
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos
Lelê é o sobrinho fictício do ![]()
![]() ![]() ![]()
Este blog é atualizado às sextas.
Visitas
|
Lelê, os ovos de Páscoa e a dor de barriga
Páscoa é o maior legal, porque a gente come bastante chocolate e os supermercados fazem aqueles corredores só de ovos de páscoa. Eu gosto de ficar andando ali dentro e pensando que é uma floresta encantada, e que em vez de frutas as árvores dão ovos de chocolate. Bom, nessa Páscoa eu ganhei três ovos. A minha mãe me de um de chocolate branco (que é o favorito do meu tio Torero), o meu pai deu um de chocolate preto e o meu avô deu um crocante. O meu tio não me deu nenhum. Ele me deu foi uma escova de dentes, porque falou que eu ia ficar cheio de cáries se comesse aquilo tudo. Eu gostei que o pessoal escondeu os ovos e eu tive que procurar. O primeiro eu achei atrás do sofá, o segundo estava dentro do armário e o último tinha ficado dentro do forno. Depois que eu achei os três, eu comecei a comer. Para não enjoar, eu comia um pouco de um, depois um pouco do outro, e aí um pouco do outro outro. Eu nem almocei, de tanto que comi ovo de chocolate (quer dizer, comi um pouquinho de comida só para minha mãe não brigar, que eu não sou bobo). Só que aí, depois do almoço, como não tinha sobremesa, eu comi mais ovo de Páscoa. Não sei porquê, mas depois de um tempo eu comecei a ficar com dor na barriga (dor “de” barriga é quando a gente quer fazer cocô, e dor “na” barriga é só uma dor na barriga). E era uma dorzona mesmo. A minha mãe até me deu remédio e me pôs na cama. E o remédio foi me dando sono, me dando sono... Foi aí que aconteceu um negócio estranho. Quando eu vi, eu estava numa floresta de ovos de páscoa igual àquelas dos supermercados. Quer dizer, igual, não, porque eu estava numa de verdade.
E tinha um monte de coelhos por ali. Coelhos gigantes! Do meu tamanho. Cada um era de uma cor. Tinha branco, preto, azul, cinza, cor-de-rosa, amarelo, roxo, laranja, pintado que nem onça, listrado que nem tigre... Então eles me cercaram e vieram falar comigo. O Coelho Azul disse: “Oi, Lelê!” “Caramba, você sabe o meu nome!?” “Claro. Você é famoso por aqui.” “Eu? Por quê?” “Porque vocë adora ovos de páscoa.” “E come feito um doido!”, disse o Coelho Roxo “Não sei como você não fica com dor na barriga”, falou o Coelho Amarelo.
Aí, para mudar de assunto, eu perguntei: “Posso fazer uma pergunta?” “Pode”, eles disseram. “Por que que são os coelhos que fazem os ovos de Páscoa? Quem bota ovo não é galinha?” Então o Coelho Cinza, que usava uns oclinhos redondos que nem os meus, falou:
“Bem, meu rapaz, a tradição dos coelhos como símbolo da Páscoa foi trazido para a América pelos imigrantes alemães uns trezentos atrás.” O Coelho Amarelo botou as patas na orelha e falou: “Caramba, por que você foi perguntar isso? Já escutei essa explicação umas mil vezes!” O Coelho Cinza nem ligou e continuou: “Há várias versões para a nossa ligação com a Páscoa. A mais comum diz que, como a gente tem uma grande capacidade de..., digamos, reprodução, e a Páscoa marca a ressurreição de Jesus Cristo, os coelhos e esta data ficaram ligados porque os dois simbolizam novas vidas.” “Ah...” “E essa história de novas vidas também explica os ovos, porque dos ovos sempre saem novas vidas.” “Ou bombons”, disse o Coelho Azul. “Ou omeletes”, falou o Coelho Amarelo. “Assim vocês atrapalham a minha explicação!”, berrou o Coelho