BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

Saiba quem é Torero

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Este blog é atualizado às sextas.
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Lelê em Pernambuco - 2

Ontem aqui em Recife foi o maior legal.

Depois que o meu tio tomou um café da manhã o maior grande, a gente pegou um táxi e foi até um lugar chamado Mercado São José, que é esse aqui.

Lá dentro tem um monte de coisa para vender. Tem tudo mesmo: carrinho de madeira, santo, estatuazinha, roupa, carne, peixe, boneco e até uns livrinhos bem finos.

 Esse é um corredor só de roupa. Ainda bem que a minha mãe não veio.

O meu tio me disse que estes livrinhos se chamam “literatura de cordel”, e isso é porque eles ficavam num cordão para as pessoas escolherem. Só que hoje em dia eles ficam num plástico, então eu acho que devia mudar o nome para “literatura plastiquel”.

Eu comprei uns desses livrinhos. Depois eu mostro eles aqui.

Bom, como a gente andou muito lá no mercado e já fazia uma hora que o meu tio não comia nada, ele quis ir até um restaurante chamado Leite. Eu achei o nome meio ruim, porque, se ele se chama Leite, devia ser leiteria. Para restaurante, o nome mais legal era “Comida”.

O restaurante é esse aqui, ó:

Ele é um dos mais velhos aqui do Brasil. Já tem 140 anos, que é quase da idade do meu avô. 

Mas o meu tio ainda não estava com muuuuita fome, então ele não quis almoçar, e só pediu uma coisa chamada “rabanada”, que tem esse nome mas não é feita de rabo, é de pão, e o meu tio disse que a rabanada do Leite era a melhor do mundo.

A rabanada é isso aqui, ó:


Isso vermelho que está na rabanada é vinho do porto, que tem esse nome mas não tem cheiro de mar nem de peixe. O meu tio gostou tanto da tal da rabanada que comeu de pedacinho em pedacinho, e aí de morou um tempão. Ainda bem que tinha a armadura para eu ficar brincando.

Bom, lá em Recife tem uma porção de estátuas de escritor espalhadas pela cidade, e aí o meu tio cismou de ver todas elas, se bem que ele queria mesmo era ver a de um cara chamado Manuel Bandeira.

Depois que a gente andou um tantão pela beira do rio, que é assim,

a gente encontrou a estátua do Bandeira, e aí o meu tio foi conversar com ele.

 

Eu não escutei o que o meu tio estava falando, mas acho que devia estar perguntando onde tinha outro restaurante bom.

 Eu gostei mais dessa estátua aqui.

Bom, aí a gente foi para o festival, voltou para o hotel e dormiu.

Mas ontem a gente andou tanto que hoje, quando o meu tio foi se espreguiçar, deu a maior cãibra na perna dele. “Ai, ai, ai”, ele ficou gemendo.

Eu disse: “Fica aí deitado, tio”.

Mas ele respondeu: “E perder o café da manhã? Não mesmo! Vamos lá. Ai, ai, ai...”

Escrito por Lelê às 08h55
Lelê em Pernambuco - 1

Eu estou numa cidade chamada Recife que parece que é o maior legal. Quem me trouxe foi o meu tio, que é jurado no festival de cinema daqui (jurado é o cara que escolhe quem ganha, mas o meu tio diz que todo jurado acaba jurado de morte, porque um monte de gente fica com raiva dele).

Isso aqui foi o que eu comi no café da manhã do hotel.

 Hum...!

Aí em cima tem um pouco de doce de leite, um pãozinho com banana, um tal de bolo de rolo que é o maior bom, e uma coisa chamada tapioca que eu também gostei (eu não consegui comer tudo, mas o meu tio encheu o prato mais que eu e não sobrou nadinha).

E isso aqui é o que eu vejo da janela do meu quarto. Ele é o maior alto!

 Dá até me do de olhar lá para baixo.

Agora a gente vai passear na cidade. Depois eu conto como é que foi. 

Escrito por Lelê às 10h37
Lelê descobre o Brasil

Faz tempo que eu não me apresento, então vou me apresentar de novo: o meu nome é Leocádio, mas todo mundo me chama de Lelê.

Uma das coisas que eu acho mais legal de fazer é grudar dois sofás, um com a frente do outro. Aí fica o maior espação no meio e dá para fazer de conta que aquilo é uma espaçonave ou um navio.

