
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
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Este blog é atualizado às sextas.
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Fotos da viagem
O meu tio corre muito na estrada, mas mesmo assim deu para tirar umas fotos:
Escrito por Lelê às 22h52
![]() Mais três heroínas
Essa aqui de baixo é da Alice.
Essa aqui do meio é da Sofia.
E essa aqui de cima é da Ana Rebeca.
Escrito por Lelê às 06h45
![]() A vida de Lelê não está um mar de rosas
Ontem eu e o meu tio Torero chegamos lá da viagem que a gente fez para ver umas partidas de futebol. Mas aí, quando a gente estava chegando em São Paulo, ele fez um caminho estranho.Então eu disse: “Ué, tio? Esse não é o caminho da minha casa.” “É sim. Você esqueceu que mudou?” “Aica! É mesmo.” E aí ele pegou a estrada para Santos e a gente foi para lá. Eu achei isso bem estranho. Eu nunca mais ia morar naquele apartamento que eu morei com a minha mãe e o meu pai. E nem ia morar mais com o meu pai. Agora ia ser com a minha mãe e o Dirceu, que é namorado da minha mãe (quer dizer, não é mais namorado, é marido, porque mora junto com ela, mas não é aquele marido de igreja, porque eles não casaram). E eu também não ia mais ver os meus amigos: o Zepa, o Aurelius, o Zóio, a Blimunda... Aí começaram a cair umas lágrimas dos meus olhos, mas não é que eu estava chorando feito nenenzinho fazendo buá, é que o olho estava vazando. Depois de um tempo, ele disse: “Por que você está tão calado? Um gato comeu sua língua? Não, ela é muito grande. Um gato não ia dar conta. Tinha que ser um tigre.” Eu não achei a menor graça e continuei calado. Aí a gente chegou em Santos e foi até a casa onde eu vou morar, que é uma casa legal. Mas o mais legal é que quando o meu tio tocou a campainha a minha mãe apareceu e correu para me pegar, e se tem uma coisa que é legal é quando a gente chega de viagem e a mãe da gente vem, dá um grito e aperta a gente. “Ai, até que enfim, meu filho! Como você demorou para voltar! Agora chega de viagem, hein? Não deixo você ir nem na padaria. Vai só ficar comigo assim, bem abraçado.” “Não tô respirando, mãe.” Então ela me soltou um pouco e perguntou: “Já respirou?” “Já.” “Então vou apertar de novo.” E ela me apertou de novo quase me quebrou todo. Isso foi legal! Daí apareceu o Dirceu e disse: “Caramba, pensei que essa viagem não acabava!” E ele também meu deu um abraço e perguntou: “Quer ver o seu quarto?” Aí a gente entrou e foi ver a casa, e o meu tio pegou as malas e veio atrás dizendo: “Tudo bem, eu levo tudo sozinho, eu nem tenho hérnia de disco mesmo...” A casa ficou bem legal. E ela tem dois andares, o de cima e o de baixo. No de baixo tem uma sala grande (que é boa para fazer bagunça, mas eu não vou fazer logo no primeiro dia, né?), um banheirico, uma cozinha e um quintal, mas com o chão de azulejo (ia ser mais legal se fosse grama). Lá em cima tem um banheiro grande e três quartos: um para a minha mãe e o Dirceu, um para o escritório da minha mãe e um para mim e a minha irmã que vai nascer. Lá tinha uma cama e um berço. E tinha uma coisa bem ruim: as paredes eram cor-de-rosa. Cor-de-rosa!!! Aí eu falei: “Isso é um quarto de menina! Eu não posso ficar aqui!”