Cinza. Depois ele olhou para mim bem calmo e falou: “A idéia de comemorar a Páscoa também vem do Pessach, que é a Páscoa judaica. O Pessach é celebrado por 8 dias e lembra a fuga dos judeus do Egito, onde eles eram escravos do faraó Ramsés II.” “Então os ovos deles são em forma de pirâmide?”, eu perguntei. “Não. No Pessach os judeus comem o matzá, que é um pão sem fermento.” “Blargh!”, eu fiz. O Coelho Cinza ajeitou os óculos e explicou: “O matzá serve para lembrar que, durante a fuga do Egito, não sobrou tempo nem para fermentar o pão.” “Prefiro ovo de chocolate mesmo”, eu falei. E aí eu peguei o meu ovo de chocolate branco, que estava no meu bolso. Eu ia dar uma mordida, mas, como a minha mãe disse que a gente tem sempre que oferecer para os outros as coisas que a gente vai comer, eu perguntei para os coelhos: “Vocês querem um pedacinho?” E eles responderam “Claro!”, e todos começaram comer o meu ovo de chocolate branco. Foi horrível! Nessa hora, de repente, eu apareci de volta para a minha cama. E o meu tio estava ali do lado. “O que foi?”, ele perguntou. “Acho que eu sonhei”, eu disse. E contei o que tinha acontecido. “Ah, isso explica tudo”, falou o meu tio. “Não foi sonho. Aconteceu tudo de verdade. Tanto que só sobrou um pedacinho do seu ovo de chocolate branco, olha.” Então eu fui ver o meu ovo de chocolate branco e só tinha mesmo um pedacinho de nada. Mas não sei, não. As mordidas não pareciam de dente de coelho.
Escrito por Lelê às 07h25
![]() Outro zooilógico
Os alunos da professora Glaucia fizeram um zooilógico inteiro! Daí eles mandaram os que eles acharam mais legais.
Escrito por Lelê às 19h55
![]() O namorado da minha mãe
Eu me senti o maior estranho quando a campainha tocou. Ainda mais quando a minha mãe falou assim: “Deve ser o Dirceu. Se comporta, hein, Lelê. Nada de doidice! Faz de conta que você é um menino tranquilo.” O Dirceu é um cara que saiu com a minha mãe na semana passada. Ele estava vindo em casa para a gente ir no restaurante. Logo que ele entrou, eu falei: “Oi, o meu nome é Leocádio. Eu sou um menino tranquilo.” Ele riu e disse: “Não é o que a sua mãe me contou.” “Não?” “Lindo e inteligente? Legal!” Aí o Dirceu virou para a minha mãe e perguntou: “E onde vocês querem comer?” A minha mãe falou o nome de um restaurante meio chique e eu falei o de uma lanchonete bacana. Então o Dirceu (que tem um bigode igual ao do meu pai), disse: “Thor?”, eu perguntei. “Os garçons usam capa e martelo?” “Não”, o Dirceu respondeu, “mas tem um barco viking onde eles colocam um monte de coisa gostosa.” “Caramba! Um barco viking! Vamos lá!”, e aí eu fui saindo e eles vieram atrás de mim. No caminho eu disse para o Dirceu que um dia eu também vou ter um restaurante, e ele vai se chamar Le Lelê. Então eu contei dos pratos que eu tinha inventado: a meleca de morango, a canoa dos coitados, o vulcão amarelo e o rasprasprasp. Ele achou tudo muito bom e disse que na próxima vez a gente nem ia sair. Ia ficar em casa e experimentar as receitas do Lelê. Eu achei isso bem legal, mas acho que a minha mãe não, porque ela olhou para o teto do carro e balançou a cabeça. Então a gente chegou no restaurante. E lá tinha mesmo um barco viking! Daí, quando chegou o garçom (que era amigo do Dirceu, se chamava Alfredo e tinha uma cara bem séria), eu perguntei: “Esse barco é de verdade?” E ele respondeu: “É claro.” “E como vocês trouxeram ele até aqui?” “Nós somos garçons-marinheiros. Viemos