Lelê e o menino que desenhava pombas
 Eu estava lá em casa sem fazer nada, e aí, uma coisa legal para se fazer quando não se tem nada para fazer é desenhar. Eu peguei uma caneta, um papel e fiz um desenho bem doido. Eu achei o desenho o maior legal e fui mostrar para a minha mãe, que estava trocando a Catarina. Ela deu uma olhada e disse: “Parece um Picasso”. “Não, é uma cara. Só que eu desenhei os olhos, as orelhas, o nariz e a boca fora da cara.” “Então, por isso é que parece um Picasso. Picasso foi um desenhista muito importante e ele fazia mais ou menos isso que você fez.” “Ah, legal”, eu disse. Nessa hora a Catarina pegou e soltou o maior punzão. A minha mãe até disse: “Catarina, como uma menina tão pequena solta um pum tão fedido!?” Mas o pior é que não era um pum comum. Era um pum de pirlimpimpim. Daí eu fiquei meio tonto e fechei os olhos. Quando abri de novo, estava num parque. E do meu lado tinha um menino de uns treze anos desenhando uma pomba na areia. “Oi”, eu falei. “Olá”, ele disse. “O meu nome é Leocádio, mas pode me chamar de Lelê.” “O meu é Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santíssima Trinidad Ruiz y Picasso. Mas o pessoal me chama de Picasso, porque é um nome meio esquisito.” “É esquisito mesmo. Se você estudasse na minha escola iam tirar sarro de você todo dia. Acho que eu vou te chamar de Pablo, se não eu vou rir toda vez que disser o seu nome.” “Tudo bem.” “O que você está desenhando, Pablo?” “Pombas. Eu adoro desenhar pombas. Aprendi com o meu pai. É a coisa que ele mais gosta de pintar.” “Legal.” “Eu também gosto de desenhar touradas.”
“Por quê?” “Porque é uma coisa muito bonita. Eu sempre via lá em Málaga, a cidade onde eu nasci. Mas eu não pagava a entrada, porque a gente é meio pobre. É que a arena era perto de um morro, então eu subia lá e ficava vendo a tourada.” “Você torcia para quem?” “Para o toureiro, é claro. Não tem coisa mais elegante que um toureiro.” “Se você conhecesse o meu tio, ia ver que tem Torero que se veste o maior mal. Ele parece o Agostinho da Grande Família. Mas por que você não mora mais nessa tal de Málaga?” “É que teve um grande terremoto lá. Foi bem no Natal. Depois disso o meu pai ficou com medo e arranjou um emprego de professor de pintura aqui.” “Aqui é onde?” “Você não sabe? É a cidade de Coruña.” “E em que ano a gente está?” “1894, é claro.” “É claro...”
Esse é um desenho do Pablo. São dois namorados na areia da praia. mas ele fez esse desenho quando já era meio velho.
Eu até pensei em explicar para ele que o pum de pirlimpimpim me faz viajar no tempo e no espaço, mas aí eu vi que ele estava me desenhando com um pauzinho na areia e deixei para lá. “Ei, esse sou eu!”, eu disse. “Ficou parecido, não é?” “Igualzinho! Você é o maior bom!” “Dizem que eu já desenho tão bem quanto Rafael.” “O Rafael da minha classe?” “Não, o Rafael pintor, que já morreu.” “E ele era bom?”
Esse é um quadro do Pablo que ele fez quando tinha uns 15 anos.
“Ótimo!” “Então você vai ser que nem ele.” “Talvez, mas não sei se é isso que eu quero.” “O que que você quer?” “Não sei. Mas não é desenhar as coisas que nem elas são. Isso a fotografia já faz bem melhor do que a pintura. Eu queria desenhar as coisas de um jeito diferente.” 
