BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

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Este blog é atualizado às sextas.
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Lelê e a deusa que vende livros

Esses dias, eu estava com o meu tio e a gente entrou numa livraria. Ele não ia comprar nada, mas ele gosta de entrar em livraria só para colocar os livros dele na frente dos dos outros. O meu tio é meio doido.

Bom, enquanto ele procurava os livros dele, eu fui dar uma olhada na parte de criança (para colocar o meu na frente do dos outros também, né?). Aí veio uma funcionária bonita, com um broche de coruja, e me perguntou assim:

“Oi, você está procurando algum livro especial?”

E eu respondi: “‘As primeiras histórias de eu’.”

“Acho que eu nunca ouvi falar desse livro.”

“Ah, é que o nome certo é ‘As primeiras histórias do Lelê’. Eu falei ‘de eu’ porque o Lelê sou eu, entendeu?”

“Entendi”, ela disse. Aí esticou a mão e falou: “Muito prazer, Lelê. Meu nome é Atena.”

“Antena? Poxa, o seu pai devia gostar muito de televisão! O seu irmão se chama Controle Remoto?”

“Não!, rá, rá. Meu nome é A-te-na. E eu tenho um monte de irmãos, mas nenhum chamado Controle Remoto. Eles têm nomes comuns, tipo Hermes.”

“O carteiro?”

“Esse mesmo!”

“E você é sobrinha do Poseidon, o guarda-vidas?”

“Sou.”

“Caramba! Assim eu vou conhecer a família toda.”

“Acho difícil, é uma família bem grande.”

“Posso perguntar uma coisa?”

“Já perguntou.”

“Já?”

“Já. Perguntou se pode perguntar uma coisa.”

“Xi, é mesmo. Bom, posso perguntar um monte de coisa?”

“Pode.”

 Meu tio disse que a coruja é o símbolo da Atena. Acho que por isso que ela estava usando aquele broche.

“Você também é uma deusa do Olimpo?”

“Ah, já vi que meu irmão e o meu tio andaram falando demais, né? Bom, eu sou uma deusa, sim. A deusa da sabedoria.”

“Ser deus deve ser legal. Eu queria ser uma menino-deus, cheio de poderes. Você usava os seus poderes quando era criança?”

“Não deu, eu já nasci adulta.”

“Sério? Poxa, sua mãe deve ter ficado com uma barriga gigante.”

“Eu nasci de dentro do meu pai.”

“Aica! Agora eu não estou entendendo mais nada.”

“É o seguinte, meu pai, o Zeus...”

“Já ouvi falar dele.”

“... então, quando ele soube que a minha mãe, a Métis, estava grávida, ele não gostou e engoliu a coitada.”

“Inteira?”

“Inteirinha. De uma bocada só. E comigo dentro. Mas aí, passaram uns dias e ele ficou com a maior dor de cabeça. Então chamou o Hefestos, que era o ferreiro lá do Olimpo, e mandou que ele lhe abrisse a cabeça.”

“E como é que o Hefestos fez isso?”

“Ele pegou um machado de ouro e pimba! Abriu a cabeça de Zeus.”

“Puxa!”

“E eu saí de lá. Já adulta. E armada para a guerra. Com escudo e espada.”

“Ai, caramba!”, eu falei imitando o Bart Simpson.

“Pois é. E depois eu dei uns presentes para a humanidade: as rédeas para dominar os cavalos, o arado, o ancinho, o carro de guerra...”

“Presentes legais!”

“Mas o melhor foi a oliveira.”

“O Oliveira. O cara da farmácia lá perto de casa?”

“Não. A oliveira. O pé de azeitona.”

“Ah...”

“Eu dei a oliveira de presente para a minha cidade: Atenas. Depois disso é que os homens começaram a cultivar azeitonas e a fazer azeite.”

       

“O pessoal lá de Atenas devia gostar de você.”

“Muito. O meu templo, o Partenon, era lindo. E eles faziam grandes festas para mim, as Panatéias. Nessa época, todas as pessoas da região iam para Atenas, e tinha três tipos de competição: as de corrida, as de luta e as de poesia ou música. Os vencedores ganhavam um vaso cheio de azeite e...”

“Eu gosto de azeite na salada.”

“... e uma das corridas era a 'lampadodromia'. Era uma prova de revezamento disputada por cinco equipes, cada uma com quarenta atletas. Os atletas tinham que passar uma tocha de um para outro, e o fogo não podia apagar. Ganhava a equipe que acendesse a fogueira colocada no Altar de Prometeu, que era a linha de chegada.”

“Competição é legal, mas eu sempre perco. Eu corro o maior devagar.”