navegando com ele desde a Escandinávia.” “Uau!” “Depois lavamos bem para tirar a água do mar e colocamos ele aqui.” “Posso dar uma entradinha nele?” “Infelizmente ele está cheio de comida, e os clientes não gostam muito de comer maionese pisada. São uns frescos.” “Mas eu só ia ficar na pontinha e gritar ‘Eu sou o rei do mundo!’, que nem o cara daquele filme do navio que afunda.” “Sinto muito, é proibido. Bom, o que vocês vão querer de entrada?” Aí o jantar todo eu fiquei o maior chateado. Nem comi direito. Eu só ficava olhando para o barco e pensando como ia ser legal entrar nele e gritar “Eu sou o rei do mundo!”. Então o Dirceu falou para a minha mãe: “Você disse que o Lelê falava pelos cotovelos, mas ele está calado a noite inteira.” “Graças a Deus”, disse a minha mãe. Mas aí, como eu não queria parecer esquisito, eu expliquei: “É que eu queria subir no navio viking e gritar.” O Dirceu coçou o bigode e perguntou: “É bem rapidinho?” “É bem rapidinho!”, eu disse rapidinho. “Então vamos lá!”, falou o Dirceu. A minha mãe botou as mãos no rosto e falou: “Estava indo tudo tão bem...” O Dirceu segurou na minha mão e foi me levando. No começo eu achei estranho ele me levar pela mão (a mão dele é o maior grande), mas depois que a gente andou um pouco não parecia mais. Ele disse: “Disfarça, faz de conta que a gente está indo no banheiro.” Aí eu comecei a andar daquele jeito esquisito de quando a gente está muito apertado. Eu sou o maior bom em disfarçar. Quando a gente chegou perto do barco, o Dirceu botou as mãos nos meus sovacos, me levantou e me pôs na pontinha do barco, bem em cima da cabeça do dragão. Aí eu abri os braços e falei: “Eu sou o rei do mundo!” Só que aí aconteceu um negócio meio chato. É que a cabeça do dragão estava muito encerada e eu escorreguei. E bem em cima da comida. Fez o maior barulhão: “Sgbcsuargdcvuqb!”
Todo mundo no restaurante levantou. Aí o Dirceu me pegou, tirou maionese do meu olho e disse: “Você virou o rei imundo.” Depois ele me levou para o banheiro e limpou as comidas que estavam em mim. Teve umas que ele até experimentou. “Hum, este patê de atum está ótimo. O seu cabelo deu um temperinho especial para ele.” O Alfredo ficou de cara feia com a gente, e a conta foi o maior cara. Na hora da saída, o Alfredo puxou a cadeira para a minha mãe levantar e disse: “Volte sempre, senhora, mas sem as suas crianças.” Ninguém falou nada no caminho de volta. Ficou o maior silêncio. Quando a gente chegou em casa, o Dirceu perguntou: “Bom, então quando é que a gente sai de novo?” E a minha mãe respondeu: “Acho que nunca mais eu vou sair. E com nenhum dos dois.” Aí o Dirceu, que tem uns olhos verdes grandões, olhou para a minha mãe e disse: “Que pena, porque eu conheço um restaurante chinês que tem um dragão de madeira enorme.” Então a minha mãe arregalou o olho, depois começou a rir até cair uma lágrima, e disse: “Tudo bem. A gente combina alguma para a semana que vem.”
Escrito por Lelê às 12h17
![]() Zevalo (ou cavabra) do Carlos
O Carlos inventou uma mistura de zebra com cavalo. Parece um cavalo com calça de pijama.
Escrito por Lelê às 12h14
![]() Papamelo da Luciana
Oi, Lele, o meu bichinho é o Papamelo. Ele é muito docil e não machuca ninguem. Ele é uma mistura de camelo com papagaio, adora voar e canta o hino do Flamengo.
Escrito por Lelê às 08h50
![]() Dois bichos que são cinco
O Rodrigo mandou essa Giracobra.
E a Sofia inventou esse Peixassaranduá.
