
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
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O presente de Natal do Lelê
Esse Natal foi o maior legal! Eu ganhei uns presentes superbons. A festa foi aqui em Santos. Tinha nove pessoas: o meu tio Torero, o meu avô, duas amigas da minha mãe (que se chamam Lourdes e Arlete), um amigo do Dirceu (que se chama Alfredo), e tinha a minha mãe, o Dirceu, a Catarina e eu. O meu pai não veio porque ele agora mora numa cidade chamada Porto Alegre. Bom, a primeira parte do Natal foi a janta. Quer dizer, a primeira parte foi esperar a Lourdes e a Arlete chegarem, porque elas demoraram muito. O meu tio até falou: "elas só vão chegar para o Ano Novo, vamos começar a comer agora!" Mas a minha mãe disse que a gente tinha que esperar, e aí a gente esperou até as onze da noite, que foi quando elas chegaram. Uma coisa legal foi que, quando a gente viu que ela estava chegando, o Alfredo falou: " Vamos fingir que a gente está morto?" Aí, quando a Lourdes e a Arlete entraram e viram todo mundo caído, elas disseram: "Xi, Arlete, a gente demorou demais e eles morreram de fome..." "Poxa, que pena, Lourdes, porque eu trouxe uma mousse de limão que é uma delícia." "E eu trouxe um pudim de leite que derrete na boca!" Aí todo mundo levantou na hora, e elas disseram: "Olha, todo mundo voltou à vida!" "Mais uma façanha da minha mousse." "E do meu pudim."
Bom, depois a minha mãe colocou as coisas na mesa e tinha um monte de coisa mesmo: salpicão de galinha (que é a minha parte favorita), pernil de porco, bacalhau, salada, farofa e arroz (misturado com um monte de treco). Enquanto a minha mãe trazia as comidas, o Alfredo pegou o garfo e a faca, começou a bater na mesa e a cantar assim: "Bacalhau, cadê você? Eu vim aqui pra te comer!" Todo mundo riu, mas aposto que, se fosse eu, tinha levado a maior bronca. Bom, aí, quando já estava tudo na mesa e a gente ia começar a comer, a Arlete disse: "Nós vamos rezar antes, né?" As pessoas responderam "claro!", mas ninguém fez cara de contente. Então as pessoas deram as mãos e a tia Arlete rezou uma reza chamada Pai Nosso e a Lourdes rezou uma chamada Ave Maria. Quando ela acabou, o meu avô disse: "Agora que a gente já rezou, vamos cometer o pecado da gula!", e começou a cortar o pernil. Mas a Arlete falou: "Calma. Eu sei que todo mundo está com fome, mas eu queria falar uma coisa antes." O meu tio fingiu que se matou com a faca, o meu avô quase enterrou a cabeça no salpicão, o Dirceu tapou o rosto com as mãos e o Alfredo fingiu que se escondeu debaixo da mesa. Mas a minha disse: "Os rapazes vão se controlar ou vão querer comer na cozinha?". Aí eles ficaram quietos e a Arlete começou a falar assim: "Eu só queria lembrar uma coisa que todo mundo esquece: que nós estamos aqui não é por causada comida, mas por causa de Jesus. É como se ele estivesse aqui jantando com a gente." "Então acho melhor tirar o pernil da mesa", disse o meu tio, "porque Jesus era judeu e não podia comer carne de porco." "Ninguém mexe no pernil!", disse o meu avô pegando a travessa. "Ninguém vai mexer no pernil", falou a Arlete. "Eu só queria lembrar que hoje é o aniversário de Jesus." "Aniversário? Então vamos cantar parabéns para ele", disse o Alfredo. E aí todo mundo começou a cantar assim: "Parabéns para você, nesta data queria..." A Arlete ficou meio brava e disse que aquilo era um desrespeito, mas a Lourdes disse que tinha achado legal, porque parecia que o Jesus era parte da família.
