
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
![]() ![]() ![]()
Este blog é atualizado às sextas.
Visitas
|
Lelê no meio da torcida
Domingo eu fiz uma coisa bem legal. Fui num jogo com o meu tio Torero. Foi num estádio chamado Pacaembu. Eu nunca tinha visto um jogo lá. Era Corinthians e Santos. O meu tio torce para o Santos, mas ele queria fazer uma reportagem sobre a torcida do Corinthians e a gente ficou com eles. Para mim, tudo bem, porque eu não torço para nenhum time, só para a seleção. Mas o meu tio ficou meio mal, porque ele não podia gritar que nem ele sempre grita. O meu tio é meio doido no estádio. Bom, logo que a gente chegou foi legal, porque a gente entrou junto com os bonecos da Federação Paulista e eles estavam sem cabeça. São uns bonecos meios feios, mas o pessoal que fica dentro deles é legal. Primeiro a gente foi no lugar onde fica o pessoal de televisão e os jornalistas que vão entrar no campo. É um lugar bem grande e todos os jornalistas usam um colete amarelo. Parece um time de futebol. Nesse lugar tem até uma lanchonete só para jornalista. O hot dog lá custava três reais.
Aí a gente entrou no estádio de verdade e sentou nas cadeiras, junto com a torcida do Corinthians. E a gente sentou do lado de um menino corintiano que tinha uns treze anos, usava uma camisa roxa e pulava o tempo todo, mesmo antes do jogo começar. O cara era o maior animado! Eu achei isso legal, mas quando o jogo começou e ele não parava de pular na minha frente, eu comecei a achar meio chato porque não dava para ver o campo direito. Uma coisa estranha no estádio é que ele parece uma cadeia. Tem um monte de grade e de policial, e a gente não pode andar por todos os lugares. Só onde deixam. Uma coisa legal foi que, antes dos jogadores entrarem, apareceram os nomes deles num telão e a torcida bateu palmas. Quando apareceu o Ronaldo foi a maior gritaria. O meu tio até ficou com inveja e disse assim: “Eu sou tão gordo quanto o Ronaldo, mas ninguém me aplaude...”
Ver jogo no campo é muito mais divertido, porque a gente vê tudo. Vê o campo inteiro (a grama é o maior legal), vê a torcida pulando, vê um monte de gente diferente e dá para ver todos os jogadores ao mesmo tempo. No Santos tinha um jogador chamado Neymar que era bem novo. Ele usava uma chuteira o maior legal, mas ela não deve ser muito boa, porque o Neymar caiu um monte de vezes.
Logo no começo do jogo, a torcida do Corinthians virou para a torcida do Santos, que estava ali pertinho, do outro lado da grade, e gritou uns palavrões. Eu falei assim para o meu tio: “Acho que eles estão te xingando, tio.” Ele levantou os ombros duas vezes, e isso quer dizer “Não dá para eu fazer nada.” Eu sei disso porque é o que a minha mãe sempre faz isso quando eu peço para ela comprar um brinquedo caro para mim. Quando o Corinthians fez um gol foi a maior festa. Só o meu tio é que ficou sentado. Mas depois ele até ficou de pé. Acho que foi só para disfarçar. A comida no estádio não é muito boa. E o hot-dog ali onde a gente ficou custava quatro reais. No intervalo, a gente foi até as cabines de rádio, porque o meu tio tem um amigo que trabalha lá, chamado Oscar Ulisses. O professor Pasquale também estava lá. Eu nem falei nada porque ia ser chato se eu dissesse uma palavra errada. As cabines de rádio são bem diferente do que pensava que elas eram. Eu pensava que elas eram cheias de máquinas legais, com luzinhas e botões. Mas é tudo o maior simples. E apertado. A gente também foi num lugar chamado VIP. Tinha uns caras famosos lá, tipo o Rubinho Barrichello, o Raul Gil e aquele ator que parece o Tom Hanks mas não é. O lugar era meio chique, mas estava muito cheio de gente. Até a fila do banheiro era comprida. E o hot-dog lá custava cinco reais.