“Ninguém gosta de perder, nem eu. Teve uma vez que uma tal de Aracne me desafiou: ela disse que podia fazer uma tapeçaria melhor do que eu, uma deusa. Eu aceitei o desafio e cada uma de nós fez uma tapeçaria.”

“Quem ganhou?”

“Bom, eu não vi nenhuma falha na tapeçaria dela. Aí fiquei com tanta raiva que rasguei o trabalho da Aracne. Ela ficou tão triste que tentou se enforcar. Mas eu fiquei com pena e transformei a corda numa teia. E a Aracne, numa aranha.”

“Uau! Você é bem brava!”

“Principalmente com quem tira os livros do lugar”, ela falou bem séria.

Aí eu coloquei o meu livro atrás de todos, fui até o meu tio e disse: “Tio, se você não quiser comer mosca o resto da vida, vamos embora!”

E aí eu saí correndo da livraria.

Escrito por Lelê às 07h54
Lelê e Cidão

 

Na quarta-feira fez sol aqui em Santos, e aí a minha mãe disse assim: “Lelê, vamos tirar o mofo?”

Eu olhei para as minhas mãos, para ver se tinha algum pedaço verde, mas não tinha.

“Eu quero dizer que a gente podia ir na praia pegar um pouco de sol”, ela falou.

“Legal!”, eu disse.

Então eu peguei uma bola e ela pegou uma cadeira, uma esteira, uma toalha, e a gente foi para a praia.

Só que aí, em vez de ela brincar comigo, ela ficou lendo um livro. Pô!, se era para ler, por que ela não ficou em casa? Na praia tem que jogar bola ou fazer castelo, né?

Bom, depois de um tempão sem fazer nada, que foi quase um minuto inteiro, eu apontei para um guarda-vidas que estava ali perto e disse: “Posso ir conversar com ele?”

E a minha mãe disse: “Pode, mas não atrapalha, porque o trabalho dele é muito importante.”

Aí eu peguei e fui.

Quando eu cheguei lá perto do guarda-vidas, que fica numa cadeira legal, que nem essa aí em cima, eu disse: “Oi.”

E ele, que era bem fortão e tinha uma barbona, respondeu: “Oi.”

“O senhor é um guarda-vidas, né?”

“Sou.”

“A minha mãe disse que o seu trabalho é muito importante.”

“Bom, acho que é mesmo.”

“Mas eu nunca vejo ninguém se afogando.”

“Ainda bem. Quanto menos eu trabalhar, melhor para todo mundo. E você também nunca vê ninguém se afogando porque, quando eu vejo alguém muito no fundo, já sopro meu apito e peço para ele voltar.”

“Deve ser o maior difícil salvar alguém que está se afogando.”

“Para mim, não, porque eu mando as ondas trazerem as pessoas de volta.”

Aí eu achei aquilo o maior estranho e disse: “Ein?!”

Ele desceu da cadeira e falou bem baixinho: “É que, na verdade, eu sou Poseidon, o deus do mar.”

“Poseidon?”

“Mas o pessoal da praia me chama de Cidão.”

 O Cidão é meio parecido com esse cara, só que usa bóia em vez de tridente.

“Pô, que coincidência! Na semana passada eu encontrei com o Hermes, o deus-carteiro.”

“Ele é meu sobrinho. É filho do Zeus, meu irmão.”

“Pô! E o senhor morava no tal do Olimpo, que nem o Hermes.”

“Não, em Atlantis.”

“Ah... E o senhor saiu de lá por quê? O Hermes disse que ele saiu porque as pessoas não acreditam mais nos deuses gregos.”

“Eu também. Aí arranjei este emprego de guarda-vidas. A gente tem que se adaptar, né?”

“Uma vez eu vi num livro que o senhor tinha um tridente, e não essa bóia aí.”

“O tridente não é muito bom para tirar as pessoas da água.”

“O meu tio disse que ele queria ser salva-vidas, porque vocês ficam o dia inteiro na praia e devem arranjar um monte de namoradas.”

“Olha, eu não posso me queixar das namoradas, mas nos meus tempos lá na Grécia era melhor.”

 “O senhor teve muitas?”

“Assim, ó!”, ele disse juntando as pontas dos dedos. “Namorei a Amimone, a Anfitrite, a Hália, a Medusa, que tinha um cabelo bem diferente, e a Teosa. Com a Teosa eu tive um filho que eu gosto muito, o Polifemo.”

“Ele também mora em Atlantis?”

“Não, mora na Sicília, do lado de um vulcão chamado Etna.”

“Deve ser meio quente.”