Bom, depois do parabéns todo mundo começou a comer. Um monte de prato passava na minha frente. Mandavam o pernil para lá, passava o bacalhau para cá, ia a farofa, voltava o arroz, e todo mundo comeu muito. "Acho que se eu engolir mais alguma a minha calça vai arrebentar", disse o meu tio Torero. E a Arlete falou: " Xi, estou vendo que vou levar a minha mousse de volta." "E eu vou levar o meu pudim", disse a Lourdes. "É mesmo tem a mousse e o pudim. Bom, essa calça estava velha mesmo...", falou o meu tio. Então trouxeram uns pratinhos, uma travessona de pudim e uma hipersuperultra tigela de mousse, e todo mundo começou a comer. Teve gente que só comeu mousse, gente que só comeu pudim, gente que comeu primeiro um e depois e outro, e o meu tio botou as duas coisas no prato e comeu elas juntas. "Lá dentro mistura tudo mesmo", ele falou.
Depois disso, a gente foi para a sala e começou o amigo secreto. Eu fui o primeiro a falar. Então eu disse assim: "O meu amigo secreto é muito legal. Ele é muito sabido e tem um pum bem fedido." "É o vovô!", todo mundo gritou. E era mesmo. Aí ele se levantou e foi pegar o presente dele, que era um pijama que a minha mãe tinha comprado para ele. O meu avô abriu a caixa, viu o presente e disse: "Ah, velho sempre ganha pijama... Mas tudo bem, é bom que assim eu faço uma surpresa para as minhas namoradas (o meu avô tem duas). Aí ele entregou o presente dele para o amigo secreto dele, que era o Dirceu. E o Dirceu entregou o presente dele e foi assim até quase o fim. Eu comecei a ficar o maior nervoso, porque ninguém me tirava e eu tinha falado para todo mundo que eu queria ganhar uma guitarra para usar no Guitar Hero. O mais chato é que o meu tio ficava dizendo: "Caramba, acho que ninguém tirou você no amigo secreto... Devem ter esquecido de por o seu nome num papelzinho. Não faz mal, no ano que vem você ganha alguma coisa." Aquilo não tinha a menor graça.
Bom, a minha mãe foi a última pessoa. Então ela disse: "Olha, o meu amigo secreto é um sujeito muito especial. Mas muuuito mesmo. É o sujeito que eu mais gosto no mundo." Eu fiquei pensando: "Será que ela gosta mais de mim, do Dirceu ou o do meu tio Torero, que é irmão dela?" Mas ela olhou para mim e disse: "O que você está esperando, Lelê? Quem mais pode ser?" Eu levantei e fui pegar o meu presente. Era um pacotinho pequeno. E o pior é que dentro dele só tinha um par de meias. "Gostou?", ela perguntou. Eu nem consegui responder nada, só fiquei olhando para ela, parado feito um bobo. Aí ela riu e disse: "Você acha que eu ia de dar um par de meias? Vai olhar atrás do sofá." Aí eu corri e fui olhar atrás do sofá. Sabe o que tinha lá? Errou! Não era uma guitarra de Guitar Hero. Era um violão! Um violão de verdade! E eu acho violão o maior legal! No ano passado eu até tinha dito que queria aprender, mas não deu tempo. Agora, com o violão lá em casa, não vai ter jeito. Eu vou aprender mesmo. E violão é mais legal que a guitara do Guitar Hero, porque a guitarra é legal, mas não é de verdade, e violão é de verdade. Foi o maior presente legal! E eu comecei a tocar naquela noite mesmo. O chato foi que, logo quando eu comecei a tocar, todo mundo foi embora. Só o meu avô é que ficou mais tempo. Parece que ele gostou muito da minha música, porque ele olhava para mim e ria. E depois ele disse para a minha mãe: "Às vezes, usar aparelho de surdez é uma benção!" Deve ser porque assim ele me escuta melhor. Tchau!