Bom, aí ele me deu uma varinha e nós dois ficamos desenhando no chão. Enquanto isso o Pablo me contou que a coisa que ele mais gostava na vida era desenhar. Ele desenhava o tempo todo. Até na escola. Por isso as notas dele eram muito ruins. O Pablo também me contou uma história meio esquisita. Disse que quando ele nasceu, ele nasceu morto. Mas aí o tio dele, que se chamava Salvador, fumou um charuto e deu uma baforada na cara dele, e o Pablo começou a chorar. “Entendeu? Nasci graças ao sopro do Salvador”, ele disse, e começou a rir. Não sei, não. Achei essa história meio mentirosa. Bom, mas aí, com a minha varinha, eu fiquei fazendo um desenho que nem o que eu tinha feito para a minha mãe. Quando o Pablo viu o que eu fiz, ele falou: “Caramba! Adorei!” “Sério? Eu achei meio esquisito.” “Que nada! É assim que eu quero desenhar um dia. Quando eu era criança, eu já desenhava que nem o Rafael. Mas eu tenho é que aprender de novo a desenhar como uma criança!” “Quer que eu te dê uma aula?”, eu perguntei.
Teve um cara que pintou esse quadro aqui.
Aí o Pablo repintou do jeito dele e ficou assim.
Mas nem deu tempo de escutar a resposta. É que passou o efeito do pum de pirlimpimpim e eu apareci de novo no quarto da Catarina. Eu estava com o desenho na mão. Aí eu olhei bem para ele e disse para a minha mãe: “É, parece mesmo um Picasso. Ele imita o meu jeito de desenhar.”
Escrito por Lelê às 07h40
Um treco legal para fazer
Um treco legal para fazer é ir na exposição dos Gêmeos. Os gêmeos são gêmeos mesmo e fazem uns desenhos muitos engraçados. Em vez daquelas telas de quadro, eles usam portas. Fica bem legal. E eles desenham meio que nem criança. Que nem criança meio doida. Também tem uns carros de madeira que são gigantescos e tem uns cabeções. Esse negócio de ver quadro me dá sono, mas esse negócio dos gêmeos eu achei legal. É lá na Faap, em São Paulo, e é de graça. Isso aqui embaixo é um quadro deles: 
Escrito por Lelê às 08h10
A Júlia Roja Tavoni, de Serra Negra, mandou quatro piadas bem boas. I
Porque a sala de aula se parece com o mar???? Porque os professores navegam, os alunos bóiam e as notas afundam!!!!! II A professora pergunta: -Joãozinho em quantas partes se divide o crânio????? E o Joãozinho responde: -Depende da pancada!! III Como se faz pra calar o mundo????? Tirando a letra N. IV Qual a diferença entre a bicicleta e o banheiro? Na bicicleta você senta para correr, e no banheiro corre para sentar!
(PS: Quem tiver uma boa piada, manda aí para mim: blogdolele@uol.com.br)
Escrito por Lelê às 08h57

Lelê e Pepê, última parte

Bom, aí, que nem eu contei semana passada, o meu avô soltou um pum de pirlimpimpim e, quando eu vi, estava no meio do deserto, do lado de um menino baixinho e loirinho. Então ele disse: “Desenha um carneiro pra mim?” Aí eu fiz um desenho. “O que é isso?”, ele perguntou. “É uma costela de carneiro. Eu adoro costela de carneiro!” “Não adianta, eu preciso de um carneiro vivo”, ele disse. “Qual é o seu nome?” eu perguntei. E ele respondeu: “Pode me chamar de Pepê.” “Pepê é de Pedro Paulo?” “Digamos que sim. Vamos evitar problemas de direito autoral.” “Eu moro em Santos, e você?” “Eu morava num planetinha bem pequeno. No chão do meu planeta tem um monte de sementes de baobá, que são umas árvores bem grandes. E todo dia de manhã eu tenho que arrancar os pés de baobás, senão eles crescem e ficam enormes. Por isso que eu quero o carneiro, para ele comer os arbustos e não deixar os baobás crescerem.” Isso é um baobá.
“Poxa, que antiecológico. Eu acho até que ia ser bom ter uma árvore no seu planeta.” O Pepê nem prestou atenção no que eu disse. Acho que ele tinha déficit de atenção, que é uma doença que está na moda e que quer dizer distraído. Depois de um tempo, ele olhou para o céu e perguntou: “Será que os carneiros comem flores?” “Por quê você quer saber?” Aí o Pepê explicou que no planeta dele tem uma rosa, e ela é muito delicada e dá muito trabalho. Ela pediu para ele fazer uma proteção para ela não pegar vento e uma redoma de vidro por causa do frio da noite. Era uma rosa bem chata. Por isso que o Pepê resolveu sair do planeta dele. 