Bom, eu estava lá na casa do meu tio Torero, onde tem dois sofás, e aí, quando ele foi dormir depois do almoço (porque ele comeu demais), eu juntei os sofás dele e fiquei brincando que era um pirata.

Para deixar o meu navio ainda mais legal, eu botei uns cobertores e umas almofadas no navio. E também coloquei uma vassoura no meio para servir de mastro. Ficou da hora!

Eu brinquei um tantão, mas depois de um tempo me deu sono e eu dormi. Só acordei quando eu senti um cutucão no meu ombro. Aí eu abri os olhos e vi um menino de uns doze anos com umas roupas estranhas.

“Muito prazer, eu sou o Nuno”, ele disse.

“E eu sou o Lelê. De onde é que você apareceu?”

“Eu vim de Portugal.”

“Caramba, que longe! Veio de avião?”

“Não, de caravela.”

“Deve ser o maior demorado.”

“Se é. Levei quarenta e quatro dias para chegar aqui no Brasil.”

“Por que não fez a viagem de avião?”

“Quando eu vim para cá ainda não tinham inventado esse negócio.”

“Ué?! Quando é que você veio?”

“Cheguei no dia 22 de abril de 1500.”

“Aica, você deve ter a idade do meu avô!”

“Nem tanto, né?!”

“E os seus pais sabem que você veio para cá?”

“Eu sou órfão. Por isso que eu vim para cá.”

“Não entendi.”

“É que muitos órfãos eram colocados nas naus para servirem de grumetes.”

“Gru o quê?”

“Metes. Cada nau tinha uns cinco. Eram os empregados dos empregados dos empregados. A gente recebia ordens de todo mundo. E apanhava de todo mundo também.”

“O que que um grumete tinha que fazer?”

“Tudo. Molhar o convés para a madeira não rachar, limpar a vela, enrolar cordas, tirar a craca do fundo da caravela.”

“Craca? Que nem de nariz?”

“Não. As cracas são uns bichinhos que grudam no casco do navio e fazem furos por onde pode entrar água. A gente descia amarrado por uma corda e ficava ali raspando a craca. Eu morria de medo de ser devorado por um monstro marinho.”

“Pô... não era fácil ser grumete...”

“Não mesmo. Nos primeiros dias, eu vomitei muito.”

“Por que o barco balançava?”

“É. E a comida não ajudava. O que a gente mais comia era um biscoito preto e embolorado que sempre vinha com pernas de barata. Mas a gente também recebia um pouco de carne, cebola, vinagre e azeite para tempero. Para beber, tinha água e vinho.”

“E você brincava de que no navio?”

“Não tinha muito tempo para isso, mas os marinheiros jogavam dados e eu e os outros grumetes ficávamos matando ratos.”

 Os ratos eram piores que os monstros marinhos. 

“Caramba! Tinha rato no navio do Cabral?”

“Um monte!”

“Até no banheiro?”

“Que banheiro?”

“Não tinha?”

“Tinha. Mas era só uma tábua furada ao meio que ficava presa na amurada, em cima do mar.”

“Putz! E o quarto?”

“No navio todo só tinha dois, um para o capitão e outro para o frei. O resto do pessoal ia se arranjando em qualquer canto. E os piores lugares sempre sobravam para os grumetes. A gente dormia no convés mesmo. Quando chovia a gente ficava encharcado.” 

“Isso devia ser a pior coisa da viagem.”

“O pior mesmo era o perigo. A gente podia até morrer. Tanto que um dos treze navios da esquadra do Cabral se perdeu depois de uns dias que a gente saiu de Portugal e nunca mais foi encontrado.”

 Essa era a esquadra do Cabral

“Pô, acho que eu não ia gostar de ser grumete.”

“Eu não gostei. Por isso que eu fugi.”

“Fugiu?”

“Claro. Quando a gente chegou no Brasil, na verdade o Cabral estava a caminho das Índias. Aí, na noite antes de continuar a viagem, eu e um amigo fugimos para o Brasil. Pode ver, está lá na carta do Caminha. O seu tio até tem um livro com a carta ali na estante.”

Então eu saí do meu sofá-caravela e fui até a estante. Só que, quando eu estava procurando a tal da carta, sem querer eu derrubei um livro e foi o maior barulhão (e uma coisa engraçada, a maior coincidência mesmo, é que o livro que caiu se chamava “Nuno descobre o Brasil”).

