BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

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Este blog é atualizado às sextas.
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Lelê no carnaval

O UOL fez um jogo o maior legal comigo para o carnaval. Comigo, com o Zepa, com o Aurelius e com a  Carolina. É um jogo que tem que colocar fantasia na gente. Eu estou de pirata, o Zepa, que é meio gordo, está de monstro, a Carolina está de bailarina e o Aurelius, que é CDF mas é meio doido, está de sorvete. Se você colocar as fantasias, depois sai uma foto nossa. E eu também gostei de misturar as roupas, só que aí a gente perde. Mas tudo bem. Que quiser ir lá no jogo, é só clicar aqui e depois clicar em mim.

Escrito por Lelê às 07h57
Lelê, o pum e o pou

Essa semana eu fui para a casa do meu avô. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer lá é ficar lendo com ele. Cada um senta numa ponta do sofá e a gente fica lendo um tempão.

Mas dessa vez aconteceu um negócio diferente.

Foi assim: O meu avô estava lendo o jornal e eu estava lendo o livro que ele tinha me dado de presente, que se chama “Almanaque de puns, melecas e coisas nojentas”. Aí, de repente eu escutei um barulho assim: “Prrruuum!”

Eu perguntei: “Que barulho foi esse?”

“Que barulho?”, ele disse.

“Esse ‘prrruuum’.”

“Não escutei.”

Então eu senti um cheiro horrível! Um fedorzão!, e aí eu falei:

“Vô, você peidou!”

“Não estou sentindo nada.”

“Está o maior cheiro de podre! Acho que vou morrer asfixiado!”

Aí ele começou a rir e disse: “Asfixiado? Ah, não exagera, foi um punzinho de nada.”

Então eu botei a mão na garganta e disse: “Rrrr, socorro!, estou morrendo por causa do seu pum venenoso...”, e aí eu fiz que estava tonto, dei umas giradas pela sala e pou! Fingi que desmaiei no sofá.

Eu fiquei um tempo lá, paradão, e então aconteceu a coisa estranha. Quando eu abri os olhos, eu não estava mais na sala do meu avô. Estava num lugar muito estranho, cheio de curvas, como se fosse uma escadaria que desse quatorzes voltas malucas. E do meu lado tinha um cara azul que parecia um daqueles espaguetes de piscina.

“Oi”, disse o cara azul. “Você é novo por aqui?”

“Aqui é onde?”

“É o intestino.”

“Caramba! Como é que eu vim parar nesse lugar. Será que o pum do meu avô é que nem o pó de pirlimpimpim da Emília?”

“Emília eu não sei quem é, mas de pum eu entendo. Muito prazer, meu nome é Methanobacterium Smithii. Mas pode me chamar só de Smith.”

“Eu sou o Leocádio, mas pode me chamar de Lelê.”

“Então, Lelê, quer dizer que você veio parar aqui com um pum mágico?”

“Mágico e fedido.”

“He, he, ele é fedido por minha causa.”

“Mas quem soltou o pum foi o meu avô.”

“Ele soltou, mas fui eu que fiz. É que eu me alimento das comidas que o seu avô não consegue digerir. E aí, em vez de suar, eu fabrico um gás chamado metano. Tem outra bactéria que produz enxofre, outra que produz nitrogênio..., cada um na sua, né?”

“E esses gases todos é que viram o pum?”

“Isso. Todo mundo solta uns quinze puns por dia. Até o papa. Quer dizer, ele deve soltar mais, porque as pessoas mais velhas têm menos enzimas para fazer a digestão, e aí sobra mais trabalho para a gente.”

“Quer dizer que eu solto quinze puns todos dos dias?”, eu perguntei.

“É. Se juntasse todos dava para encher um balão de festa.”

“Caramba, que legal! Eu e os meus amigos podíamos juntar todos os nossos puns e fazer um aniversário só com balões de pum. E depois a gente estourava tudo!”

“Ia ser uma festa inesquecível.”

“Mas será que não dá para aumentar a nossa produção de puns? Um balão por pessoa é muito pouco”, eu falei.

“Tem umas coisas que podem ajudar. Por exemplo, você pode engolir mais ar.”

“Como é que faço isso?”

“É só beber sempre de canudinho, mascar chiclete e tampa de caneta, respirar pela boca, comer muito e bem rápido...”

“Tem certeza que isso vai fazer eu soltar mais puns?”

“Claro! E você também pode escolher umas comidas mais peidófilas, tipo repolho, lentilha, batata-doce, abacate, brócolis, cebola, melancia, pimentão, pêssego e pipoca. E não pode esquecer da melhor de todas: feijão!”

