BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Menino, de 08 a 12 anos

Lelê é o sobrinho fictício do
escritor José Roberto Torero.

Saiba quem é Torero

Neste blog Na Web

Este blog é atualizado às sextas.
 Visitas  
 
Prédios doidos em preto e branco

Aqui em cima está o Prédio Pirâmide, do Fernando. O legal dele é que quem mora lá em cima pode agrir a janela e descer escorregando.

E aqui embaixo tem o Prédio Krakatoa, do Gabriel. Lá em cima deve ter uma piscina aquecida (mas pelo jeito é aquecida demais, porque tem um cara pulando para o outro lado). 

Escrito por Lelê às 11h54
Mais 3 prédios doidos

Esse aí embaixo é o Prédio Fruta Morango da Liliane. Deve ser bem gostoso morar lá.

Esse eu achei na internet. Parece um Prédio Lego.

E esse é o Prédio Bolo de aniversário da Psiula, que faz aniversário hoje.

Escrito por Lelê às 09h48
Prédios doidos

Um prédio que chegou e eu achei o maior legal foi esse aqui, o Prédio Peixe Azul. Ele é legal porque fica embaixo da água. Quem inventou ele foi a Mariana.

 

Esse aí em cima é o Prédio Apertado, e ele existe mesmo.

E esse aqui embaixo é o Prédio X, do Robson.

E todo dia tem prédio novo lá no álbum. Já tem uns trinta! É só clicar aqui.

Escrito por Lelê às 07h39
Prédios doidos

Esses são os prédios-dados da Rafaela Alves. É uma idéia o maior boa.

E aqui embaixo tem o prédio-gol, do tio Al-Chaer.

Escrito por Lelê às 09h38
Lelê e a pizza

Essa semana aconteceu um negócio doido. Vai mudar tudo lá em casa. Até a casa.

Bom, vou tentar contar direito como é que tudo aconteceu.

Primeiro a minha mãe chamou o meu tio Torero, o meu avô e o meu pai para conversar lá em casa. E ela disse que eu também podia participar, porque ela ia dizer umas coisas bem importantes e queria falar uma vez só.

Aí ela pediu uma pizza (meia calabresa e meia mussarela), e todo mundo ficou lá na cozinha. O meu tio nem esperou a minha mãe falar e já pegou um pedaço de mussarela.

Então a minha mãe ficou de pé e disse:

“Bom, eu quero dizer que aconteceram umas coisas e eu tomei uma decisão importante.”

O meu pai deu uma risada e falou: “Já sei: vai pintar o cabelo para disfarçar os fios brancos.”

“Não.”

“Vai fazer um regime?”, disse o meu avô.

“Não.”

“Vai dar uma tevê só para mim?”, eu perguntei (eu pergunto isso todo dia, para ver se ela muda de idéia).

“Já disse mil vezes que não!”, ela respondeu.

“Vai querer que eu pague o que eu como aqui?”, perguntou o meu tio com a boca cheia de pizza de calabresa.

“Também não é isso.”

“Ufa...”, ele fez.
 
“É uma coisa muito mais importante”, minha mãe disse. “Uma coisa importantíssima!”

“Vai mudar de religião?”, falou o meu avô.

“Vai mudar de sexo?”, falou o meu tio.

“Vai deixar de ser corintiana?”, falou o meu pai.

“Nããão!”, disse a minha mãe.

“Então o que que é?”, eu perguntei.

“É que eu..., eu...”

Todo mundo ficou em silêncio, esperando ela acabar de falar. Aí ela pegou assim um embalo e disse duma vez só:

“... é que eu estou grávida!”

Todo mundo ficou calado. Parecia que ninguém nem respirava. O meu pai olhava para o meu tio, o meu tio olhava para o meu avô e o meu avô olhava para mim. Daí eu olhei para a minha mãe e perguntei:

“Não é só quem está casada que fica grávida?”

“Não, Lelê”, ela disse, “quando um homem e uma mulher se gostam, às vezes isso acontece sem que eles estejam casados.”

Eu achei aquilo de a minha mãe ficar grávida meio esquisito, mas até que é legal, porque eu sempre quis ter um irmão para ganhar dele nos jogos, e também porque não dá para brincar de Batman e Robin sozinho, e ele também pode ser o meu inimigo nas brincadeiras.

Bom, daí o meu pai perguntou: “Você está grávida daquele seu namorado, o Dirceu?”

“Claro, né!”, ela respondeu meio brava.

“E vocês vão se casar?”, perguntou o meu avô.