Depois a gente foi ficar ali num lugar onde ficam os jornalistas de jornal e de internet. É um lugar muito bom, porque dá para ver tudo. Só que estava tão cheio que a gente teve que ficar de pé num canto. Uma coisa que eu gostei no estádio é que todo mundo fica bem nervoso, e é engraçado ver os outros nervosos. Os do Corinthians ficavam nervosos porque o Santos atacava e o meu tio ficava nervoso porque o Santos atacava mas não conseguia fazer gol. Eu não entendo muito de futebol, mas eu achei o jogo meio feio, porque não teve dribles legais nem gols. Quando eu jogo no Winning Eleven sempre tem gol. Bom, quando a partida já estava quase acabando, um cara chamado Roni errou uma jogada e o meu tio disse: “Chega. Isso está me dando gastrite! Vamos embora daqui!”. Aí tinha uma saída ali pertinho e a gente saiu. Depois, no caminho, a gente escutou no rádio que estava tendo uma briga bem onde a gente tinha ficado sentado. Isso foi meio chato. O legal era se os corintianos e os santista torcessem juntos, porque aí um ia poder tirar sarro do outro. E tirar sarro é mais legal que brigar.
Escrito por Lelê às 06h44
![]() Lelê, o piu e o bééé
Hoje eu vou contar uma história de quando eu era muito pequeno e eu tinha só seis anos, e não era velho que nem agora que eu tenho oito. Isso aconteceu lá no pré. No pré a gente tem que fazer umas peças de teatro, e a peça que a minha classe ia fazer era um negócio com a Arca de Noé. A professora, que era a tia Alzira, me escolheu para ser o passarinho. Eu queria ser um dinossauro bem grande, mas ela disse que não tinha dinossauro na arca, e não devia ter mesmo porque não sobrou nenhum. Eu achei isso a maior maldade do Noé. Quando eu cheguei em casa e falei para a minha mãe que eu ia ser o passarinho da arca, ela achou o maior legal. “É o melhor papel, Lelê!” “É mesmo?” “Claro! O passarinho é um bicho que pode voar, canta o tempo todo e a fantasia dele é cheia de penas. Você vai ficar lindo!” Eu achei aquilo o maior legal e ficava o tempo todo ensaiando o meu texto, que era esse aqui: “Piu”. O texto não era muito comprido, mas treinei o meu “piu” de um monte de jeito diferente. Tinha o piu alto, o piu triste, o piu alegre, o piu meio assobiado, o piu curtinho, o piu cumpridão e mais um monte de piu que eu não lembro porque isso aconteceu faz tempo. Só que aí, quando chegou o dia de experimentar as fantasias, a costureira levou as roupas para a gente e eu não vi nada de roupa de passarinho. Então a professora me chamou num canto e falou assim: “Lelê, aconteceu um probleminha.” “Que foi?” “A costureira se esqueceu de fazer a sua roupa de passarinho.” “Eu vou ter que aparecer pelado?” “Claro que não! Você vai usar outra fantasia.” “Mas eu queria ser passarinho...” “Não vai dar, meu bem”, disse a tia Alzira. “Mas a fantasia que sobrou é ótima.” “É de quê?” “De ovelha.” “Ovelha?!” Eu voltei o maior triste para casa, porque ovelha não cantava, não voava e nem tinha pena. Mas aí, quando eu contei para a minha mãe, ela disse: “É o melhor papel, Lelê!” “Não era o de passarinho?” “Passarinho era ótimo, mas ovelha é muito melhor! É um bicho fofinho e elegante, que sempre se