Escrito por Lelê às 08h03
![]() Lelê in concert
E ele respondeu: "Não posso." "Por quê?" "Por causa do concerto do piano." Aí eu pensei: "Poxa, legal, o cara conserta piano", e perguntei: "Onde vai ser o conserto?" O Biel disse: "No conservatório. Quer ir ver?" "Sei lá. É legal ver conserto de piano?" "É. Um monte de gente vai participar e no final tem um teatrinho." "Legal! Então eu vou." No dia, quando eu disse para a minha mãe que ia num conserto, ela me colocou uma roupa toda chique. Até me colocou uma gravata borboleta. Blargh! Eu não entendi nada, porque ela sempre diz que é para eu usar roupa velha quando é para eu me sujar, e roupa nova só quando é coisa chique. Depois de um tempo, o Bié e a mãe dele passaram lá em casa para me buscar e a gente foi para o conservatório. Quando a gente chegou lá, eu vi que tinha um monte de cadeira e um palco. E as cadeiras estavam cheias de gente. Daí eu pensei: "Caramba, consertar piano deve ser uma coisa muito legal para todo mundo vir para cá." Então, quando abriram as cortinas, eu vi o piano e ele parecia direitinho. Aí apareceu uma mulher que disse que era a professora da escola, que estava muito contente de que todo mundo estava ali, e que esperava que o conserto deste ano fosse diferente do do ano passado, que ela nem queria lembrar. Então ela saiu e começaram a vir umas crianças (umas pequenas e outras da minha idade) e elas tocavam no piano. E, pelo som que saía, eu vi que ele precisava ser consertado mesmo. Uma coisa que eu achei engraçada é que, depois de cada um tocar, mesmo que tenha tocado o maior mal, todo mundo batia palma. E sempre dava para saber quem eram os pais de quem tocou, porque eles batiam mais palmas que os outros. Ah, e os pais também ficam dando tchauzinho para os filhos. Um menino chamado Carlos até parou de tocar para dar tchau para a mãe dele. E teve outras coisas bem legais que aconteceram. Logo de cara, um menino de uns seis anos chegou até o palco e disse: "O meu nome é Rui e eu vou tocar um chorinho". Só que aí o Rui tropeçou e caiu, e começou a chorar de verdade. A professora foi até lá, mas não adiantou nada. O Rui só parou de chorar quando a mãe dele subiu no palco. Mas aí ele não quis tocar mais nada. Em vez de chorinho, eu escutei foi um chorão. Teve um chamado Paulo que chegou com a camisa toda manchada de geléia. A professora fez um sinalzinho para ele limpar a camisa, então ele passou a mão na camisa e depois tocou piano, e as teclas ficaram todas melecadas. Teve um chamado Mateus que chegou com o cabelo todo duro, de tanto gel que a mãe dele deve ter passado. Uma coisa que gostei é que teve umas meninas. A primeira que apareceu foi uma chamada Carla, e aí eu pensei: "Caraca, ela é o maior lindona e ainda toca piano! Acho que eu estou gostando dela." Mas depois apareceu uma chamada Joceli e tocou melhor ainda, e eu pensei: "Puxa, agora eu gosto é da Joceli." E as duas agradeceram de um jeito bem bacana, que era dando uma dobradinha no joelho e segurando a ponta das saias. O Biel foi o maior bem. O piano nem parecia muito quebrado quando ele tocou. Uma hora que eu achei legal foi quando uma menina tocou a música da Família Adams e todo mundo começou a estalar os dedos. Foi bem legal. E a menina tinha um cabelo preto e comprido. Parecia a Mortícia. Aí veio uma velhinha bem velhinha e disse que o nome dela era Gertrudes e ela tinha oitenta anos e também estava aprendendo a tocar piano. Eu falei para a mãe do Bié que a velhinha devia tocar pandeiro, porque aí ela aproveitava que as mãos delas estavam sempre tremendo. Eu pensei que tinha dado uma baita idéia, mas a mãe do Bié me olhou com uma cara meio feia. Vai ver ela não gosta de pandeiro. Bom, depois