“Ele gosta de calor.”

“O Polifemo também é guarda-vidas?”

“Não, ele preferiu ser pastor de ovelhas.”

“Isso deve ser um emprego legal. Só tem que ficar de olho nas ovelhas.”

“É o que ele fazia, ficava de olho nas ovelhas. E com um olho só, porque ele só tinha um, bem no meio da testa.”

 Se o Polifemo usasse óculos, ia pagar só metade do preço.

“Poxa!”

“Mas o pior é que o Polifemo, coitado... ficou cego”, disse o Cidão quase chorando.

“Xi...”

“Tudo por causa do Odisseu...”

“Do Dirceu? O Dirceu é o marido da minha mãe!”

O Dirceu, não. Odisseu!”

“Ah, bom...”

“O Polifemo estava fazendo uma boquinha, comendo uns marinheiros, porque ele gosta de frutos do mar, quando o Odisseu espetou uma vara no único olho dele.”

“Aica!”

Pois é. E aí o Odisseu fugiu. Mas eu não deixei barato. Fiz ele ficar indo de um lado para o outro no mar por dez anos.”

“Pô, o senhor é meio mau.”

“Todo mundo é um pouco mau, meu garoto, até os deuses e os guarda-vidas.”

Nem deu tempo para eu falar nada, porque nessa hora a minha mãe gritou assim: “Lelê, chega de sol! Vamos para casa!”

Aí a gente juntou as coisas e começou a voltar. Então, no caminho, eu perguntei para ela:

“Mãe, sabe onde mora o guarda-vidas?”

“Não. Onde?”

“Em Atlantis.”

“Aquele prédio ali no Embaré?”

“Tem um prédio com esse nome?”

“Tem. Fica do lado do edifício Sicília.”

"Onde fica esse edifício?"

"Naquela esquina onde sempre tem um cego vendendo balinhas."

“Caramba, o mundo é cheio de coincidências!”

Escrito por Lelê às 07h10
Lelê e o deus carteiro

Um cara que eu acho legal é o Hermes. Ele é o carteiro que leva as coisas lá no meu prédio. Mas ele não é carteiro que anda a pé. É carteiro que anda de moto.

Ser carteiro deve ser o maior divertido, porque você fica o dia todo passeando, conhece o nome de tudo quanto é rua e usa uniforme.

Ontem, quando o Hermes chegou, eu disse: “Oi, Hermes!”

E ele respondeu: “Oi, Lelê.”

Então eu falei: “Hermes, acho que eu quero ser carteiro quando crescer.”

“É uma profissão muito boa mesma. Pelo menos quando os cachorros estão presos.”

“Você já levou muita mordida?”

“Já, claro, afinal eu sou carteiro há milhares de anos.”

“Hein?”

Ele se abaixou e cochichou no meu ouvido: “Na verdade, eu sou Hermes, o deus grego.”

Aí eu cochichei no ouvido dele: “Acho que você pegou muito sol na cabeça e ficou doido.”

Ele fez uma cara de chateado e disse. “Tá vendo? Ninguém mais acredita na gente. Por isso que os deuses tiveram que descer do monte Olimpo e procurar trabalho.”

“Sei... E você virou carteiro?”

“É claro. Hermes é o deus das mensagens, daí eu achei que era um bom emprego para mim.”

“Então prova que você é um deus!”

“É fácil, olha aqui no meu capacete. Tá vendo?”

“Tem dois decalques de asinhas coladas.”

“Então, todo mundo sabe que o Hermes tinha duas asas no seu capacete, que era para ele se mexer rápido de um lugar para outro.”

 O Hermes é parecido com este cara aqui do lado. Mas as asinhas são diferentes. E o capacete desse cara é meio ruim para andar de moto. 

“Ainda não me convenceu.”

“Então olha essa foto aqui.”

“É você do lado de um cara bonitão e de um barbudo.”

“O barbudo é meu pai, Zeus. E o bonitão é o meu irmão, Apolo. Coitado, eu aprontei à beça com ele.”

“O que que você fez pro seu irmão?”

“Logo que eu nasci, eu consegui me livrar das fraldas, fui até onde ele guardava um rebanho, peguei cinquenta novilhas e escondi todas numa caverna. Aí eu voltei para o berço e fiquei lá bem quietinho. He, he...” 

“Você fez isso quando era bebê?”

“Eu fui uma criança muito precoce.”

“E o seu irmão não reclamou?”

“Claro que reclamou. Ele descobriu tudo e me levou até Zeus. Mas aí, eu encontrei uma tartaruga morta, peguei o casco e as tripas dela, fiz uma lira, que é assim um tipo de harpa, e dei para o meu irmão. Então o Apolo me perdoou e até me deu um cajado de ouro de presente.