veste de lã.” Então, depois disso, a minha mãe ficou falando bem das ovelhas e desse negócio de lã. Ela leu para mim um monte de vezes um livro chamado "Maria vai com as outras", que conta a história da ovelhinha Maria; me levou numa loja de lã, onde tinha um monte de lã colorida; me mostrou uns sapatinhos de bebê feitos de lã, que eu usei quando eu era pequeno; e até fez duas luvas de tricô para mim. Eu até que fiquei gostando um pouco de ovelha. Mas não era tão legal que nem passarinho. Bom, quando chegou o dia da peça, eu estava o maior nervoso, porque era a minha primeira peça, e eu ainda tinha trocado de personagem, né? Outra coisa que me deixou nervoso é que a fantasia de ovelha era meio complicada. Tinha que colocar uns fios de lã na cara, assim presos com elástico, e eles entravam no meu olho, na minha boca e no meu nariz, e me deixavam com a maior raiva. Quando a tia Alzira estava me vestindo, eu só ficava dizendo: “Se eu fosse passarinho não tinha nada disso. E eu ainda ia voar...” Daí chegou a hora de entrar no palco. Eu fiquei com medo de ir para frente daquela gente toda e não queria sair daquele lugar que chamam coxia, que fica do lado do palco e ninguém vê a gente. Mas a dona Alzira falou assim: “Vai lá, Lelê, está todo mundo querendo te ver.” Então eu fui. Andei até o meio do palco, olhei para todo mundo, e disse: “Piu.” Teve umas pessoas que começaram a rir. Aí foi que eu vi que eu tinha falado o texto do passarinho, em vez do texto da ovelha, que era “bééé”. Mas, se tinha gente rindo, é porque tinha sido legal. Então eu disse de novo: “Piu, piu, piu!”, e aí mais gente começou a rir. Daí eu comecei a correr pelo palco, balançando os braços que nem passarinho e fazendo “Piu, piu, piu, piu, piu, piu!” Todo mundo riu. Foi o maior sucesso!
Escrito por Lelê às 09h06
![]() Lelê e o deus dos fogões
Esses dias quebrou o fogão lá de casa. Aí a minha mãe chamou um homem para consertar. Era um homem bem feio e barbudo. E ele mancava. A minha mãe ficou na sala dando comida para a Catarina enquanto eu fiquei ali olhando o homem consertar o fogão, porque é divertido ver os outros desmontar as coisas. Eu até pedi assim: “Posso desmontar um pedaço do fogão também?” “Não, não, isso não é para crianças.” “Mas eu desmonto tudo que é brinquedo.” “E consegue montar depois?” “Consigo. Só que nunca fica igual. E sempre sobram umas pecinhas.” “Acho que sua mãe não ia gostar se sobrassem umas pecinhas”, ele disse. “Mas você pode me ajudar. É só segurar essa parte aqui.” Aí eu fiquei segurando o pedaço do fogão que estava quebrado e, depois de um tempo, ele girou o botão de fogão e funcionou direitinho. “Poxa, o senhor é o maior bom com fogões!”, eu falei.