A minha mãe falou. “Quando você era pequeno, você também teve um quarto todo azul.” “Mas agora o quarto não é só dela! Tem que pintar metade azul e metade cor-de-rosa.” “Eu até pensei nisso, mas ia ficar horrível!”, ela disse. “Bom, eu não vou dormir aí”, eu falei. “Não?”, ela perguntou. “Não. Eu vou dormir na quitinete do Tio Torero, que é aqui perto.” “Eu sabia que ia sobrar para mim...”, disse o meu tio olhando para o teto, que pelo menos era branco. “Não tem nada disso!”, falou a minha mãe. “A sua casa é essa aqui e o seu quarto é este.” “Não é, não!”, eu respondi. “Isso aqui é um sorvete de morango gigante. E eu nem gosto de sorvete de morango.” “Esse negócio de sorvete me deu uma fome...”, disse o meu tio. “Não tem nada na geladeira?” “Tem sorvete de morango”, o Dirceu falou. “Viu? Eu falei! Agora aqui tudo é cor-de-rosa!”, eu disse. Então o meu tio falou: “Eu não tenho preconceito de cor”, e foi comer o sorvete. Todo mundo estava na cozinha e ninguém falava nada. Só o que dava para escutar era o meu tio tomando sorvete. Só que ele é o maior desastrado para comer e sempre cai um pouco na roupa dele. E dessa vez também caiu. “Droga! Minha camisa do Santos!”, ele reclamou. E aquela era uma camisa bem legal, porque não era a branca nem a listrada de branco e preto. Ela era uma listrada de azul e branco, que nem que foi a primeira camisa do Santos, uns duzentos anos atrás. Eu fiquei mais chateado ainda: “Pronto, agora até a camisa do Santos ficou cor-de-rosa. Tudo aqui é cor-de-rosa.” Mas o Dirceu ficou olhando para a camisa do meu tio de um jeito estranho e depois falou: “Peraí, e se a gente fizesse isso?”, e aí ele pegou mais um pouco de sorvete e espalhou nas listras brancas. “Ótima idéia!”, falou a minha mãe. “Que idéia que é ótima? Melecar a minha camisa?”, reclamou o meu tio. E o Dirceu explicou: “Não. Pintar o quarto de listrado. Uma faixa azul e outra rosa. A gente compra um papel de parede azul e conserta tudo rapidinho.” “É..., pode ficar bem bonito”, disse a minha mãe. “O que você acha, Lelê?” Aí eu pensei que, se ele ia ser listrado, ia ser metade de cada cor, e isso era justo. Então eu disse: “Tá bom.” E aí todo mundo ficou contente (menos o meu tio, que ficou perguntando: “E a minha camisa, quem é que lava?”).
Escrito por Lelê às 16h46
![]() Mais uma heroína
Essa aí quem inventou foi a Luciana.
Escrito por Lelê às 16h37
![]() A estréia de um novo herói
Uol Crianças orgulhosamente apresenta: Super-Lelê contra as estátuas gigantes Foi assim que tudo aconteceu: Eu estava com o meu tio numa cidade chamada Brejo da Madre de Deus, que é perto de uma cidade chamada Caruaru. Aí a gente passou por uma placa onde estava escrito: “Parque das Esculturas”. Eu pensei que era um lugar chato, tipo museu, mas aí o meu tio falou que tinha umas esculturas gigantes, e eu disse: “Legal! Tudo que é gigante é legal!” “Pena que a gente está atrasado e não vai dar para ir.” “Pô, me leva lá, tio...” “Não dá.” “Me leva lá, tio...” “Não dá.” “Me leva lá, tio...” “Tá certo....” “Me leva lá, tio...” “Já concordei, Lelê.” “Ah, desculpe. É que com a minha mãe eu tenho que repetir sete vezes.” Aí a gente foi até lá. Não tinha ninguém no tal parque, só um velhinho que abria a porteira. Esse parque é bem engraçado, porque a gente entra de carro e fica passeando lá dentro, indo de uma estátua para outra, depois para outra, para outra e tal. O meu tio ficou anotando umas coisas num caderno (ele anota tudo num caderninho para escrever depois) e eu tirei um monte de fotos. Mas aí, quando o meu tio viu uma espécie de touro de pedra, ele falou assim: “Lelê, eu vou montar naquele touro e você tira uma foto.” “Será que a estátua aguenta, tio?” “Pô, eu não engordei tanto assim, Lelê. E capricha na foto. Vai ser o Torero no touro, entendeu?” “Entendi.” “E por que não riu?” “Porque não achei graça.” “Mais um crítico...” Então ele sofreu um bocado para subir no touro de pedra, montou no bicho e eu tirei essa foto.