“Feijão!? Por quê?”

“Por que ele tem dois açúcares que o corpo não digere bem. Aí a minha turma come esses açúcares e solta gases. Pode reparar: trinta minutos depois de você comer uma feijoada, começa o tiroteio.”

“Amanhã eu vou comer feijoada, só para ver se é verdade.”

“Claro que é. Os astronautas são até proibidos de comer feijão. Já pensou soltar uns peidos dentro do foguete? Sem porta e sem janela?”

“Coitados... Se eles estivessem com o meu avô então...”

“Ele é bom de pum?”

“É campeão! Quer dizer, campunhão!”

“Aposto que ele não é melhor que o Joseph Pujol.”

“Quem é esse?”

“Era um padeiro francês que peidava tanto que decidiu ganhar dinheiro com isso. Começou a fazer shows. Imitava um monte de sons, tipo trovão, e até tocava música.”

“Ele tinha um pum afinado?”

“Afinadíssimo. E a melhor parte do show era quando ele colocava uma vela a trinta centímetros e apagava ela com um pum. O pessoal aplaudia de pé. Ele fez tanto sucesso que acabou tendo um teatro só para ele, o Pompadour. O Pujol é o ídolo do pessoal aqui do intestino. Só ele entende a beleza do nosso trabalho. Porque o pum é mais que ventinho fedido: Ele é o grito de um condenado clamando pela liberdade!”

“Caramba, você gosta mesmo de pum!”

“É, meu chapa, eu sou um espuncialista. Opa!, agora me dá licença que está chegando trabalho.”

Aí eu pisquei os olhos e de repente eu estava na sala do meu avô de novo. E ele comia um pêssego.

“Caramba, Lelê, pensei que você não fosse acordar mais.”

“Eu não dormi. Eu estava no seu intestino.”

“Ah, é? Bom, você saiu na hora certa, porque eu estou sentindo umas coisas estranhas na barriga.”

Aí ele soltou aquele “prrrrrumm” de novo e disse: “Xi, desculpa, Lelê.”

“Tudo bem, vô, não foi você, foi o Smith, o cara que mora na sua barriga.”

Aí ele disse: “Boa idéia, Lelê. Daqui para frente vou botar a culpa sempre neste Smith”.

E soltou outro pum.  

Escrito por Lelê às 07h57
Pinoquinho

Li o meu primeiro livro este ano. Ele se chama "As aventuras de Pinóquio e é do tamanho de um carrinho Hot Wheels (mas tem mais de 400 páginas e a letra é bem pequena). A história do livro é mais legal que a do desenho, mas os desenhos do livro são meio feios e está cheio de erros de português. 

Escrito por Lelê às 10h41
Lelê vê bois nos ares

As minhas férias estão sendo o maior legal. Primeiro eu fui para Santos. Depois, o meu tio Torero falou assim para mim: “Lelê, eu ganhei duas passagens de avião. Quer ver Buenos Aires?”

Eu fiquei o maior empolgado e disse: “Ver bois nos ares? Que legal! A gente vai entrar num avião e vai ver uns bois voando? É que nem quando golfinho fica nadando do lado dos barcos? Pô, que dez! Mas como é que os bois voam se eles não têm asa? Já sei! Eles giram o rabo que nem helicóptero? Pô, que demais! E se eles fizerem cocô lá de ci...”

“Chega de delírio, Lelê! Não é bois nos ares, é Buenos Aires. “Buenos Aires” quer dizer “bons ares” em espanhol. É a capital da Argentina.”

“Ah, sei... Eu preferia ver bois voando, mas viajar também vai ser legal.”

Aí a gente pegou o avião, voou, desceu e chegou em Buenos Aires.

Buenos Aires é uma cidade grandona, que tem uma avenida muito larga e no meio dessa avenida tem um obelisco. Obelisco é a estátua gigante de uma agulha.

Quando a gente estava arrumando as coisas no hotel, que era bem fuleiro, eu olhei pela janela e vi um monte de fios. Mas um monte mesmo! Assim:

Aí eu falei para o meu tio: “Caramba, tem tanto fio que parece que o Homem-Aranha passou por aqui.”

O meu tio, que sempre torce contra a seleção da Argentina, olhou pela janela e disse: “Ah, esses argentinos..., coitados... Eles pensam que são bacanas mas não passam de uns... argentinos.”