Ele pegou carona com uns pássaros e passou por vários asteróides. Em cada um morava um tipo meio doido: um rei, um vaidoso, um bêbado, um empresário, um acendedor de lampiões e um geógrafo. Esse geógrafo é que falou para o Pepê vir conhecer a Terra. Aqui na Terra o Pepê conheceu uma raposa que ensinou para ele uma palavra nova: “cativar”. A raposa disse que cativar queria dizer “criar laços”. “E aí eu fiquei pensando que a rosa do meu planeta tinha me cativado”, disse o Pepê, “e eu tinha cativado a minha rosa”. Daí ele olhopu para o céu e disse: “Sabe?, a gente é eternamente responsável por aquilo que cativa.” Eu achei aquela história de cativar meio estranha. Então eu dei uma olhada dentro do avião e lá tinha um dicionário. Daí eu procurei o que queria dizer cativar e falei: “Pepê, acho que você está errado. Aqui no dicionário está escrito que cativar é tornar cativo, sujeitar, prender. Acho que é isso que a rosa fez com você, porque você era meio escravo dela.” Mas ele não me deu bola. Acho que ele tem déficit de atenção. Eu já falei isso? Xi, acho que eu também tenho. Bom, o Pepê ficou calado o dia todo e, quando já era noite, ele veio com uma conversa esquisita. Disse que numas pedras perto de onde a gente estava tinha uma cobra amarela muito venenosa, e que ele ia deixar ela morder ele, porque assim ele voltava para o planetinha dele e para a rosa. 
“Você está louco?”, eu disse. “Se você morrer não vai para lugar nenhum!” “O meu planeta é muito longe. Eu não posso carregar esse corpo. É muito pesado.” “Mas não é você que carrega o corpo, é o corpo que carrega você, burrão. Se você morrer não vai voltar para o seu planeta, vai é ficar embaixo da areia.” Ele nem ligou, só ficou olhando para o céu. E, quando já era noite, ele levantou e foi andando em direção às pedras. Eu fui atrás dele. Aí eu vi uma coisa amarela se arrastando perto do Pepê. E a coisa subiu pela perna dele. Então eu peguei duas pedras e pou! Esmaguei a cabeça dela! “E agora? Como vou voltar para a minha rosa?”, perguntou o Pepê. “Não vai. Aqui tem um monte de rosas, de um monte de cores. Você vai gostar de alguma.” “Mas eu sou responsável por ela...” “É nada! A rosa não nasceu e cresceu sozinha? Então! Ela tem até espinhos para se defender. E pode ser que o rei, o vaidoso, o empresário, o acendedor de lampiões ou o empresário cuidem dela melhor do que você. O bêbado não, que ele ia regar ela com cerveja.” “Você não entendeu nada...” “Claro que entendi. Você estava chateado com a rosa e saiu do seu planeta. E assim foi melhor, porque senão você ia ficar com raiva dela e ia tratar ela mal. Você queria ficar chateado a vida toda?” “Bem...” “Ia até se matar por causa dela. Você é doido?” “Você é doido?”, perguntou o guarda vestido de piloto. Aí eu vi que o efeito do pum de pirlimpimpim do meu avô tinha passado e eu tinha voltado para a Oca. O meu avô foi bem esperto e falou: “Esse menino me dá um trabalho. Entrei aqui só para buscar ele. Pode deixar, já estamos saindo.” Daí a gente foi embora bem rápido de lá. Mas deu para escutar o guarda vestido de piloto falar: “Que cheiro é esse no meu avião?”