“Fogo e ferro são a minha especialidade. Para quem já trabalhou dentro de um vulcão, consertar fogões é moleza.” “O senhor trabalhou dentro de um vulcão?” “Trabalhei. Mas isso era no tempo em que eu era um deus lá no Olimpo.” “Ah, eu sabia! O senhor é mais um deles!” “Sou, sim. Meu nome é Hefesto. Muito prazer”, ele falou apertando a minha mão. “O meu é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê. Sabe?, eu já vi uns outros deuses, mas nenhum deles mancava.” “Ah, isso é uma história triste. Eu sou filho de Zeus e Hera, e minha mãe, quando viu que eu era muito feio, me pegou pelo pé e me jogou lá do Olimpo para o mar.” “Pô, coitado... E o senhor morreu?” “Não. A Tétis e a Eurínome, que são uma espécie de deusas do mar, me salvaram e cuidaram de mim. Me adotaram, sabe? “Poxa, um deus manco e adotado, que legal!” “Elas me criaram até aos nove anos, numa gruta debaixo do mar, lá na ilha de Lemnos. Foi quando eu aprendi a mexer com ferro. Eu fiz um monte de jóias para elas.” “E você nunca mais viu a sua mãe, a Hera?” “Vi, claro. Eu nunca esqueci do que ela me fez. Então eu criei um monte de tronos para os deuses do Olimpo. E o da Hera era de ouro. Mas eu coloquei uma armadilha nele. Quando ela sentou, correntes prenderam a Hera. E eram correntes tão fortes que ninguém conseguia quebrá-las.” “Ela ficou presa para sempre?” “Não. Os deuses mandaram o Dionísio ir até a ilha de Lemnos falar comigo. Aí ele conversou, conversou e fez com que eu bebesse muito vinho.” “E daí?” “Dai que eu acabei bêbado e aceitei desfazer as correntes. Poxa, eu bebi tanto que tive que entrar no Olimpo em cima de um burrico.” “Em cima de um burrico? Isso é meio ridículo, né?” “É. Os deuses riram um bocado de mim.” “E você soltou a Hera?” “Soltei. Mas exigi duas coisas antes: ser aceito de volta ao Olimpo e casar com Afrodite, a deusa da beleza.” “Pô, deve ser legal casar com a deusa da beleza.” “Nem tanto. Ela gostava do deus da guerra, o Ares. E eles namoravam escondido. Mas um dia eu fiz uma rede invisível, prendi os dois, e levei Afrodite e Ares até os outros deuses, só para eles passarem vergonha.” “Você é meio vingativo, né?” “Sou. Mas também sei ser bacana. Eu fiz um monte de coisas para os deuses.” “Tipo o quê?” “Tipo os raios e o escudo de Zeus, o tridente do Poseidon, a armadura de Aquiles, a couraça de Héracles e as flechas de Apolo.”
“Pô, tudo isso?” “É. E as minhas oficinas eram dentro dos vulcões. A principal ficava no Etna.” “Quer dizer que você tinha uma rede de oficinas vulcânicas?” “Isso. Eu trabalhava muito mesmo. Mas tinha uns ajudantes.” “Que nem eu?” “Mais ou menos. Quem me ajudava eram os ciclopes e umas criadas de ouro que eu mesmo fiz. Elas eram iguaizinhas às mulheres de verdade, só que eram douradas. Até falavam.” “Poxa, eram robôs?” “É. Os primeiros robôs da história.” “Eu adoro robô!” “Eu também. Tanto que elas viviam comigo, lá no meu palácio de bronze, que eu mesmo fiz.” “Poxa, um palácio todo de bronze! Você deve ter sido um deus importante.” “Fui mesmo. Até hoje existe um dos templos feitos em minha homenagem. É o templo grego mais bem preservado do mundo! E os turistas podem chegar bem pertinho dele.”
“Legal!” Justo nessa hora a minha mãe chegou, testou o fogão e viu que ele estava funcionando. “Quanto foi?”, ela perguntou para o seu Hefesto. Então ele escreveu um número num papelzinho e entregou para ela. “Tudo isso!?”, a minha mãe gritou. “Que absurdo! Quem o senhor pensa que é? O deus dos fogões?” “Não, só do ferro e do fogo, minha senhora.” “Bah!”, fez a minha mãe. E depois ela pagou o Hefesto, que foi embora mancando.