Depois a gente foi num lugar chamado Puerto Madero, mas que devia se chamar Puerto Manero, porque ele é o maior legal. Tem uns barcos, um riozão, umas lojas e um monte de restaurante, que é a parte que o meu tio mais gosta. Ele diz que tem gente que faz turismo com os olhos, mas ele faz com a boca.

Bom, aí a gente comeu uma massa que estava o maior boa e dividiu essa sobremesa aqui.

Depois, na saída, eu perguntei para o meu tio: “Tio, a comida dos argentinos, é boa, né?”

E ele respondeu: “É, a comida é boa, mas o resto...”

Depois a gente foi numa livraria gigântica chamada Ateneo. O engraçado é que ela fica dentro de um lugar que era um teatro. Ela é assim:

Eu só estava achando chato que não tinha uma estante de livro para criança. Aí eu perguntei para um moço que trabalhava lá:

“Aqui não tem uma estante de livros para criança?”

E ele respondeu: “Los libros para niños están abajo.”

Eu olhei embaixo da estante e não tinha nada.

“No! En el piso de abajo”, ele disse. E aí ele levou a gente até uma escada rolante e lá embaixo tinha uma livraria o maior lindona só para criança.

Então a gente ficou lá sentado lendo (o meu tio adora ler livro infantil em livraria, porque ele lê o livro todo rapidinho e não precisa comprar).

Depois, na saída, eu perguntei: “Legal essa livraria, né, tio?”

“É a mais linda que eu já vi. Em livrarias os argentinos são bons, mas no resto...”

De lá a gente foi para o museu de um time chamado Boca Juniors. É um museu bem maior que o do Santos, e é cheio de coisa. Tem troféu, camisa, estátua do Maradona, loja, uma sala de cinema bem comprida, e a gente ainda pode entrar no estádio.

Mas o que eu gostei foi de uma bola gigante que tem lá. Você entra dentro da bola e passa um filme em sete telas diferentes, como se o filmador tivesse um chapéu-câmera que apontasse para cada um dos lados. Você fica ali no meio das telas e é como se você estivesse lá de verdade. E no filme a gente vira um jogador de futebol que está fazendo a estréia no Boca, e a gente faz um gol e a torcida grita. Dá a maior emoção quando a torcida grita porque você fez o gol. Até me deu vontade de ser centroavante. Pena que eu sou o maior grosso...

 (Tem um monte de pé de jogador na frente desse museu. Aí, como o lugar para o pé do Maradona ainda está vazio, o meu tio pôs o pé dele lá e eu tirei a foto)

Na saída do Museu do Boca, eu perguntei para o meu tio. “Esse Boca é o maior bom, né? Já ganhou seis Libertadores e foi três vezes campeão do mundo!”

E ele respondeu: “É, no futebol eles são bons, mas no resto...”

Como já era de noite, a gente foi jantar num restaurante. Era um restaurante o maior antigo chamado Tortoni (ele tinha esse nome mas era reto, então devia se chamar Retoni).

O mais legal é que tinha um show lá. Um show de uma coisa chamada tango. Tinha um homem com um vozeirão, uma mulher bonita que também cantava e um casal que ficava dançando. Eu não entendi nada do que eles falavam mas achei o maior legal.

Na saída, eu falei: “Os argentinos são o maior bons em música, né, tio.”

E ele respondeu: “É, são. Mas no resto...”

No dia seguinte, quando a gente estava no aeroporto para pegar o avião de volta, eu pedi uma camisa da seleção argentina para o meu tio, mas ele respondeu:

“Para quê? Esses argentinos não são de nada!”

“Mas eles não são bons em comida, em livro, em futebol e em música?”

“São. Mas no resto...”

“Que resto?”.

Aí o meu tio ficou pensando, pensando, pensando..., e me comprou uma camisa da seleção argentina.

E depois comprou uma para ele também.

 

Escrito por Lelê às 17h45
A rua mais legal do mundo

Essa é a rua da quitinete do meu tio lá em Santos. Essa foto foi tirada num dia de chuva e eu tremi um pouco, mas dá para ver que a rua estava o maior iluminada. Acho que é a rua mais legal do mundo. Pelo menos no Natal.

E quem tiver uma rua a melhor do mundo, pode contar aqui. 

Escrito por Lelê às 07h30
Lelê e o ataque dos Cavalos Marinhos Gigantes

Na primeira semana do ano novo, o meu tio Torero me perguntou: “Lelê, você quer passar o fim de semana lá na minha quitinete em Santos?”

“É claro que ele quer!”, a minha mãe respondeu.