Escrito por Lelê às 08h00
O ParqueTum do Artur
O Artur Libanio tem cinco anos e inventou o ParqueTum. Um dos brinquedos dele é este aqui:

O Artur explica como é que ele funciona: "O brinquedo vai girando devagar, depois vai médio até ir rápido. Aí ele pula, cai, vai de novo girando rápido, médio, devagar até parar. Gira, gira, gira, aí tem umas bolinhas de algodão que pulam nele e fazem cócegas. A pessoa fica "prendida", aí tem um botão, sai chuva e sai vento. Quando sai de lá, se for menina sai de cabelo molhado de vento e tempestade. Se for menino, o cabelo fica em pé. Eles acham o maior legal, mas dá friozinho na barriga. Só no brinquedo que os algodões pulam é que não dá medo. Dá cócega."
Escrito por Lelê às 00h37
Três piadas da Clara
Piada 1: Pergunta: Porque a vaca dá leite? Resposta: Porque ela não sabe vender!!! Piada 2: Pergunta: Um peixe caiu do oitavo andar. Qual é o nome dele?? Resposta: AAAAAAAATUM!!!!!!! Piada 3: Dois pães de queijo estavam brincando de esconde-esconde. Um foi parar no forno. O que ele disse pro outro quando achou ele?? Assô!!!
Escrito por Lelê às 08h11

Lelê e Pepê

Neste domingo eu estava na casa do meu avô, que fica em São Paulo. Teve uma hora que eu enjoei de ver tevê e perguntei para ele: “Vô, vamos jogar futebol na cozinha? O meu gol é a geladeira e o seu é o fogão.” E ele respondeu: “Não, né, Lelê.” “Então a gente pode brincar de cabana. É só virar a sua poltrona e jogar um cobertor por cima.” “Minha poltrona não é brinquedo.” “Dá para jogar ping-pong na mesa. É só pegar duas panelas, uma cebola...” “Não.” “E vôlei? A gente põe o sofá no meio da sala, pega uma almofada e...” Dessa vez ele nem deixou eu acabar de falar, porque se levantou e disse: “Vamos sair! Menino é que nem canário, não pode ser criado em cativeiro.” “E para onde a gente vai?” “Para o Ibirapuera, aquele parque que tem muita árvore, uns lagos e uns museus.” Daí eu peguei meus óculos de natação (porque o meu avô disse que lá tinha um lago) e a gente foi. Demorou muito para estacionar, porque lá estava cheio de carro. Depois, a gente começou a andar e passou em frente a um lugar que parece um disco voador e que se chama Oca. O meu avô leu um cartaz e disse: “Olha só, na Oca tem uma exposição sobre o Pequeno Príncipe!” “Legal! Deve ter uma coroinha, umas roupas pequenas e um minitrono.” O meu avô coçou a cabeça e falou: “Não, Lelê, o Pequeno Príncipe não é um príncipe pequeno. É o nome de um livro muito famoso. Você nunca leu?” “Nunca. É de criança ou de adulto?” “É de criança. Mas os adultos gostam muito. Principalmente as misses.” "Misses?" "É que antigamente, nos concursos de beleza, elas sempre diziam que o livro preferido delas era o Pequeno Príncipe. Hoje em dia elas preferem folhetos sobre silicone." Daí a gente comprou os ingressos. O meu custou só a metade, nove reais, porque eu sou estudante, e o meu avô entrou de graça, porque ele tem mais de sessenta anos. Eu não vejo a hora de ter sessenta anos para entrar de graça em todo lugar. Bom, logo na entrada teve uma coisa que eu gostei. É que para a gente fazer o caminho certo tinha que pisar numas estrelas. 
Essas estrelas levavam para umas salas meio sem graça. Eram quinze, uma para cada capítulo do livro. Mas dentro delas tinha só uns desenhos e umas esculturas. Só gostei de uma que tinha uns caras em cima de uns planetas. 
Depois a gente desceu e foi para um andar que mostrava os lugares que o Antoine esteve. Antoine é o nome do cara que escreveu o Pequeno Príncipe. Ele era francês, e lá na França Antoine quer dizer Antônio. O Antônio era piloto de avião e passou por um monte de lugares, até pelo Brasil. Esse pedaço da exposição é meio sem graça, porque não pode mexer em nada. É só para ver, e as coisas nem são tão bonitonas assim. Só gostei mesmo foi de um avião que tinha lá. Quem cuidava do avião para a gente não mexer era um cara vestido de piloto. 
