “Oi, Catita, eu sou o seu tio-que-não-é-seu-padrinho. Sou um despadrinho. Tudo bem, eu vou gostar de você do mesmo jeito. Mas dos seus pais...” A minha mãe só bufava e olhava para o teto, e o Dirceu fingia que nem ouvia. Bom, aí a gente chegou na igreja, que se chama dos Navegantes. Eu esqueci de tirar foto da frente dela, mas por dentro ela é assim:
Tudo nela é roxo. Acho que o padre deve ser corintiano. Tinha até um timão em cima do santo.
Lá na igreja, o Reneu se atrasou um pouco, e aí o meu tio falou para a minha mãe: “Acho que o Reneu bateu o carro. Para não atrasar a cerimônia, eu posso ir no lugar dele.” Mas logo nessa hora o Reneu chegou, reclamando que alguém tinha furado o pneu dele, e por isso ele teve que vir de táxi. Bom, aí começou o batizado. Uma hora que eu achei engraçado foi quando os padrinhos, o Dirceu e a minha mãe fizeram umas cruzinhas na cabeça da Catarina.
Eu fiquei sentado do lado do meu tio, que continuava com cara de chateado. Mesmo quando começaram a tocar umas musiquinhas. Aquela igreja é engraçada, porque tem bateria e guitarra, mas o pessoal não toca rock. Eles tocam uma música meio devagar. A Catarina até dormiu. Aí o Dirceu, minha mãe, o Reneu e a Bruna (que é o maior bonitona) foram lá para perto do padre e eles jogaram uma água na cabeça da Catarina. Então ela chorou muito. Acho que foi porque a água estava fria, porque a Catarina adora tomar banho, mas lá em casa a água é quentinha. Eu perguntei para o meu tio porque que a gente é batizado, e ele respondeu: “Dizem que é para não ir para o inferno, mas o importante mesmo é que depois a criança fica chamando o padrinho de padrinho.” Bom, aí acabou o batizado e foi todo mundo lá para casa. Tinha um monte de comida e um monte de gente. O meu tio só resmungava: “Um padrinho careca, francamente...” Aí eu cansei de ficar escutando as reclamações dele e fui dar uma volta. E conheci uma menina o maior linda, a Gabriela, que é irmã da Bruna. A Gabriela tem uma risada legal. Risada é um negócio importante. Então eu perguntei para ela qual o ovo de páscoa que ela queria ganhar e ela ficou pensando assim:
Daí ela respondeu que queria o ovo do High School Musical 3, porque vem com um rádio FM, e eu falei que para mim tanto fazia, porque eu gostava era do chocolate. Eu também perguntei para ela para que que serve padrinho de batizado, e ela disse que é para dar presentes legais. Eu acho que é mesmo, porque o meu padrinho é o meu avô e ele me dá um monte de presente. Só que a minha madrinha é a minha avó e ela já morreu. Aí eu pensei que era chato ter padrinhos velhos porque eles morrem cedo e a gente ganha menos presente. Nessa hora o meu tio Torero veio sentar com a gente. Como ele ainda estava com cara de chateado, eu peguei e disse: “Tio, já sei por que você não foi escolhido para ser o padrinho da Catarina. É que o Reneu é novo e você é velho, então vai morrer logo.” Ele olhou para mim um tempão e depois respondeu: “Lelê, você sabe consolar uma pessoa”. Só que ele continuou com cara triste. Aí eu cochichei no ouvido dele: "Quando eu casar com a Gabriela e a gente tiver um filho, eu deixo você ser o padrinho dele". Aí ele riu. Mas não muito.
Escrito por Lelê às 08h40
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