que todo mundo tocou piano, a professora disse que as crianças iam fazer uma peça musical, que é um tipo de teatrinho, só que com música. A dona Gertrudes começou a tocar e o pessoal entrou vestido de pássaro, com umas penas na cabeça e um bico no nariz. Só o Biel é que estava de caçador e segurava um rifle. Estava tudo meio chato, mas aí o Rui tropeçou, caiu e começou a chorar. Depois a mão do Paulo, que ainda estava com a mão cheia de geléia, grudou numa das árvores e a árvore caiu, derrubando as outras que nem eu faço com as pedras de dominó. E o legal foi que as bolas de ar se soltaram e começaram a voar. Se bem que umas bateram no cabelo duro do Mateus e estouraram, e a Carla e a Joceli começaram a rir sem parar e o Rui começou a chorar mais forte. O Carlos não ria nem chorava, só ficava dando tchau, e a velhinha, a dona Gertrudes, parou de tocar e começou a tomar uns remédios que ela tinha no bolso. O Biel brincou de dar um tiro na Mortícia, mas ela não gostou e deu um tapa nele, e aí ele deu um empurrão nela e todo mundo começou a brigar. Foi pena para tudo quanto é lado. Tinha uns pais que riam e uns que botavam a mão na cabeça, e a mãe do Carlos subiu e foi lá ficar com ele. E aí teve outros pais que também subiram, e ficou a maior confusão. Para acabar, a diretora entrou no palco e disse: "Bom..., foi um prazer estar com vocês aqui, espero que no ano que vem a gente consiga fazer um concerto melhor..."Mas aí ela olhou para a confusão e disse: "Mas é claro que não vai dar...", e começou a chorar e saiu do palco. Deve ter ficado muito emocionada, porque o teatrinho foi o maior legal mesmo. Melhor que esse não dá para fazer. Acho que até vou pedir para a minha mãe me botar num conservatório.
Escrito por Lelê às 13h25
![]() Leletrospecto 2008
No fim de ano sempre passa uma coisa na televisão chamada retrospecto. Retrospecto é quando a gente lembra das coisas que aconteceram, tipo enchente, medalha de ouro nas Olimpíadas, quem morreu e quem casou. Mas, como eu vou fazer um retrospecto do que aconteceu comigo, não vai ser um retrospecto. Vai ser um Leletrospecto. Este ano eu selecionei essas dez coisas aqui:
1) O maior mico
3) A maior mudança
4) Aventura mais aventurosa
5) Viagem punzística mais doida
6) Desenho mais legal do Doki de eu
7) Coisa mais chata
8) Pior dia do ano
9) O segundo melhor dia do ano
10. O primeiro melhor dia do ano
(Se alguém quiser, pode dizer aqui qual foi o seu melhor dia do ano (ou o pior). Ah, e quem quiser ler as coisas da minha Leletrospectiva, é só clicar nos desenhos que já sai na página certa.)
Escrito por Lelê às 08h37
![]() Um livro diferente
Esses dias, o meu tio Torero me deu um livro diferente. É um livro de dobraduras. Mas não é que ele é cheio de páginas dobradas. É que ele tem umas dobraduras de papel dentro dele e, quando a gente abre as páginas, essas dobraduras viram um negócio bem legal. O nome do livro é Dinossauros, e quem fez foram uns caras chamados Robert Sabuda e Matthew Reinhart. Por fora, o livro é assim:
Mas quando a gente abre, fica assim, ó:
E nos cantinhos também tem umas dobraduras:
Eu achei este tipo de livro legal. E ele conta um monte de coisa sobre os dinossauros. Eu ia gostar de ser um dinossauro. Dinossauro não tinha que escovar os dentes.
Escrito por Lelê às 11h24
![]() Lelê e a risada de Catarina
O meu nome é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê. Quer dizer, todo mundo, não, porque ninguém me chama mais para nada. Agora só chamam a Catarina. O negócio começou quando a gente estava lá em casa e a minha mãe gritou: "Dirceu, corre aqui!" Aí o Dirceu correu até a minha mãe, que estava segurando a Catarina, e a minha mãe disse: "A Catarina riu!"