Depois a gente entrou num cineminha. Quer dizer, parece um cineminha, mas não é, porque fica um cara contando a história do livro e outro projeta uns desenhos. Mas os desenhos são muito parados e não dá para entender a história do livro. Livro é melhor ler do que escutar, né? O que eu gostei desse lugar é que os dois caras eram engraçados e também usavam roupa de piloto. Se uniforme de escola fosse que nem roupa de piloto, ninguém nunca ia querer faltar. Bom, aí a gente subiu dois andares e foi para um lugar que tinha um monte de coisas do Antônio. Uns desenhos, umas fotos, uns cadernos e uns trecos, tipo uma pulseira. Eu achei os desenhos dele bem legais, porque ele desenha como se fosse criança, mas uma criança que sabe desenhar o maior bem. Ah, nesse andar também tinha um monte de livros do Pequeno Príncipe escrito numas línguas estranhas, com um monte de letra esquisita. Então a gente subiu mais um andar e aí que veio a coisa mais legal da exposição: um planeta! 
Parece que o Pequeno Príncipe morava num asteróide chamado B612. E lá na exposição fizeram um pedaço dele. Bem grandão! Daí eu perguntei para a moça que cuidava do asteróide se eu podia subir, e ela disse que podia. Então eu subi e comecei a pular e dar cambalhotas e correr e cair no asteróide, porque ele era bem fofo e é legal cair em coisa fofa (só não posso fazer isso na cama da minha mãe, porque eu já quebrei aquela madeira que fica embaixo do colchão duas vezes). Eu achei esse planetão muito bacana. Todo museu devia ter um lugar para a gente correr e cair. Bom, quando o meu avô ficou cansado de me ver pular, ele perguntou: “Já podemos ir embora, Lelê?” Eu respondi: “Tá. Mas dá para a gente ver o avião de novo?” O meu avô respirou fundo e disse: “Tudo bem, vamos lá...” Aí, quando a gente chegou lá no avião, eu vi que o moço que cuidava dele, aquele que estava vestido de piloto, não estava lá. Devia ter saído para fazer xixi. Então eu pedi para o meu avô: “Será que eu posso entrar no avião? É bem rapidinho.” E o meu avô, que faz quase tudo o que eu peço, respondeu: “Tá bom, mas tem que ser bem rapidinho mesmo.” Daí a gente passou por cima do murinho, o meu avô me colocou lá dentro e eu coloquei meus óculos de natação para ficar parecendo um piloto. Só que nessa hora o meu avô falou: “Vou aproveitar para soltar um punzinho. Esses gases estão me matando.” “Não, vô, não solta. Vai que é um pum de pirlimpimpim.” O meu avô solta uns puns de pirlimpimpim que são mágicos. Eles me mandam para qualquer lugar e para qualquer tempo. E são bem fedidos. Mas aquele foi mais fedidão ainda! Eu até botei a mão na cara para me proteger do fedor. Só que aí, quando eu tirei as mãos, eu vi que não estava mais na Oca. Estava num deserto de verdade. E tinha um garoto loiro e baixinho perto de mim. 
(continua na semana que vem)
Escrito por Lelê às 07h09
Roda quadrada
O Guilherme Prebianca de Araujo mando esse brinquedo para a Lelelândia. Ele se chama "roda quadrada". O legal é que ele gira muito rápido e a cabine em que as pessoas ficam rodopia. Ah, e também é muito bom para aprender geometria.
Escrito por Lelê às 07h04
Solitário, Batman e uma charada A Daniela, de Osasco, mandou três coisas duma vez: 1-) Uma vez um menino estava passeando quando viu uma placa dizendo: ''Cuidado com o cão Solitário'', e o menino pensou: coitado ele deve ser tão solitário, e de repente saiu um cachorro bravo e mordeu ele. Foi aí que o menino leu na coleira a palavra "Solitário" e descobriu que solitário era o nome do cachorro. 2-) Onde o Batman foi com seu bat-sapato social e seu bat-blazer? Resposta: Num Bat-zado! 3-) O que é o que é todos tem 2, você tem 1 e eu não tenho nenhum? R.: A letra "o". PS: Quem souber uma piada legal ou uma charada difícil, pode mandar para blogdolele@uol.com.br.