Escrito por Lelê às 16h56
![]() A namorada do meu pai
Essa semana aconteceu uma coisa que eu nunca tinha pensado que ia acontecer. Eu achei o maior esquisito. Bom, o negócio começou quando a minha mãe disse que ia ter que sair à noite, e aí ela me deixou na casa do meu avô, que é o pai do meu pai. Eu acho o maior legal ficar na casa do meu avô, porque ele sempre conta umas histórias engraçadas, porque tem o Branco (que é o meu gato mas fica lá), e porque o meu avô sabe fazer uns bolinhos de banana com açúcar e canela que são o maior bons! Quando a gente estava acabando de comer (eu comi com a mão, e isso é legal porque a mão fica suja e aí, mesmo depois que os bolinhos acabam, a gente ainda pode chupar os dedos), alguém abriu a porta. Eu pensei que podia ser uma daquelas moças de comercial que entram na casa da gente para lavar a roupa com um sabão que deixa tudo branco. Mas não era. Era o meu pai. E o estranho é que ele não estava sozinho. Estava com uma mulher. Uma mulher que não era a minha mãe! Quando o meu pai me viu, ele fez a maior cara de espanto e perguntou: “Lelê, você aqui?” “É”, eu respondi (mas nem precisava, porque ele já estava me vendo). Então o meu pai disse para o meu avô. “Pô, pai, você não avisou que o Lelê tinha vindo fazer uma visita.” “Nem você disse que vinha”, falou o meu avô. “Bom, é que a gente estava por perto e eu pensei em dar uma passada para comer uns bolinhos de banana.” “Acabou”, eu disse mostrando as mãos sujas. “Só tem os dedos para lamber. Quer?” “Não, não... Acho que a gente já vai indo”, falou o meu pai. Aí eu perguntei: “Quem é ela?” Nessa hora o meu pai ficou o maior atrapalhado, que nem quando eu quebro alguma coisa e quero explicar que foi sem querer. “Bom..., ela é... ninguém. Quer dizer, é claro que é ela alguém, porque ninguém é ninguém, mas não é assim alguém que você precisa saber quem é, entendeu?” “Não”, eu respondi. “Nem eu”, disse a mulher. “Muito menos eu”, falou o meu avô. Aí o meu pai respirou bem fundo e falou: “Bom, meu filho, essa é a Karina.” “Oi”, ela disse. “Oi”, disse eu. Aí a gente ficou se olhando um tempo e ninguém disse nada. Então, como ficar em silêncio é o maior chato, eu falei: “Você é baixinha.” Então o meu pai falou bem sério: “Isso é jeito de falar com a Karina?!” “Mas ela é baixinha mesmo.” “Poxa, Lelê, não precisa ficar agressivo, a separação já tem uns oito meses, e ela não vai ocupar o lugar da sua mãe.” “Quê?” “A gente só se conhece há umas cinco semanas. E eu nem penso em me casar de novo.” “Não?”, perguntou a Karina. “Bom, quer dizer... sei lá! Isso está muito confuso!”, e aí o meu pai sentou na poltrona e colocou as mãos na cabeça, que nem ele faz quando o Palmeiras perde. Aí o meu avô pegou e explicou tudo direito: “Lelê, é o seguinte: o seu pai está namorando com a Karina.” Só nessa hora que eu entendi as coisas. Eu achei aquilo o maior estranho, porque eu nunca tinha imaginado o meu pai namorando com outra mulher. Só com a minha mãe. “Eu queria ter avisado você antes, Leocádio”, falou o meu pai, e quando ele me chama de Leocádio é que o negócio é sério. “Assim eu fui pego meio de surpresa”. “Eu também”, eu disse. “Bom, nós vamos ser amiguinhos, né, Lelê?”, falou a Karina com jeito de quem falava com bebê (quem não fala com criança todo dia sempre trata a gente como se a gente fosse bebê). “Sei lá”, eu respondi. “Bom, nós vamos indo. Depois a gente conversa direito”, disse o meu pai. E depois ele e a Karina foram embora. Eu fiquei bem calado, só vendo um jogo de futebol na tevê, e o meu avô também não falou nada. Depois de um tempo a minha mãe chegou e eu entrei no carro. Como eu fiquei quieto o caminho inteiro, e eu quase nunca fico quieto, quando a gente estava entrando na garagem a minha mãe me perguntou: “O que foi, Lelê, por que que você está tão calado?” E eu respondi: “É que eu estou pensando nesse negócio das pessoas separarem e namorarem de novo.” Daí minha mãe deu a maior brecada no carro! “Você descobriu?” “É, descobri”, eu respondi. "Foram aqueles telefonemas, né? Eu falei para o Dirceu não ligar lá para casa.” “Dirceu?” “É. O homem com quem eu saí hoje a noite. Foi a primeira vez que eu saí com alguém desde que..., desde que eu me separei do seu pai.” “É?” “É. Não foi isso que você descobriu?” “Agora foi.” Aí, lá na garagem mesmo eu contei a história da Karina baixinha para a minha mãe. E ela contou que tinha saído com um cara chamado Dirceu, e que eu ia conhecer ele na semana que vem. Aquelas coisas todas me deixaram o maior confuso. Eu até demorei para dormir. Bom, pelo menos eu já sei o título do texto da semana que vem. Vai ser “O namorado da minha mãe”. Mas eu ainda não sei se ele vai ser engraçado, triste ou esquisito. Tchau.