Eu não achei nada demais nisso, porque eu dou risada o tempo todo e ninguém corre para me ver. "Ela riu de novo! Que lindinha...", disse a minha mãe.
"A minha filhota é tão sorridente... Como ela é simpática...", falou o Dirceu todo bobo. Então eu pensei: "Acho que eles estão gostando desse negócio de risada. Vou até lá rir um pouco". Aí eu fui até os dois e fiquei ali, um tempão parado, rindo para eles. Só que, em vez de eles acharem lindo, a minha mãe ficou olhando para mim com um jeito estranho e disse: "Por que você está fazendo essa cara? O que você quebrou dessa vez?" "Garrafa ou vaso?", perguntou o Dirceu. "Eu não quebrei nada!", eu falei. E depois saí dali com a maior raiva. Bom, aí passou um tempo e chegou a hora do almoço. E eu fiquei pensando assim: "Vai ver eles não tinham gostado da minha risada porque eu tinha rido só um pouco, sem abrir a boca e jogar a cabeça para trás, que nem as pessoas fazem em comercial de televisão." Então, quando o Dirceu falou uma coisa engraçada, que foi "Esse bife está meio 007, duro e com nervos de aço", eu ri com a boca bem aberta e joguei a cabeça para trás. Mas, em vez de a minha mãe dizer "Que lindinho...", ela falou: "Pára de rir de boca cheia, Lelê! Que coisa feia! A gente não precisa saber o que você está mastigando." Poxa, aquilo foi o maior chato. Eles só gostavam da risada da Catarina. E ela nem tem dente! É risada de banguela. O negócio piorou quando o meu tio Torero chegou lá. "A Catarina já está rindo", a minha mãe falou logo para ele. "Sério?", ele perguntou. E foi uma pergunta bem burra, porque ninguém ri sério. Mas a minha mãe respondeu: "É sério." Então o meu tio começou a fazer umas coisas bem ridículas na frente da Catarina. Ele olhava para ela e ficava falando "Cadê, cadê, cadê? Cadê a risada da Catitinha, cadê?", e ficava apertando o queixo dela. Aí ela fez assim:
"Ela riu, ela riu!", ele gritou. E aí todo mundo ficou em volta dela falando: "Cadê, cadê, cadê?" Mas a coisa ficou pior. No dia seguinte tinha um casamento de um amigo do Dirceu. Eu fui com terninho que eu odeio e colocaram um vestido branco na Catarina. E lá na igreja foi o maior saco. Cada vez que a Catarina ria para alguém, falavam "Ah, que lindinha...". E o pior é que todo mundo ficava na frente dela, balançando a cabeça e falando umas bobeiras, tipo: "Dá uma risadinha para a titia, dá..." "Cadê o dentinho da neném?" "Bapapipupu, bapapipupu!" E ela ria para todo mundo.
Eu achei aquilo o maior chato. Ninguém pedia para eu rir. E se pedissem eu não ia rir, porque eu estava de saco cheio. Depois a gente voltou para casa. Aí o Dirceu foi tomar banho e a minha mãe foi arrumar a mamadeira da Catarina. Então ela disse: "Olha um pouco a sua irmã para mim, tá, Lelê?" Aí eu fiquei olhando para ela. E ela começou a rir. No começo eu pensei: "Nem adianta rir para mim, porque eu não vou cair nesse seu truque." Mas ela continuou rindo. E riu e riu e riu, e riu até de boca aberta, que nem o pessoal do comercial. Nessa hora a minha mãe entrou na sala e disse: "Nossa, Lelê! Olha como ela rindo para você! Ele deve te adorar, porque ela não ri assim para mais ninguém." "Para mais ninguém?" "Para mais ninguém. Essa risadona é só para você." Aí eu olhei para ela e ela estava dando uma risadona assim:
E eu achei ela o maior bonita. Até inventei um nome novo para ela: Catarrisadinha. Porque ela gosta de dar risadinhas. Quer dizer, para os outros ela dá umas risadinhas. Para mim é risadona. Porque a Catarina me adora.
Escrito por Lelê às 09h41
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