"Cajado?"

"É que nem uma bengala."

“Ah, legal!”

“Legal mesmo é que um dia eu vi duas cobras brigando, tentei separar as duas e elas ficaram para sempre no cajado. Ele se chama caduceu. É esse aqui, ó:”

E aí ele me mostrou uma tatuagem na canela dele que era assim:

“Mas cadê o cajado de verdade?”

“Na moto é difícil de carregar, né? E tatuagem é mais moderno.”

“Ah, tá...., quer dizer que você ganhou um cajado de ouro porque inventou a lira?”

“É. Eu sou meio inventor. Tanto que fui eu quem criou as letras e os números.”

“As letras e os números?! Poxa, então por sua causa é que tem aula de português e de matemática?”

“Pois é.”

“Muita gente lá na minha classe te odeia.”

“E eu também inventei a balança.”

“Então você não pode nem aparecer na frente da minha mãe, porque, sempre que ela vai na farmácia, ela se pesa e diz: ‘Se eu encontrasse o cretino que inventou a balança...’”

“Ah, as mulheres... sempre se preocupando com a beleza... Adoro mulheres... Eu tive muitas namoradas, sabe?”

“É? Alguma famosa? Tipo assim a Camila Pitanga?”

“A Camila Pitanga, não, mas eu namorei a Dríope, a Acalalis, a Herse, a Eupolêmia, a Antianira, a Equion, a Lara, a Afrodite, a Perséfone... Com essa eu tenho uma história bem emocionate, tipo história de detetive, porque a Perséfone foi sequestrada por um tal de Hades e eu tive que ir atrás dela. Me meti num buraco que você não acredita, mas trouxe ela de volta. Só que a Perséfone acabou gostando do tal do Hades, e aí ficava metade do tempo com os pais e metade do tempo com ele.”

“Caramba, que história legal!”

“O Olimpo é um lugar agitado.”

“E você volta para lá de vez em quando?”

“Vou para lá agora. Tchau!”

E aí o Hermes saiu voando na moto dele.


Escrito por Lelê às 09h17
Entrevistando Gabriel, o vereador da Lelelândia

Bom, quem ganhou a eleição para vereador foi o Gabriel. Aí eu resolvi fazer uma entrevista com ele. E chamei o meu tio Torero para me ajudar. A conversa foi assim:

Tio Torero: Vamos começar pela sua ficha policial. Qual o seu nome, sua idade e onde você nasceu?

Gabriel: Gabriel Souza Basílio, eu tenho 8 anos e nasci em São Paulo (no hospital Leão XIII).

Lelê: Que coisa que você mais gosta de fazer?

Gabriel: Faço natação e kumon, e no sábado faço kung fu (ainda sou faixa amarela). Quero fazer aula de violão e acho que vou fazer junto com meu pai. Leio livros de aventuras e terror (meu tio encomendou num sebo um livro da série Goosebumps, que ele disse que são de arrepiar), gosto de caminhar com meu vô até a escola de kumon. Quero viajar pra Grécia por causa da mitologia grega e pra Espanha porque minha bisavó era de lá

Lelê: Caramba, a minha também!

Tio Torero: Como é que você teve a idéia da sua candidatura?

Gabriel: Minha mãe ligou o computador e foi para o blog do Lelê. Quando viu o anúncio, logo me chamou. Adorei a idéia de me candidatar. Chamamos meu tio para criar o slogan e o tema da candidatura. Ele ficou todo alegre, pois disse que ia virar marqueteiro, arrecadar um monte de dinheiro e ficar rico. A idéia de todo mundo ler mais é legal, porque lendo a gente viaja e aprende sem gastar um dinheirão.

Lelê: Aquela foto ficou o maior legal! Você leu mesmo todos aqueles livros?

Gabriel: Alguns daqueles da foto eu não li. Só que também li outros que não apareciam na foto. Comecei a ler Viagem ao Centro da Terra mas achei muito difícil. O último que li foi O Menino do Dedo Verde.

Lelê: Dedo verde? Deve ser por causa da meleca do nariz.

Tio Torero: Sem comentários nojentos! Concentração, Lelê! Vamos voltar para a entrevista. Qual o livro que você mais gostou até hoje?

Lelê: Não vale falar nenhum do meu tio.

Tio Torero: Então também não vale o do Lelê.

Lelê: Poxa...