Aí é que aconteceu o negócio. De repente a estátua começou a pular que nem cavalo de rodeio e atirou ele para longe. Então, antes que a estátua pisasse no meu tio, eu virei o Super-Lelê! Os meus óculos se transformaram em superóculos com visão de raio-x e telescópica, minha mochila virou um jato, meus tênis atômicos com luzinhas acumularam energia e o meu relógio que solta raios se preparou automaticamente para a luta. Daí eu voei superrápido e tirei o meu tio do chão. Só que eu tinha esquecido de carregar as baterias atômicas dos meus jatos e eles logo pifaram. Foi quando aconteceu uma coisa terrível: todas as estátuas do parque ficaram vivas e começaram a cercar a gente! Veio o homem com uma enxada, e só ela já era maior que uma pessoa,
veio um bem alto com uma pedrona na cabeça, veio um montado num burrico, mas sem a parte de trás, veio um Lampião e uma Maria Bonita, os dois com rifles de pedra que soltavam balas de pedra,
e veio até uma banda fazendo um barulho horrível (porque os instrumentos de pedra não são muito bons).
Então a estátua do Lampião falou: “Agora vocês vão aprender a respeitar as estátuas, seus cabras da peste!” O meu tio ficou com o maior medo e disse: “E agora, Lelê?” “Lelê, não. Super-Lelê!” “Tá bom, e agora, senhor Super-Lelê?” Eu respondi: “Agora eu vou destruir as estátuas com meus superraios!” Então eu soltei um monte de raios nas estátuas, mas nem aconteceu nada com elas, porque os raios só desintegram coisas vivas e não fazem nada com as pedras. “Você tem outra arma?”, falou o meu tio com o maior medão. E eu disse: “Calma, nada tema. Com Super-Lelê não há problema.” Daí eu dei superchutes com meus supertênis (que acendem uma luzinha no calcanhar) nas estátuas. Mas os meus superchutes só quebram ossos, e pedra é mais dura do que osso, então não adiantou nada de novo.. “Você tem mais alguma arma?”, o meu tio Torero me perguntou. “Não”, eu disse. “Então é o nosso fim... Bom, pelo menos não vou ter que escrever o texto de amanhã”, ele falou olhando para o caderno de anotações dele. “É isso!”, eu gritei. Então eu peguei as folhas do caderno do meu tio, fiz umas bolas, comecei a atirar elas nas estátuas e elas foram ficando duras de novo. Eu fui gastando todas as folhas do caderno do meu tio, e com a última eu acertei a última estátua, que era a do Lampião. O meu tio não entendeu nada. “Como é que você sabia que essas bolas de papel iam parar as estátuas?”, ele perguntou. “Elementar, meu caro tio. Você nunca jogou joquempô?” “O quê?” “Pedra, papel e tesoura.” “Já.” “Então, o que ganha da pedra? O papel.” “Ah...”, ele fez com uma cara que queria dizer “Entendi...” Daí a gente entrou no carro e saiu dali bem rápido. Quando a gente já estava bem longe, o meu tio deu um tapa na cabeça e disse: “Droga, fiquei sem minhas anotações! Agora como é que eu vou escrever minha reportagem?” “A gente pode voltar”, eu falei. “Voltar naquele parque? Não, não, deixa para lá.” “Mas o pessoal do UOL não vai ficar bravo, tio.” “Vamos fazer assim: você escreve o que aconteceu aqui, e eles vão entender.” “Tá bom.” E é por isso que eu escrevi essa história aqui hoje. E é por isso que o meu tio não escreveu nada lá no blog dele. Tchau!
Escrito por Lelê às 07h46
![]() Aviso
Não perca, neste sábado: Super-Lelê contra as estátuas gigantes
Escrito por Lelê às 17h32
![]() Dois super-heróis superlegais
Esse aqui embaixo é o Super-Pai. Foi o Tiago que inventou.
E este aqui em cima é o Super-Fast-Food. Quem inventou ele foi a Ana Rebeca.
Escrito por Lelê às 17h41
![]() Sete coisas legais e três ruins
Eu estou viajando com o meu tio Torero para ver uns jogos de futebol e estou vendo um monte de coisas diferentes. Quase tudo é legal. Mas tem umas coisas que são ruins. Eu fiz as contas e deu sete coisas legais e três ruins. A primeira coisa legal que eu lembrei foi de um sorvete que eu comprei num posto, quando o meu tio parou para pôr gasolina na estrada. Eu nunca tinha visto um sorvete igual! Ele tinha três sabores, mas não era que nem aqueles napolitanos chatos, que são de chocolate, creme e morango (e todo mundo sempre gosta mais do chocolate). Ele era de graviola, cajá e goiaba! Aí eu colocava a pazinha em um de cada vez, e cada hora um sabor que era o meu favorito. Achei esse sorvete trilegal.