Escrito por Lelê às 10h10
O primeiro brinquedo para a Lelelândia
O Hugo Virgilio foi o maior rápido e já mandou um brinquedo. 
Escrito por Lelê às 16h23

O hipersuperparque de diversões do Lelê

Neste fim de semana, o meu avô me levou num parque de diversões chamado Playcenter. Esse lugar tem nome em inglês mas fica em São Paulo. Acho que o pessoal pensa que falar em inglês é mais chique. Será que se o nome fosse em português o ingresso ia ser mais barato? Bom, o meu avô me levou no Playcenter e lá tinha um monte de brinquedos, tipo castelo dos horrores, um trenzinho que anda em volta do parque, uma pista com carrinhos de bate-bate e montanha russa. Daí eu perguntei para o meu avô: “Vô, por que que montanha russa chama montanha russa?” E ele respondeu: “É porque esse brinquedo foi inventado na Rússia. No inverno, os russos faziam uns morros de gelo para ficarem passeando de trenó. E eram uns montes de gelo bem grandes, de mais de vinte metros de altura. Depois, eles tiveram a idéia de prender o carrinho em trilhos, e aí nasceu a montanha russa desse jeito que é hoje.” O meu avô entende de montanha russa, mas quando eu perguntei se ele queria ir comigo, ele disse: “Nãnina. O máximo que o meu coração suporta hoje em dia é o carrossel. E, mesmo assim, se não girar muito rápido.” Uma das coisas que mais gostei no Playcenter foi o show da Monga, a mulher que vira gorila. Quando ela ficou peluda e começou a fazer “Grrr!”, todo mundo ficou com medo e saiu correndo. Aí, lá fora eu fiquei pensando que todo mundo parece um pouco com algum bicho. A minha mãe fica gritando que nem uma arara quando eu quebro alguma coisa, o meu pai parece um porco quando come pipoca doce, o meu tio é uma avestruz que engole qualquer comida, o meu avô dorme que nem bicho-preguiça e a Catarina parece um ursinho panda. Então eu fui no touro mecânico, que fica chacoalhando a gente. E a minha cabeça chacoalhou tanto que eu tive uma idéia: e seu fizesse um parque de diversões diferente? Só que eu é que ia inventar os brinquedos. Ia ser uma Lelelândia. Ou um Playlelenter. A Lelelândia ia ter a maior a roda gigante do mundo. Ia passar no meio das nuvens. E os aviões iam passar pelo meio dela. Mas cada pessoa ia dar uma volta, porque uma voltinha já ia demorar umas duas horas. 
Outra coisa legal ia ser o carrossel. Em vez de ser com aqueles cavalos, que são sempre iguais, o meu carrossel ia ter cavalos marinhos. Mas o mais legal é que o carrossel ia ser dentro de um aquário gigante, e a gente ia ter até que colocar escafandro para entrar. Os carrinhos de bate-bate iam se chamar Carrir. O cinto de segurança ia ser duas mãozinhas que ficariam na cintura. Quando o carro batesse, elas fariam cosquinhas e todo mundo ia dar gargalhadas. Ia ser o brinquedo mais engraçado de todos!  Um treco legal ia ser catapulta. Você sentava nela e ela te jogava longe, em cima de um lago de bolas. Ah, e quando a gente estivesse caindo, abria o para-quedas para a gente pousar bem devagar.
Eu também ia fazer um Minhocarro. O Minhocarro é um carro que desce uns túneis bem rápido, por baixo da Lelelândia. Ele faz umas curvas doidas e parece que a gente está cavando. No meio do caminho a gente ia passar por uns vermes gigantes, bem nojentos mesmo. Mas o mais terrível é que a gente ia passar no meio do inferno, e os diabos iam atacar a gente com os tridentes. A montanha-russa ia se chamar Serpentrem, porque ia ser um trem maluco, com cara de serpente, que ia dar uma monte de voltar no meio de uma floresta. Ia ser ecológico e radical ao mesmo tempo! 