Escrito por Lelê às 09h26
![]() Lelê e o sapo Príncipe
Hoje eu vou contar uma coisa que aconteceu comigo muuuuuito tempo atrás, quando eu era criancinha e tinha só uns cinco anos. Foi assim, a gente estava num sítio dum amigo do meu pai, e esse amigo dele tem uma profissão que se chama psicólogo, que eu não sei direito o que é, mas eu lembro que eu perguntei para o meu pai se era um homem que fazia psiu e ele disse que não era. Esse sítio era o maior legal. Tinha vaca, cachorro, pato e galinha. E tinha uma casa legal, com uns móveis bem velhos e um monte de quartos. Tinha um só para mim, um para o meu pai e a minha mãe, e um para o psicólogo e a mulher dele. Aí a gente estava lá e a de repente a minha mãe deu o maior grito: Ai! Todo mundo correu para ver o que era, e era que ela tinha visto um sapo no banheiro. A minha mãe morre de medo de sapo. Se ela fosse aquela princesa que tinha que beijar um sapo para ele virar príncipe, ela ia morrer solteira. Então todo mundo chegou no banheiro e viu que a minha mãe estava encostada num canto e o sapo estava olhando para ela. “Matem este monstro!”, ela gritou. Mas aí o amigo do meu pai disse que era só um sapinho, e ele não fazia mal para ninguém, só para as moscas. “Se ele esticar aquela língua dele eu nem sei o que eu faço”, disse a minha mãe. “Calma, calma”, falou o psicólogo. E aí ele pegou uma caixa e com jeitinho colocou o sapo lá dentro. “Acho que o bicho está meio doente”, ele disse. Então eu falei que ia cuidar dele. “Só se ficar bem longe de mim”, a minha mãe avisou. “Eu deixo ele no meu quarto”, eu expliquei. “Então está bom”, a minha mãe falou, “mas tranca a porta.” Bom, aí eu fiquei lá no quarto com o Príncipe. Eu dei esse nome para ele porque tem sapo que vira príncipe, mas esse era um sapo normal, que não vira príncipe. Mas se eu chamasse ele de Príncipe, aí ele já ia ser um príncipe. Deu para entender? Se não deu, deixa para lá. O chato é que o Príncipe estava muito calado e teve uma hora que ele fechou os olhões e não abriu mais, e então eu levei a caixa para o meu pai ver. Ele olhou para o Príncipe, fez uma cara meio triste e disse: “Espera aqui que eu vou mostrar o sapo para o Henrique.” “Não é sapo, é Príncipe”, eu falei. Ele me olhou com uma cara estranha e saiu. Eu peguei e fui atrás dele, bem devagarzinho para ninguém me ver, que eu queria saber o que eles iam fazer com o Príncipe. Então o meu pai disse: “Henrique, acho que o sapo morreu.” “Ah, que pena...”, falou o Henrique. “E acho que o Lelê pensava que ele era um príncipe.” “Ele é tão imaginativo...” “Mas o pior é que o Lelê nunca teve contato com a morte. Eu tenho medo de ele ficar com algum complexo, sei lá. O que a gente faz?” “Acho que o melhor é fazer um ritual para que ele entenda e aceite esta perda.” “Certo. Vamos caprichar então”, disse o meu pai. Bom, depois de umas duas horas ele veio até o meu quarto, sentou na cama e disse: “Lelê, o sapo...” “O Príncipe!” “É, o príncipe... morreu.” “Morreu?” “Morreu. Mas a gente preparou uma cerimônia bem bonita para ele lá no quintal. Vem comigo.” E aí a gente foi e estava tudo bem bonito mesmo. Já era de noite e tinha um monte de velas em volta da caixinha do Príncipe (que agora era um caixão, né?). E fizeram um buraco no quintal para colocar o sapo. Todo mundo estava de preto, só que o psicólogo estava meio sujo de terra. Acho que foi ele que cavou. Então cada um falou alguma coisa bonita. O psicólogo disse: “Que este nobre sapo descanse em paz...” A mulher dele falou: “Tomara que ele encontre muitos sapos no céu.” O meu pai disse: “Tenho certeza de que ele foi um sapo valente, que deixou o mundo melhor, com muito menos moscas.” E a minha mãe falou: “Ele era feio, verde e escamoso, mas era um sapo muito... muito saposo mesmo.” Daí o psicólogo colocou o CD de uma música bem triste e disse: “Lelê, você não quer colocar o seu bichinho na cova?” Então eu peguei a caixa, mas, quando eu ia colocar ela no buraco, o Príncipe fez “Coach!” “Ai, meus deus, ele tá vivo!”, disse a minha mãe. Aí eu não sabia o que fazer. Aquele tal de ritual estava tão bonito, com aquela música, aquelas velas e o que as pessoas tinham dito, que achei que era ruim estragar. Então eu disse bem baixinho para o pessoal: “Vamos matar ele?”
Escrito por Lelê às 09h04
![]() |