Bom, com aquele barulho, o Nuno sumiu na hora. Mas o pior foi que o meu tio acordou e veio lá para a sala. Daí, quando ele viu os sofás daquele jeito, cheio de cobertor e de almofada, e com uma vassoura no meio, ele perguntou: “Lelê, o que é isso?”

Eu respondi: “É uma caravela. Não dá para ver?”

“Pois eu quero essa caravela desmontada já! Senão eu conto para a sua mãe que você fez bagunça!”

Aí eu peguei e fui arrumar tudo. Deu o maior trabalho. O Nuno estava certo: vida de grumete é fogo!

 

Escrito por Lelê às 08h58
Tiradentes tira o dente de Lelê

Ontem aconteceu uma coisa que foi o maior estranha.

Eu estava com um dente meio mole, então o meu avô me levou até o doutor Rony, que é o meu dentista.

A gente esperou um pouco lendo umas revistas velhas (lá nunca tem gibi!) e aí o doutor Rony chamou a gente. O meu avô também entrou e ficou sentado numa cadeira ali do lado, e eu fui para a cadeirona de dentista (deviam vender essas cadeiras para a gente ver tevê em casa).

Então o doutor Rony disse: “Vamos tirar esse dentinho mole!”, e passou uma pomada para a minha boca dormir. Só que nessa hora eu comecei a sentir um cheiro esquisito. Esquisito e ruim. Era o pum do meu avô! O pum de pirlimpimpim!

Sempre que o meu avô solta o pum mágico dele, acontece alguma coisa estranha. Dessa vez, o que aconteceu foi que o doutor Rony começou a se transformar num outro cara: um cara com uma corda no pescoço. E ele continuava mexendo na minha boca. Aí eu falei:

“Ei, pára de mexer na minha boca! Você não é o doutor Rony!”

“Não, mas eu também sei tirar dentes. Por isso que o meu apelido é Tiradentes.”

“Você é o Tiradentes! Aquele que a gente estuda na escola?”

“Eu mesmo, uai.”

“Mas cadê a sua barba?”

“Eu nunca usei barba. Lá no exército não deixavam. E, quando eu fui preso, até rasparam o meu cabelo por causa dos piolhos da cadeia.”

“Mas eu vi a sua foto!”

“O meu retrato?”

“É, isso.”

“Acho que me desenharam daquele jeito para eu ficar com mais cara de herói, sabe?”

“Ah... E essa corda no seu pescoço?”

“É que eu fui enforcado.”

“Aica! Por quê?”

“Porque eu participei de um movimento chamado Inconfidência Mineira. A gente queria a separação de Minas Gerais de Portugal.”

“Só de Minas Gerais?”

“É.”

“E muita gente foi enforcada.”

“Não. Só eu. Os outros foram perdoados.”

“Que azar, hein?”

“Não é bem azar. É que os outros inconfidentes eram ricos e importantes. O Cláudio Manuel da Costa tinha sido secretário de governo, o Tomás Antônio Gonzaga era ex-ouvidor da comarca, e o Alvarenga Peixoto era minerador. Só eu que era pobretão.”

“Poxa, sua mãe deve ter ficado triste quando você foi enforcado...”

“Na verdade, minha morreu quando eu tinha nove anos. E o meu pai quando eu tinha onze. Aí eu e os meus seis irmãos ficamos pobres.”

“Caramba, seis irmãos! Devia ser a maior bagunça!”

“Eu era o do meio. Tinha três mais novos e três mais velhos que eu. E dois deles viraram padres. Eles que me deram um pouco de instrução.”

“E você teve filhos?”

“Dois. O João, com uma mulata chamada Eugênia, e a Joaquina, com uma ruiva chamada Antônia. Eu tive umas namoradas bonitas.”

“E o seu consultório era igual o do doutor Rony?”

“Que nada! Naquele tempo não tinha esses luxos. Mas eu não fui só dentista. Fui mascate, minerador e por um bom tempo fui militar.”

“Um general?”

“Não. Só cheguei a alferes, que não é grande coisa. Eu comandava uma patrulha dos Dragões de Minas. A gente cuidava das estradas, prendendo ladrões de ouro e assassinos.”

“Legal!”

“Mas em 1787 eu perdi meu posto. Aí eu pedi licença do exército e fui morar no Rio de Janeiro. Lá eu fiz um grande projeto: a canalização dos rios Andaraí e Maracanã para melhorar o abastecimento de água do Rio de Janeiro. Mas não consegui aprovação para as obras. Então voltei para Minas Gerais. Ops! Pronto, saiu seu dente!”