Uma coisa que eu não gostei foi o sorvete de graviola da Kibon. Ele é meio aguado e sem graça. O de cajá é bom, mas o de graviola, blargh! Outra coisa que eu gostei foi um museu de futebol. Museu é meio chato, mas museu de futebol é legal porque tem muito troféu e foto esquisita. Lá numa cidade chamada Campina Grande a gente foi num museu que tinha um monte de foto velha de futebol de gente que eu acho que até já morreu. A que eu mais gostei foi essa aqui, de um time chamado Treze.
Eu achei a foto legal porque todo mundo está com o número 13 na camisa. Devia ser a maior confusão para o avô do Galvão Bueno. Uma coisa que eu achei legal foram essas bolachas aqui.
Eu gostei delas porque elas ensinam inglês. É que nas bolachas tem o desenho do bicho, o nome em inglês e em brasileiro, quer dizer, português. Aí eu aprendi que foca é seal, que cachorro é dog (esse eu já sabia por causa do hot dog), que urso é bear (se a minha irmã se chamar Beatriz e for cabeluda, eu vou chamar ela de Beartriz), que cisne é swan, e que búfalo é buffalo (essa é fácil). Eu não gosto de inglês, mas se a aula fosse com essas bolachas ia ser legal. O esquisito é que a gente ia comer o caderno. Teve um restaurante numa cidade chamada Guarapari que teve duas coisas que eu gostei. Uma foi que o chão é de areia, e aí a gente pode ficar brincando enquanto a comida não chega (eu sei, depois tem que lavar a mão). E outra foi que lá tinha uma fábrica de moqueca. Era um montão de fogão e a parede da cozinha é de vidro, então dá para ver tudo. O meu tio disse que queria ser operário dessa fábrica.
Uma coisa que eu achei o maior ruim até agora foi que a gente dormiu num hotel velho que tinha pulga. Nos desenhos as pulgas são legais e fazem coisas engraçadas, mas na vida de verdade elas são o maior chatas. Elas me atacaram de noite e toda hora eu me coçava. Nem deu para dormir direito. E agora eu estou com um monte de pintinhas vermelhas. Até tem uma na bochecha. Agora, nos desenhos, eu sempre vou torcer pelos cachorros e contra as pulgas.
Teve um lugar chamado Arapiraca onde a Coca-Cola era só um real. Mas o que eu gostei mesmo é que na tampinha estava escrito isso. Eu nunca tinha visto uma tampinha com preço. Deve ser que nem figurinha difícil. Eu até guardei ela e vou começar uma coleção de tampinhas. Só não entendi por que que a Coca-Cola é tão barata em Arapiraca e em São Paulo é mais caro.
Uma coisa que eu gostei mas depois desgostei foi esse bonequinho aqui:
A raposa é um time chamado Campinense e o galo é aquele time chamado Treze. No começo eu achei o bonequinho bem engraçado e até pedi para o meu tio comprar um. Mas depois um amigo do meu tio me disse que teve uns torcedores do Campinense que viram um torcedor com a camisa do Treze na rua e aí bateram nele. E bateram tanto que o cara morreu. Pô, mataram o cara só por que ele torce para outro time? Que gente burra! Aí eu fiquei com a maior raiva do bonequinho. O prédio que eu achei mais bonito até agora foi esse aqui, lá em Ilhéus.
É um lugar que vende óculos, mas é um castelo. E eu adoro castelo! Quando eu crescer eu quero ter uma casa assim. E o lugar que eu achei mais bonito até agora na viagem foi umas montanhas de areia lá numa cidade bem pequena chamada Itaúnas. Parece que a gente está no deserto, mas tem árvore. Teve uma hora que andei assim de joelhos, que nem quem tem muita sede e disse para o meu tio: “Milk-shake..., milk-shake...”. Aí ele falou: “Milk-Shake? Está morrendo de sede e ainda quer milk-shake?” E eu disse: “E de chocolate..., e de chocolate...” A viagem está sendo o maior legal. Semana que vem eu conto mais. Agora o meu tio vai me levar para ver um castelo de verdade. Tchau!