De vez em quando eu acho que a minha mãe não gosta de ficar comigo nas férias. Mas deve ser impressão, porque é nas férias que eu posso ficar o tempo todo com ela, jogando uns joguinhos, ajudando ela a cozinhar, indo com ela no shopping, chamando ela para ver desenhos comigo...

Bom, dois minutos depois, ela chegou com a minha mala.

“Pronto, já está tudo aqui.”

“Mas eu só vou amanhã”, disse o meu tio.

“Ah...”, falou a minha mãe.

Aí eu aproveitei e disse: “Então vamos jogar Banco Imobiliário?”

E ela respondeu: “Claro, claro, essa semana a gente só jogou cinco vezes...”

No dia seguinte, eu e o meu tio fomos para Santos.

A estrada estava o maior cheia e a gente demorou um tempão para chegar.

No meio da viagem, o meu tio disse: “Só falta chover quando a gente chegar lá.” E aí, quando a gente chegou lá, choveu.

Então, como eu não podia ir à praia, eu peguei a minha bola e comecei a jogar basquete. Batia ela no chão e encestava na pia da cozinha. Batia ela no chão e encestava na pia da cozinha. Batia ela no chão e encestava na pia da cozinha.

“Chega! Disse o meu tio.”

“Chega o quê?”

“Chega de ficar em casa. Vamos dar uma volta. Me disseram que tem um bondinho lá no centro da cidade.”

“Mas e a chuva?”

“Dentro do bonde não chove.”

Então a gente foi até o centro e lá tinha mesmo um bonde. Quem cuida dele é um velhinho com cara de bonzinho chamado Seu José Soares. Ele é esse aqui:

Lá na fila do bonde, enquanto eu comia um churro que o meu tio me comprou (churro é um doce legal que tem recheio, cobertura e suja toda nossa mão), eu conheci a Sabrina e o Matheus. A Sabrina é o maior bonita e o Matheus é o maior engraçado. Eles são esses aqui:

 

Aí a fila andou e a gente entrou no bonde. O meu tio sentou num banco lá na frente, mas eu, a Sabrina e o Matheus fomos para a última fileira. Quando começou o passeio, uma moça começou a contar a história de Santos, mas a gente não prestou muita atenção e começou a imaginar um monte de coisas:

Primeiro a gente passou numa rua chamada rua XV que tinha umas lâmpadas bem velhas, e aí eu disse: “Não parece que a gente está no passado?”. E a Sabrina falou: “É, sim. Parece que a gente foi parar no século dezenove.”

 (Não dá para ver a rua direito nessa foto, mas eu achei o maior legal)

Depois a gente viu um pedaço do porto e lá tinha umas máquinas muito grandes. Então o Matheus disse: “Olha lá, parecem cavalos marinhos gigantes!”

Depois a gente viu uma estação de trem velha e a Sabrina falou: “Aposto que isso é uma casa assombrada onde tem um monte de fantasmas.”

E o Matheus, que torce para o Santos, disse: “É, são fantasmas dos jogadores do Santos que já morreram. Eles ficam voando e jogando bola lá dentro.”

 

E aí a gente ficou inventando uma história com essas coisas e o passeio ficou bem mais legal.

Quando a volta no bonde acabou, eu e o meu tio Torero entramos no carro e voltamos para a quitinete. No caminho, o meu tio me perguntou:

“Lelê, você escutou as histórias sobre Santos que a guia turística contou no bonde?”

“Claro”, eu disse. E eu não estava mentindo, porque eu escutei, só não prestei atenção.

“De qual você gostou mais?”

E aí eu respondi: “Daquela do século dezenove, quando a cidade foi atacada por cavalos marinhos gigantes, mas aí os fantasmas dos jogadores do Santos saíram da casa mal-assombrada e ficaram chutando bolas nos cavalos marinhos até que eles fugiram e a cidade foi salva.”

O meu tio olhou para mim com uma cara muito estranha e depois disse: “Tomara que não chova amanhã. Você precisa pegar um pouco de sol."

Escrito por Lelê às 15h25
Os três desejos de Lelê foram quatro

No dia 31 de dezembro teve uma festa legal em casa. Quem estava lá era: o meu tio Torero, o meu avô, eu, a minha mãe e até o meu pai (que não mora mais comigo e com a minha mãe).

 

A comida foi o maior boa. Teve bacalhau esmigalhado com batata, um arroz misturado com um monte de coisa, tipo passas, castanhas e lentilhas, e de sobremesa teve musse de limão. Musse é uma coisa legal, porque parece uma mistura de sorvete com gelatina. Quem gosta mais é o meu avô. Ele repetiu quatro vezes (ganhou até do meu tio, que só repetiu três).