Escrito por Lelê às 06h05
![]() Cavacobra
Esse é o Cavacobra da Sara Luisa. Ele deve dar uns pulões! Um rodeio de cavacobras ia ser o maior legal. Ah, e amanhã eu vou contar uma coisa muito estranha que aconteceu comigo, com o meu pai e com a minha mãe.
Escrito por Lelê às 08h18
![]() Lelê e a Família Real
Hoje de manhã eu estava lá na casa do meu avô. Enquanto ele lia jornal na poltrona, eu brincava com o Branco, o meu gato. Mas aí, de repente, o meu avô disse: “Caramba!, amanhã faz duzentos anos da chegada da Família Real no Rio de Janeiro!” “Que história é essa de ‘família real’? Tem família de mentira?”, eu perguntei. “Esse ‘real’ que eu falei não quer dizer ‘de verdade’, quer dizer ‘do rei’.” “E que família de rei que veio para cá? A família do Pelé?” “Não, a família dos reis de Portugal.” “Ah..., e o que eles foram fazer no Rio? Ver o carnaval?” “Não, é que eles estavam fugindo de Napoleão, que queria conquistar a Europa. Então, como naquele tempo o Brasil pertencia a Portugal, eles mudaram a capital do governo para cá.” “Ah... E o senhor lembra como é que foi essa chegada da família real?” “Poxa, Lelê, eu não sou tão velho assim.” “Não?” “Não. Mas eu já li bastante sobre isso. Para começo de conversa, eles não vieram sozinhos. Trouxeram nobres, padres, amigos, músicos, parentes e empregados. Dizem que eram umas dez mil pessoas. E quando eles chegaram...” Depois disso eu não escutei mais nada. É que, enquanto o meu avô falava, ele soltou um pum. E o pum do meu avô é mágico (sabe o pó de pirlimpimpim da Emília? Então, o meu avô tem o pum de pirlimpimpim). E aí, quando eu vi, eu estava dentro de um navio, lá no Rio de Janeiro, no dia 8 de março de 1808!
Bem do meu lado tinha um menino de uns dez anos que estava segurando um barco de brinquedo que era o maior legal. Ele era assim:
E ele respondeu: “Oi, eu sou o Pedro, mas o pessoal me chama de Demonão.” “Você sabe o que está acontecendo aqui, Demonão?” “Estão a fazer uma festa para a minha família.” “Caramba, você é da tal da família real?” “Pois sou.” “Legal! E quem é aquele gordinho mancando ali na frente?”