Outra idéia que eu tive foi a Máquina de Tempestade. A pessoa ia ficar amarrada pela cintura enquanto uns ventiladores gigantes e umas máquinas de chuva iam fazer de conta que ele estava num furacão. Depois, de brinde, você ganhava um remédio para resfriado. Esse desenho eu que fiz, por isso não está bom que nem o do Doki. Mas está legal.
Só que aí, quando eu estava acabando de inventar as coisas da Lelelândia, começou a chover de verdade. Foi o maior chato e a gente teve que ir embora. Droga! Por isso é que na Lelelândia vai ter uma capota conversível gigante. Bom, se você tiver alguma idéia para a Lelêndia, desenha e manda para mim, que eu vou fazer um álbum bem legal com os brinquedos, e todo mundo vai poder ver. Depois eu vou sortear esse livro entre quem mandou: 
Escrito por Lelê às 04h27

“O Travesseiro”
Domingo eu falei para o meu tio me levar no teatro para a gente ver uma peça chamada “O Travesseiro”, lá em São Paulo, porque a minha professora disse que era boa. mas ele falou que uma peça com esse nome devia dar muito sono, e continuou dormindo no sofá. Aí eu chamei a minha mãe para ir comigo. Como ela gosta de teatro, ela topou e a gente foi. A peça é legal, só que eu acho que é mais para menina que para menino, porque não tem nenhum malvado, nem explosão, nem luta. É a história da Didi e do irmão dela que vira travesseiro. Quer dizer, ela acha que vira. Mas é que ele morreu. Aí ela procura um mágico para ver se ele faz o irmão dela desvirar travesseiro e voltar ao normal. Esse mágico é engraçado, mas não é muito bom, não. Ele nem consegue fazer a mágica direito e a Didi fica o maior triste. É o mesmo moço que faz o papel do irmão, do mágico e do pai da Didi. Acho que eles não tinham dinheiro pra chamar mais gente para a peça. No final ele aparece de novo vestido de Senhor Seco. Ele tem esse nome porque nunca chora. O engraçado é que nessa hora, eu vi um monte de gente chorando na plateia. Até a minha mãe. Não tinha nenhuma criança chorando, só gente grande. Adulto não devia ir em peça de criança, é muito forte para eles. De noite, quando eu fui dormir, eu olhei para o travesseiro e me lembrei da minha avó que já morreu. Fiquei pensando que ia ser legal se a minha avó tivesse virado um travesseiro. E, na hora de deitar, eu encostei a cabeça bem de levinho nele.
Escrito por Lelê às 15h12
A maçã, a pera e a bomba
(Quem mandou essa piada foi a Letícia, que também chamam de Lelê) Num avião tinha três pessoas: a primeira comeu uma maçã e jogou para fora do avião, a segunda comeu uma pêra e jogou para fora do avião, a terceira pegou uma bomba e jogou para fora do avião. Quando elas desceram, a primeira encontrou um menininho chorando muito e perguntou: "Por que você está chorando tanto menininho?" e ele respondeu: "É porque jogaram uma maçã na minha cabeça...". A segunda pessoa encontrou outro menininho chorando e perguntou: "Por que você está chorando tanto menininho?", e ele respondeu: " É porque jogaram uma pêra na minha cabeça...". A terceira encontrou um menininho rindo muito e perguntou: "Por que você está rindo tanto menininho?". E ele respondeu: "É que quando eu soltei um pum, a casa explodiu!!!"