 

“O senhor gosta mesmo disso, hein?”, falou a minha mãe.

 

“É que eu já não tenho paciência para mastigar as coisas”, explicou o meu avô.

 

“E nem dente”, falou o meu pai.

 

Todo mundo riu do meu avô. Então ele rosnou que nem bicho e deixou a dentadura meio para fora da boca, fazendo cara de monstro. Eu adoro quando o meu avô faz cara de monstro.

 

Depois de comer, chegou a hora de ver quem cumpriu mais desejos. É que todo ano a gente faz três desejos para o ano seguinte, e o meu tio marca eles num caderninho. No ano passado, eu que ganhei, porque eu quis jogar bola, tomar sorvete de chocolate e brincar de carrinho, e eu consegui os três pontos. Mas aí o resto do pessoal disse que para 2007 não valia escolher coisas fáceis, então eu disse que queria: ficar bom no futebol, comer muito agrião (que a minha mãe diz que faz bem) e ter média “A” em matemática. E por causa desses desejos, que eram o maior difíceis, eu não fiz nem um pontinho.

 

Quem ganhou foi o meu avô, porque ele quis pintar um quadro, entrar numa aula de dança de salão e fazer hidroginástica, e conseguiu as três coisas (se bem que o quadro ficou horrível).

 

Aí chegou a hora da gente escolher os desejos para 2008.

 

O meu tio disse: “Eu quero vender mais de dez mil livros, ganhar cinco medalhas na natação e quero que o meu blog tenha mais visitas que o do Lelê.”

 

“Xi, mais um ano sem fazer ponto nenhum”, disse a minha mãe. E todo mundo riu do meu tio, porque ele nunca consegue cumprir os desejos dele.

 

Eu falei assim: “Eu quero crescer cinco centímetros, quero aprender a tocar violão e quero passar de ano.”

 

“Parece que já temos o vencedor de 2008”, disse o meu pai.  

 

“Não sei, não. O primeiro desejo do baixinho parece meio difícil”, falou o meu tio. E aí todo mundo vaiou ele.

 

O meu avô disse que queria: “1-) Arranjar uma namorada na aula de pintura. 2-) Arranjar uma namorada na aula de hidroginástica. 3-) Arranjar uma namorada na dança de salão.”

 

“Parece que já temos o infartado de 2008”, o meu tio falou. Todo mundo riu, mas eu não entendi por quê.

 

Então chegou a vez do meu pai. A primeira coisa que ele disse foi: “Eu quero entrar numa academia de ginástica.”

 

“Pede para ganhar na loteria que é mais fácil”, disse a minha mãe.

 

A segunda coisa que ele pediu foi: “Quero parar de comer doce.”

 

Daí o meu avô perguntou: “Posso comer o seu pedaço de musse?”

 

Até aí estava tudo engraçado. Mas então o meu pai falou: “E a terceira coisa que eu quero é que o Leocádio venha morar comigo.”

 

A minha mãe engasgou quando ouviu aquilo e até cuspiu o musse longe.

 

“Que desperdício...”, disse o meu avô baixinho.

 

Aí ela fez a maior cara de enfezada e falou: “Pois os meus três desejos são: Ficar com o Lelê, ficar com o Lelê e ficar com o Lelê.” E depois ela levantou da mesa e foi para a cozinha lavar pratos, que é o que ela faz quando fica nervosa.

 

Ficou o maior clima ruim. Ninguém falou nada por um tempão (na verdade foi um tempinho, mas às vezes um tempinho demora muito para passar, que nem quando a gente está no elevador e com vontade de fazer xixi).

 

Depois desse tempinho que pareceu um tempão, o meu avô falou: “Não era a hora de tocar nesse assunto...”

 

“Eu sei, eu sei...”, disse o meu pai.

 

Então começaram os fogos da passagem de ano e todo mundo foi para a janela ver, até a minha mãe.

 

Aí, quando estava todo mundo na janela, eu perguntei: “Se vocês dois querem ficar comigo, por que que vocês não moram juntos?”

 

A minha mãe olhou para o meu pai e o meu pai olhou para a minha mãe, mas ninguém falou nada. E eu fiz um quarto desejo secreto: eu queria morar com os dois.

 

    

 

 

(PS: No ano passado, teve umas noventa pessoas que escreveram os seus desejos aqui. Vocês conseguiram marcar os três pontos? Quem quiser pode colocar os seus três desejos para 2008 aqui, e aí no fim do ano a gente vê quantos pontos vocês fizeram.)

 

Escrito por Lelê às 07h51