“Opa, desculpa aí. E aquela magriça com cara de brava?” “É Dona Carlota, minha mãe.” “Xi, foi maus de novo. Mas por que ela está de turbante?” “É que a gente pegou piolho na viagem e ela teve que cortar o cabelo bem curto.” “Poxa, eu não sabia que os reis pegavam piolho. Pensei que a coroa espantasse eles.” “Que nada! Até as minhas irmãs tiveram que raspar a cabeça.” Nessa hora passou pela gente uma velha meio doida que falava sem parar: “Eu não quero ir para o inferno, eu não quero ir para o inferno, eu não quero ir para o inferno...” “E essa aí?”, eu perguntei para o Pedro. “Essa é a minha avó, dona Maria, a Rainha de Portugal. Ela está meio louca e morre de medo de ir para o inferno.” Então todo mundo que estava no navio olhou para um barquinho que estava chegando. “Que barco é aquele?”, eu perguntei para o Pedro. “É o bergantim real. Ele vai levar a gente até o cais.” “Eu posso ir também?” “Claro. Vamos lá!” Aí entraram no bergantim o Dom João, a Dona Carlota, as irmãs do Pedro, o irmãozinho dele, que se chamava Miguel, o Pedro e eu. Mas um marinheiro falou assim: “Eu pensei que a família real tinha apenas dois meninos.” E o Pedro, que era bem esperto, respondeu na hora: “Você não conhece meu irmão, Dom Lelê?” E o marinheiro falou: “Ah, claro, o famoso Dom Lelê...”, e aí eu entrei no bergantim, que era esse aqui:
Quando a gente desceu lá no cais, deu para ver que estava tudo o maior enfeitado. As ruas estavam cobertas de areia branca, folhas e flores; todas as janelas tinham uns tapetes bonitões pendurados; e dava para escutar umas bandas que tocavam meio longe. Mas o mais legal foi que, quando a gente pisou no chão, todos os sinos da cidade tocaram ao mesmo tempo. Depois a gente foi andando no meio da multidão até uma igreja e lá teve uma missa com música. Eu e o Pedro estávamos meio chateados porque a missa estava muito comprida. Então eu perguntei para ele: “Será que você vai gostar de morar aqui no Brasil?” Ele pensou um pouco e respondeu: “Sei lá. Aqui parece meio pobre. Mas na viagem para cá o meu pai disse que ia fazer um monte de coisas no Brasil.” “Tipo o quê?” “Um jardim botânico, que é para a gente ter onde passear, um banco para guardar nosso dinheiro, escola para os nossos empregados estudarem, essas coisas.” “E ele vai fazer isso porque ele gosta do Brasil?” “Que nada! Ele vai fazer isso porque senão ia ser ruim de morar nessa cidade. Se ele gostasse mesmo do Brasil, já tinha feito essas coisas antes, não é?” “É...” “Mas acho que vai ser bom viver aqui. Tem sol, dá para andar a cavalo e eu já vi um monte de meninas boni...” Nem deu tempo de escutar o “bonitas” inteiro, porque acabou o efeito do pum de pirlimpimpim do meu avô e de repente eu estava na sala com ele de novo. E o meu avô disse: “Minha conversa estava chata, Lelê? Você dormiu de repente. Ou será que desmaiou por causa do meu punzinho?” “Não, vô, eu estava com o Pedro.” “Que Pedro?” “O Pedro, filho do Seu João com a Dona Carlota. Neto da dona Maria, que era meio louca.” “Você está delirando, Lelê?” “Não, eu estava lá na chegada da família real. Foi o maior show!” Aí o meu avô coçou a cabeça, pensou um pouco, e disse: “Puxa, esse meu pum está até causando alucinações. Preciso parar de comer feijão.”
Escrito por Lelê às 14h02
![]() Gira-espinho da Linda.
A Linda mandou este bicho que é uma mistura de girafa com porco-espinho. Foi uma idéia o maior boa, porque o gira-espinho pode servir de escada.
Escrito por Lelê às 13h54
![]() Porcochorro da Gabrielle
Esse é o porcochorro que a Gabrielle inventou. Ele tem corpo de cachorro e cabeça de porco. Porcochorro é um nome o maior legal.
Escrito por Lelê às 09h24
![]() Crocoquilo do Arthur
Oi, Lelê. Adorei a estória do Zooilógico e fiz o desenho de um animal. Este é o Crocoquilo, que é uma mistura de Crocodilo com Esquilo. Ele é um esquilo com a boca bem grandona, para poder comer um monte de castanhas. Eu adoro castanhas, principalmente castanha de caju. Você gostou do Crocoquilo? Um grande abraço, Arthur
Escrito por Lelê às 07h18
![]() |