Escrito por Lelê às 08h05

Lelê, Pedro e o terrível monstro verde

Lá na minha escola eu tenho um amigo chamado Pedro. Acontecem umas histórias muito doidas com ele. Ontem a gente estava no intervalo (quando eu tinha oito anos eu chamava o intervalo de recreio, mas agora eu já sou grande) e aí eu falei para o Pedro: “Eu tenho uma gata chamada Pintada. Você tem algum bicho?” E ele respondeu: “Eu tenho um iguana.” “Um iguana!” “Quer dizer, não é um, é uma. É que o meu iguana é fêmea. O nome dela é Jade, porque ela é verde.” “Uau! Ela deve ser um terrível monstro verde! Eu vi um iguana na tevê que tinha quase dois metros.” Esse iguana aqui é bem grandão. Será que a minha mãe deixava eu ter um desses?
“A Jade é bem pequenininha", o Pedro disse. "Foi o meu pai que me deu. Mas a minha mãe detestou. Ela tem medo de bicho.” “E a Jade é brava? Ela morde? Espirra veneno?” “Que nada, ela é o maior tranquila. Não dá trabalho nenhum. Depois a minha mãe ficou quase gostando dela. Até guardava o melhor pedaço de mamão para a Jade. Só não passava a mão porque achava a pele dela meio estranha.” Esse é bem pequeno. A Jade deve ser assim.
“Iguana tem espinhos?” “Não, mas parece meio de borracha. O chato é que um dia a Jade ficou doente.” “Ela espirrava ou tossia?” “Era uma doença que deixava ela bem quietinha. Quase não se mexia.” “Não levou no veterinário? A gente leva a Pintada na doutora Sheila.” “No dia que eu ia levar, ela entrou no banheiro.” “Poxa, que iguana educada, foi fazer xixi antes de sair de casa.” Não, é que ela sempre entrava no banheiro. Acho que é porque o banheiro é fresco, tem um monte de plantas e água.” “Aí você entrou no banheiro e pegou a Jade?” “Eu entrei no banheiro mas não vi a Jade. Eu procurei em tudo que é vaso, em tudo que é canto, mas não achei ela.” “Putz, já sei! Se ela não estava num vaso de planta, estava no vaso sanitário! “Onde?” “Na privada!” “Foi o que o meu pai disse. Aí eu comecei a chorar, porque eu queria a Jade de volta. A minha mãe até me prometeu comprar outro bicho, tipo gato e cachorro, mas eu gosto é de iguana.” “E aí, o que você fez? Enfiou a mão na privada?” “Claro! Até o fundo. Mas não achei nada.” “Nem cocô?” “Nem cocô. Ainda bem.” “E você comprou outro bicho?” “Não. Eu nem saí do banheiro. Como eu estava triste, eu fiquei um tempão lá. Foi aí eu vi a pontinha do rabo dela se mexendo! A Jade não tinha entrado pela privada, tinha entrado pelo cano!” “Ra, rá, ela entrou pelo cano de verdade.” “Isso não é engraçado.” “Desculpe. Em que cano que ela entrou?” “Naquele que fica atrás da privada.” “Uau, que danada!” Eu li que o rabo do iguana tem o dobro do comprimento do resto do corpo dele.
“Aí eu coloquei um prato de comida para ela e fiquei chamando: Jade..., Jade...” “E ela saiu?” “Não. Ela tentou, mas estava entalada.” “Xi, ela morreu?” “Não. Porque eu tive uma idéia o maior boa. Passei pasta de dente no cano. Aí ela foi escorregando, escorregando e saiu.” “Legal. E já saiu com os dentes escovados!” “Pois é!” “Essa história foi bem boa. Ela é de verdade mesmo?”, eu perguntei. “É claro que é”, o Pedro respondeu. Pode até colocar no seu blog. E aí eu coloquei. Se você também tiver uma história legal, manda para mim: blogdolele@uol.com.br.
Escrito por Lelê às 07h24
O papagaio que falava duas línguas
Um freguês entrou na loja de animais e falou para o vendedor: "Oi, eu queria um papagaio que fosse bem legal." "Chegou na hora certa!", disse o vendedor. "Eu tenho um papagaio bilíngue. Se levantar a patinha direita, ele fala Inglês. Se levantar a patinha esquerda, ele fala Francês." "E se eu levantar as duas?", o menino perguntou. "Aí eu caio!", disse o papagaio. (Essa quem mandou foi a Isabella)
Escrito por Lelê às 08h19
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