“Pô, nem doeu.”

“Ah, se tivesse estes equipamentos no meu tempo. Bom, onde eu estava mesmo?”

“Você tinha voltado para Minas Gerais.”

“Pois é, lá eu comecei a fazer uns discursos para que a gente se separasse de Portugal. Eles cobravam muitos impostos e não davam nada em troca. E no Brasil era muito difícil subir na vida se você não fosse português.”

“E o seu plano deu certo?”

“Não. Em março de 1789, antes de a gente fazer qualquer coisa, denunciaram o nosso plano para o governador de Minas.”

“Quem que fez isso?”

“Várias pessoas, mas os principais foram um português chamado Basílio de Brito, um açoriano chamado Inácio Correia de Pamplona, e o Joaquim Silvério dos Reis, que era meu amigo.”

“Que sacanagem!”

“Em troca, os três ganharam o perdão das dívidas deles com a Fazenda Real.”

“Dedo-duro é fogo! Na minha classe tem a Mirella. Ela sempre diz quem que começou a guerra de bolinhas de papel.”

“Bom, aí eu me escondi na casa de um amigo lá no Rio. Mas sabe quem estava comigo?”

“Quem?”

“O Joaquim Silvério. Eu ainda não sabia que ele era dedo-duro, então ele me acompanhou só para dizer para a polícia onde eu estava.”

“Pô, esse Joaquim é pior que a Mirella! Daí que enforcaram o senhor?”

“Não. Eu e os outros inconfidentes ficamos três anos presos. No começo eu neguei que fizesse parte do movimento, mas depois assumi toda a responsabilidade.”

“E dói ser enforcado?”

“Dói demais da conta. Pior que dor de dente. Eu lembro até hoje como é que foi. Tudo aconteceu num sábado, no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro. Vieram me pegar na cadeia e me fizeram ir andando pelas ruas da cidade até o lugar onde estava a forca. Toda a tropa local estava lá, e tinha até fanfarra. Foi uma espécie de show. A leitura da minha sentença levou várias horas e depois teve um monte de discursos em favor da rainha de Portugal.”

“Caramba, também tinha puxa-saco naquele tempo?!”

“Sempre teve. Bom, depois de me enforcarem, separaram o meu corpo em várias partes, e com o meu sangue escreveram a certidão de que estava cumprida a sentença. Minha cabeça ficou numa gaiola que foi pendurada num poste em Ouro Preto, e outras partes do meu corpo ficaram em exibição em outras cidades de Minas. Arrasaram a minha casa e jogaram sal no terreno para não nascesse nada lá.”

“Cruel!”

“É, mas no fim das contas, o dia da minha morte virou feriado nacional e eu já fui até tema de samba-enredo da Império Serrano. O que mais eu podia querer? Agora cuspa, por favor.”

Aí eu virei a cabeça e cuspi, mas quando eu voltei para o meu lugar, não era o Tiradentes que estava lá, era o doutor Rony. Então eu disse:

“Ué? Cadê o Tiradentes?”

“Tira-dentes? Poxa, Lelê, pode me chamar de dentista, odontologista ou de pedodontista, mas tira-dentes é feio.”

“Não, é que... Ah, deixa pra lá. É tudo culpa do pum do meu avô.”

Aí eu e o doutor Rony demos uma olhada para o meu avô, e ele disse: “Juro que nunca mais como couve-flor.”

Escrito por Lelê às 13h09
Os últimos bichos do Zooilógico

Agora o meu Zooilógico está lotado. Os últimos três bichos foram:

 O Cobrão que a Rafela inventou.

 O Gitifante da Beatriz.

 E o Abelflor da Joana, que é uma mistura de abelha com beija-flor.

Escrito por Lelê às 09h21
Minha gata nova

Hoje eu contei os votos e quem ganhou foi... A Pintada!

Ela ganhou de 47 a 17.

 Aí eu fui pegar ela lá na casa do meu avó, e ela estava comendo (a Pintada tem uma pinta legal do lado).

Quando eu contei para ela que ela tinha vencido, A Pintada falou um "miau" que queria dizer "Oba! Me leva logo para sua casa!"

Então a gente trouxe e ela está aqui. Agora eu tenho uma gata em casa. Legal!!! 