Gabriel: Gostei muito do livro "Mais respeito, eu sou criança", de Pedro Bandeira e outro que gosto também é "O Livro Perigoso Para Garotos", de Conn Iggulden/Hal Iggulden.

Tio Torero: O que você quer ser quando crescer?

Gabriel: Quero dar a volta ao mundo, pintar um quadro, escrever um livro, ir até o espaço (ser astronauta) e ser cientista daqueles bem malucos. Mas eu ainda não escolhi do quero trabalhar.

Lelê: Qual é o seu brinquedo favorito?

Gabriel: Carrinhos daqueles de miniaturas, o jogo Cara a Cara da Marvel e minigolfe.

Lelê: E de que comidas que você gosta?

Gabriel: Macarrão, ovo frito, brócolis, almôndegas e os bolinhos de chuva que minha vó faz.

Tio Torero: Você tem irmãos?

Gabriel: Tenho, a Laura Maria.

Lelê: Ela é legal?

Gabriel: É, e bem bagunceira. Quando me vê fica feliz e grita pra que eu brinque com ela. Só agora estamos começando a brincar mais, porque ela só tem 1 ano e 10 meses. Mas quando ela mexe nas minhas coisas (brinquedos e coisas da escola) eu não gosto.

Lelê: Você ficou com ciúme dela? (porque todo mundo acha a Catarina o maior linda).

Gabriel: É claro, mas depois que minha mãe me explicou que isso é normal, eu fiquei mais tranquilo, porque eu achava que estava fazendo alguma coisa errada.
 
Lelê: Às vezes eu chamo a Catarina de Cagarina porque ela faz cocô o tempo todo.  Você deu um apelido para a sua irmã?

Gabriel: Não, mas meu tio chamava ela de "bichinho" e agora chama ela de "feijãozinha".

Lelê: Inventa um agora!

Gabriel: Tatuzita, porque às vezes ela se enrola e fica parecendo um tatuzinho.

Tio Torero: Você também tem um tio?

Gabriel: Tenho o tio Fernando e ainda tenho uma tia, a tia Claudiane, que é muito legal e grandona igual uma girafa e toda desastrada.

Lelê: O seu tio come na casa da sua mãe que nem o meu?

Gabriel: O tio Fernando come muito quando vai em casa e sempre diz que vai comer todos os queijos, pães e beber todos os vinhos, porque ele acha que é daquelas épocas medievais e que a comida dessa época era assim. Além de comer, sempre que ele vai em casa fica jogando um tempão Burnout no Playstation, porque ele não tem na casa dele.

Tio Torero: Ah, ser tio é ótimo... Você tem uma criança para brincar e não precisa lavar as fraldas...

Lelê: Concentração, tio! Gabriel, qual o desenho que você gosta mais?

Gabriel: Ben 10, Padrinhos Mágicos, Looney Tunes Lunáticos e Turma da Mônica.

Lelê: Um dia você vai querer ser vereador de verdade?

Gabriel: Não, porque parece que eles não fazem nada de legal.

Lelê: Mas se você fosse vereador, que lei que você ia inventar?

Gabriel: Eu ia criar um monte de brinquedotecas, que seriam bibliotecas de brinquedos pra gente brincar e escolher os brinquedos que acha mais legal pra depois comprar. Ia ter um monte de livros pra doação, seriam doados junto com aquelas latas de leite que distribuem em uns lugares. E gente que jogar lixo no chão depois ia receber o lixo dentro de casa, bem no meio da sala.

Lelê: Legal! Eu ia votar em você.

Tio Torero: bem, obrigado, acho que é só.

Lelê: Tchau, Gabriel!

Gabriel: Tchau!

 

 


PS: A gente conversou por internet. O desenho lá de cima é só brincadeira do Doki, que é quem faz os desenhos aqui do blog.

PS2: O Gabriel deu três idéias para o texto da semana que vem: mitologia grega, a escola dele e Zumbi dos Palmares.

 

Escrito por Lelê às 23h11
Votação encerrada!

Agora é meia-noite (mais uns minutos) e o resultado final ficou o seguinte:

1-) Gabriel: 33,33%

2-) Linda: 27,53%

3-) Bia Cascuda: 9,60%

4-) Gugula: 8,84%

5-) Rebeca: 8,59%

6-) Zé Bonitão: 3,79%

7-) Luísa: 3,28%

8-) Guga e Alice: 1,77%

10-) Lucas: 1,52%

Quer dizer que o vereador da Lelelêndia é o Gabriel. A Linda é a suplente, que é que nem professora substituta, aquela que fica no lugar da professora quando ela falta. No sábado eu vou fazer uma entrevista com o Gabriel.

Escrito por Lelê às 00h13