Escrito por Lelê às 08h07
![]() Todos os nomes (da minha irmã)
Eu estou viajando de carro com o meu tio. É que ele vai fazer umas reportagens sobre futebol nuns lugares bem longes, e aí ele me pediu emprestado para a minha mãe porque eu falo o tempo todo e assim não deixo ele dormir na direção. O pessoal reclama que eu falo muito, mas se eu falasse pouco eu não ia estar viajando agora. Bom, aí ontem a gente estava na estrada e passou por uma placa que dizia “Marataízes”. Então eu perguntei: “Por que será que essa cidade tem esse nome?” E o meu tio explicou: “É que nessa cidade só podem entrar meninas chamadas Mara ou Thaís.” “Verdade?” “E eu sou de mentir?” “Então a minha irmã tem que se chamar Mara ou Thaís, senão ela não vai poder entrar aqui.” “São dois nomes bonitos.” “Mas eu já disse para a minha mãe que queria que a minha irmã se chamasse Leocádia.” “E o que ela achou?” “Ela disse que de jeito nenhum, porque a gente não vai ser dupla caipira.” “Eu sugeri que fosse Torera, mas acho que ela também não gostou muito.” “Ela é o maior chata com nome.” “É que nome de filho é uma coisa muito importante. É a palavra que ela mais vai falar na vida.” “Isso é mesmo, porque toda hora a minha mãe me chama para eu catar alguma coisa do chão.” “E tem mais. O nome define a personalidade de uma pessoa.” “Verdade?” “E eu sou de mentir?” “Será, tio? Você se chama Torero é não é magro que nem os toreros que aparecem na tevê.” “Não sou, mas já matei muitos touros.” “Matou?” “Juntando todos os churrascos que eu comi até hoje, já matei uns vinte. A dentadas.” “Assim não vale.” “E tem mais, sua mãe quer um nome que signifique alguma coisa bonita.” “Hã?” “É que os nomes significam alguma coisa. Por exemplo, Helena vem do grego e significa tocha.” “Tocha? Legal!” “Legal, nada. Esse nome é ruim. Vai que ela vira uma menina esquentada, que fica de cabeça quente por qualquer coisinha.” “Eu gosto de Paula.” “Paula quer dizer pequena.” “Isso é ruim, porque vão ficar chamando ela de baixinha o tempo todo e ela pode ficar baixinha de verdade.” “Você está entendendo a idéia.” “E Bernardete?” “Quer dizer ‘forte como um urso’?” “Xi, aí é ruim, porque ela vai bater em mim. E Márcia?” “Quer dizer ‘aquela que tem relação com Marte, o deus da guerra’.” “Xi, também não. Ela pode virar uma brigona. E Marcela?” “Martelinho.” “Não dá. Aí quando a gente brigar ela vai querer me dar uma martelada. E Cecília?” “Ceguinha.” “Caramba! Assim vão acabar os nomes.” “Você não gosta de... Fernanda? Fernanda quer dizer protetora.” “Não. Fernanda é o nome de uma professora lá da escola. Tinha que ser um nome assim... de princesa!” “Tem uma princesa que se chamava Urraca.” “Pô, ela devia ser bem feia!” “Dizem que era.” “Já sei! Ela podia ter o nome daquele peixe que a gente comeu no almoço.” “Tilápia?” “É!” “Isso não é nome de gente.” “Mas não tem um técnico chamado Leão? Aquele cara da tevê não se chama Falcão? E o presidente não é Lula?” “Tá bom, você ganhou, gente pode ter nome de bicho. Mas duvido que a sua mãe aceite essa Tilápia. Pode ir pensando noutro nome.” “Já sei!”, eu disse. “O Dirceu não vende pneu?” “Vende.” “Então, ela podia se chamar Piréllia!” “Mas e se ele vender pneu da Goodyear?” “Aí pode ser Gooddyervalda.” “E ser for da Firestone?” “Firestonia!” “Até que ia ser engraçado, mas acho que sua mãe não ia gostar.” “Droga...” Então a gente passou por uma placa onde estava escrito Vitória. Eu achei esse nome legal, porque aí ela vai ganhar sempre. Só vai ser chato quando ela ganhar de mim. Mas como ela é minha irmã, nem ia ser muito ruim. Bom, quem tiver um palpite de nome bem engraçado ou bonito, manda aí. Tchau!
Escrito por Lelê às 20h18
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