 

 

Escrito por Lelê às 11h21
O melhor dia da vida de Lelê


Ontem foi o dia mais feliz da minha vida!

Nem sei como é que eu vou contar tudo o que aconteceu! Bom, acho melhor eu começar do começo.

Primeiro, eu, a minha mãe, o meu pai, o meu avô e o meu tio Torero fomos num rodízio de pizza. Rodízio é um lugar que você come que nem um doido, até não aguentar mais.

Lá, a gente apostou para ver quem comia mais pedaços. Mas foi até covardia, porque o meu tio ganhou fácil. Ele comeu 9 pedaços. O meu pai comeu 6; meu avô, 5; a minha mãe, 4; e eu, 2+1. É que eu tinha comido dois pedaços e já estava de barriga cheia, mais aí apareceu uma pizza de chocolate e, como os doces vão para um estômago separado, eu aguentei comer mais uma fatia.

                         

Bom, então a gente pegou o carro (estava todo mundo no carro do meu pai) e foi deixar o meu avô na casa dele. E aí que aconteceu a coisa que me deixou o maior contente.

É que, quando a gente chegou na casa do meu avô, tinha um saco preto pendurado no portão dele. Todo mundo achou aquilo o maior estranho.

“Será que alguém deixou lixo na minha porta?”, o meu avô perguntou.

“Deve ser uma bomba deixada por uma ex-namorada”, falou o meu pai.

Então todo mundo desceu do carro e foi andando devagarinho até o saco. E aí a gente percebeu que o saco não estava parado. Ele estava se mexendo!

A gente ficou com o maior medo. A minha mãe foi que teve mais coragem e pegou o saco. Ela abriu com o maior cuidado e, quando viu o que tinha lá dentro, ela disse: “Meu Deus!”

O meu avô também foi dar uma olhada e falou: “Caramba, por essa eu não esperava!”

O meu pai também deu uma espiada, mas só abriu a boca de espanto. E o meu tio disse: “Xi, e agora?”

Então eu gritei: “Deixa eu ver! Todo mundo viu menos eu!”

E aí eles abaixaram o saco plástico e eu vi o que tinha lá. Mas eu quase que nem acreditei no que eu vi. Eram dois minigatinhos! Quer dizer, dois filhotes de gato. Quer dizer, dois minifilhotes de gatinhos. E eles eram o maior lindões! Um era todo branco que nem o Branco. E o outro era branco com umas manchas cinzas.

Daí a gente entrou na casa com eles. Eu e o meu avô fomos dar um pouco de leite para os filhotes e o pessoal começou a conversar.

 

“Quem será que deixou isso aí?”, perguntou a minha mãe.

“Será que foi a Bruxa arrependida?”, disse o meu tio.

“São dois recém-nascidos. E são fêmeas”, falou o meu pai. “Deve ter sido alguém que tem uma gata que deu cria e o sujeito, em vez de ficar com os filhotes, resolveu passar os bichinhos adiante.”

“Pode ser alguém que trabalha nessa rua. Ele viu que o Branco andava por aqui e deixou os dois na minha porta”, disse o meu avô.

“Que nada! Deve ter sido o Papai Noel”, eu falei.

“Papai Noel?” todo mundo perguntou.

E eu respondi: “Não é ele que dá presente?”

“Mas a gente está em abril!”

“Vai ver ele acha que eu mereço um presente especial porque o Branco morreu.”

“Mas e o saco de lixo?”, ela perguntou.

“O saco vermelho deve ter rasgado”, eu expliquei.

“Bom, essa não é a questão”, minha mãe falou. “A questão é: o que a gente vai fazer com eles?”

“Churrasco?”, disse o meu tio. E todo mundo olhou com cara feira para ele, até eu.

“Estava brincando, gente. Eles são muito magrinhos.”

“A gente pode levar para o pessoal da Zoonoses”, disse o meu pai. “Acho que eles cuidam dos animais abandonados.”

“Bom, eu posso ficar com um, que eu estou com saudade do Branco”, falou o meu avô, “mas dois é demais.”

“Então o que a gente faz com o outro?”, a minha mãe perguntou.

Aí eu fiquei de pé e falei bem alto: “Eu podia levar para casa!”

A minha mãe virou a cabeça meio de lado, fechou um pouco os olhos e disse: “Lelê...”.

Eu sabia que aquilo queria dizer: “Lelê, você sabe que eu não gosto de gato em casa e que ele vai me dar trabalho, porque você não vai cuidar dele.”

Aí, como eu entendi o que ela quis dizer, eu disse: “Eu cuido dele: dou comida, limpo o xixi e o cocô. E lá é apartamento, ele não vai fugir e morrer envenenado que nem o Branco.” E nessa hora eu fiz uma cara que nem a daqueles cachorros que pedem comida.

A minha mãe pensou, pensou, pensou, pensou, pensou e parecia que ia pensar para sempre. Mas uma hora ela disse: “Tá bom...”

“Oba!!!”, eu gritei.

E por isso é que esse foi o dia mais feliz da minha vida. Eu vou ter um gatinho! Mas eu só posso levar um. Qual será que eu levo? A Branca, que é toda branca que nem o Branco, ou a Pintada, que é mais sapeca e parece meio doida?

Escrito por Lelê às 07h57
Mais dois animais no Zooilógico

Essa é a Coelhonça do Thiago. Ela é o maior bonita e deve correr muito!

Essa é a Tubazerafa do Thomaz. É um bicho muito doido, porque é uma mistura de tubarão, zebra e girafa.

Escrito por Lelê às 08h20
O pior dia da vida de Lelê

Ontem foi o pior dia da minha vida!

Aconteceu uma coisa terrível. Uma coisa que eu nunca pensei que ia acontecer. Uma coisa tão triste que só de lembrar dá vontade de chorar (mas eu não vou chorar de novo).

Bom, vou começar do começo.

Ontem eu fui lá para casa do meu avô. Uma coisa que eu gosto na casa dele é que tem quintal, e é o maior bom brincar em quintal. Ainda mais lá tem um pedacinho com grama.

Então eu peguei uns bonequinhos de faroeste e fiz de conta que eles estavam perdidos numa selva. E aí peguei uns Playmobils e fingi que eram robôs que cuidavam da floresta. Aí teve uma tremenda guerra entre os caubóis e os robôs, e estava difícil para os caubóis, porque os robôs eram de ferro e as balas não adiantavam nada. Mas tinha um caubói que era meio bobo e só tinha uma arma de atirar água, e aí, quando ele atirou água, deu curto-circuito nos robôs e os caubóis ganharam. Foi o maior legal!

  

Quando eu acabei a história, me deu vontade de brincar com o Branco, que é o meu gato que fica na casa do meu avô. Só que ele não estava lá. Eu perguntei para o meu avô e ele disse que o Branco devia estar brincando pela vizinhança.

Aí eu falei “Tá bom”, fui ver tevê e acabei dormindo.

Depois de um tempo, o meu avô me acordou. E ele estava com uma cara o maior triste.

“Lelê, eu achei o Branco”, ele disse.

“Oba!”, eu falei.

Mas ele segurou e falou: “Só que tem uma coisa. O Branco...” E aí ele olhou para baixo de um jeito bem estranho.

“Cadê ele?”, eu perguntei.

“No banheirinho de trás.”

Eu corri até lá, e aí eu vi a coisa mais triste que eu já vi. O Branco estava deitado. Mas ele não respirava. E tinha um fiozinho de sangue que saía da boca dele.

O meu avô foi atrás de mim e falou. “Ele morreu, Lelê. Acho que deram veneno para ele.”

“Se a gente levar o Branco no médico de gato, não dá para dar um choque nele e aí ele fica vivo de novo?”

“Não, náo dá...”

“Poxa..., meu gato... Ele era tão legal... Quem é que ia matar o Branco?”

“Eu desconfio de uma pessoa. Tem uma mulher aqui na rua que o pessoal chama de Bruxa, porque ela é meio descabelada e detesta bicho. O Branco adorava passear na casa dela. E todo mundo diz que ela coloca chumbinho para matar os gatos.”

“Chumbinho?”

“É o nome de um veneno. Ele tinha que ser proibido, mas qualquer pessoa compra por aí. Às vezes até morre gente por causa do chumbinho.”

Pô, escutar que alguém matou o meu gato me deixou triste e com raiva. E aí eu chorei. Mas não foi um choro de berrar, que nem quando a gente cai e rala o joelho. Foi um choro assim meio quieto.

 

Eu fui para a sala e o meu avô ficou ali do meu lado.

Depois de um tempo, ele falou: “Só o que a gente pode fazer agora é um enterro bem bonito para ele.”

“Tem cemitério de bicho?”

“Tem. Mas a gente pode enterrar aqui no quintal mesmo.”

“Pode?”

“Hum... Espera um pouco.”

Aí o meu avô telefonou para uma veterinária amiga dele, voltou e disse: “A Sheila disse que pode, porque ele não morreu de nenhuma doença transmissível aos humanos.”

Então a gente pegou um bauzinho que o meu avô tinha, colocou o Branco lá dentro, e começou a cavar um buraco no quintal.

Quando a gente estava acabando de fazer o buraco, eu perguntei para o meu avô: “A gente não pode mandar prender a Bruxa?”

“Acho que não”, ele respondeu. “A gente nem tem certeza de que foi ela.”

“Pelo menos eu vou escrever no blog e aí todo mundo vai saber que a Bruxa é ruim.”

“Isso mesmo. Mas sabe, Lelê, acho que eu também errei com o Branco. Eu não podia deixar ele sair quando queria. A rua das cidades é muito perigosa para os gatos. Hoje em dia, lugar de gato é em casa. Na rua tem veneno, carro, gente ruim...”

“Então o Branco tinha que ficar trancado?”

“Ele ia podia andar pela casa toda, mas sair na rua, não. No próximo gato a gente faz desse jeito.”

“Eu não quero ter outro gato...”

“Por quê?”

“Porque eu gostava do Branco.”

Aí o meu avô parou de cavar, se abaixou para ficar da minha altura e falou assim: “Eu também gostava muito da sua avó e, quando ela morreu, eu pensei que nunca mais ia gostar de ninguém.”

“E gostou.”

“Gostei. Não foi igual, mas foi muito bom.”

Então eu pensei, pensei, e respondi: “Ah, então sei lá... Quem sabe um dia eu tenho outro gato...”

E daí a gente colocou o bauzinho do Branco no buraco, e cobriu ele com terra. Foi o maior triste.

Escrito por Lelê às 09h03
ZooALógico

Querido Lelê, seguem mais dois bichos para seu Zooilógico:

 

SAPOLVO
 
Pensei neste bicho ao ler um texto de seu Tio (o detonador de chocolate branco alheio) Torero, que escrevia sobre a Copa de 34. O time da Espanha tinha um goleirão, de nome Zamora. Seu Tio Torero disse que ele parecia uma mistura de sapo com polvo, daí a inspiração. Você também é goleiro, né? AL-cho que você vai gostar. 
 
SAPOLVO é o "maior bom no gol". Com seus 8 tentáculos e suas 8 luvas, é muito difícil marcar gol no SAPOLVO. Nas bolas rasteiras, ele se estica todo. Nas bolas altas ele salta. Se não bastasse isto, ele tem uma arma secreta (gosmenta). É o seu linguão, que alcança rapidamente a bola e ela gruda. Sem rebote. Na sua carreira, SAPOLVO só levou um gol de pênalti.
 
 
2. COBROPÉIA
 
É o "carrasco" (o mauzão) do SAPOLVO. Eu precisava criar um bicho para enfrentar o SAPOLVO, que é muito exibido. Então eu misturei COBRA com CENTOPÉIA. Não desenhei cem patas de cada lado, porque iria demorar muito, mesmo copiando, colando e girando no programa de computador. COBROPÉIA é um atacante. Destes que ficam lá na frente e não voltam para marcar. COBROPÉIA não é de correr. E, correr pode ser complicado para ele, pois são muitas as pernas e, de vez em quando, umas pernas correm para um lado e outras para o outro. COBROPÉIA é jogador de área. Especializou-se em cobrança de pênaltis. COBROPÉIA nunca perdeu um pênalti em sua carreira. Nem quando o goleiro era o SAPOLVO.
 
COBROPÉIA tem uma maneira de bater pênalti que irrita os adversários. O goleiro quase morre de raiva. É assim: COBROPÉIA vai na direção da bola, dançando a dança do ventre. Isto já deixa o goleiro meio tonto. Quando chega próximo à bola, aí vem as "paradinhas". E, por serem muitas as pernas (as patas), passa um tempão nessas "paradinhas". Quando o goleiro se cansa, COBROPÉIA dá um bote na bola e ela, envenenada, vai para dentro das redes, sem chance para o goleiro. Bola com veneno é difícil de pegar.
 
 
Então é isso, Lelê.
 
 
AL-Braços
 
Tio AL.

Escrito por Lelê às 23h48