“Na igreja e no papel, não. Mas a gente decidiu que vai morar juntos. Nós três, é claro. Ele adora o Lelê.”

“É sim”, eu falei. E é verdade mesmo, porque o Dirceu me dá um monte de coisa, me leva para passear e até já leu uns livrinhos para mim.

O meu pai fez uma cara meio triste, e disse: “Poxa, foi rápido...”

“É, eu sei”, a minha mãe falou. “Mas às vezes é assim...”

“O Dirceu vai mudar para cá?”, eu perguntei.

“Pois é, é isso também que eu queria contar. A gente é que vai morar com ele.”

“Mas isso não é fora de São Paulo?!”, perguntou o meu avô.

“É, ele tem uma loja de pneus lá em Santos. E uma casa bem grande. Com quintal e tudo.”

Daí eu fiquei pensando que aquilo era bom e ruim. Bom porque lá tem praia e morar em casa com quintal é legal. Mas também era ruim porque eu ia ter que mudar de escola e aí nunca mais ia ver o Zepa, o Zóio e o Aurelius, que são meus amigos e são legais.

O meu pai coçou a cabeça e disse: “Vai ficar mais difícil visitar vocês...”

“Para mim nem tanto, eu tenho uma quitinete lá”, falou o meu tio. “Todo fim de semana eu vou ver vocês.”

O meu avô coçou o queixo e disse: “Sabem que eu sempre pensei em mudar para lá? Aqui em São Paulo é muito frio. É ruim para a minha artrite. E dizem que lá tem umas coroas bonitas.”

De todo mundo, quem ficou mais triste foi o meu pai. Ele ficou com os olhos cheios d’água. Mas não chorou.

Aí eles foram se levantando e se despediram da minha mãe. A pizza ficou quase inteira. Só o meu tio que comeu um pedaço de cada uma.

O meu pai, quando se despediu de mim, falou que sempre ia me ver lá na minha nova casa, e que ia ser bom para mim morar lá em Santos, que podia ser até que eu ficasse bom da bronquite (de vez em quando eu tenho esse negócio, que é o maior chato).

Quando todo mundo saiu, a minha mãe me perguntou: “Você ficou alegre ou triste com essas coisas que eu contei?”

“Eu? Fiquei que nem a pizza.”

“Como assim?”

“Meio a meio.”

Então ela passou a mão na minha cabeça e disse: “Vai dar tudo certo, Lelê.”

Depois de um tempo, o Dirceu apareceu lá em casa. Aí quando ele viu que tinha seis pedaços de pizza na mesa, três de mussarela e três de calabresa, ele disse assim: “Querem ver uma coisa? Vou inventar uma pizza diferente.”

E aí ele dobrou a pizza que nem um sanduíche e ela virou uma pizza de mussabresa.

A gente comeu e achou o maior bom.

 

Escrito por Lelê às 16h48
Dois prédios doidos

Caramba, uma menina chamada Flávia Millena mandou uns prédios que são maior legal! Se ela fosse da minha escola, eu ia querer namorar com ela.

Esse aí em cima é o Prédio Conto. Os moradores escrevem a vida deles nele.

E esse aqui embaixo é o Prédio Caixão. Achei o maior cruel! Até o botão do elevador é de caveira!

 

 

Escrito por Lelê às 09h54
Prédios Doidos

Esse é o prédio da Ana Carolina. Ela disse que ele tem mil andares e cabe todo mundo lá.

O elevador deve ser o maior rápido!

Escrito por Lelê às 06h01
Prédios Doidos

A Rafaela fez um prédio-eu, quer dizer, um prédio-Lelê. Eu achei o maior legal!

Escrito por Lelê às 06h29
Prédios Doidos

Eu vou publicar um prédio doido por dia aqui no blog. E todos eles vão ficar lá no Álbum do UOL Crianças para sempre.

O primeiro é o prédio-abacaxi, da Daniela. Aqui em cima tem fumacinha porque é onde ficam as churrasqueiras.

Escrito por Lelê às 15h41
Álbum de prédios

Tem um álbum com os prédios que o pessoal está mandando lá no UOL Crianças. Para ir lá, é só clicar aqui.

Escrito por Lelê às 17h17
Lelê, o arquiteto

Eu estava olhando para o meu prédio e aí vi que o meu prédio tem a maior cara de prédio.

E os prédios do lado dele também têm a maior cara de prédio.

E os prédios do lado dos prédios do lado também.

Então eu pensei que esse negócio dos prédios serem todos parecidos um com o outro é muito chato e, se um dia eu crescer e virar arquiteto, eu vou inventar uns prédios diferentes.

Daí, para adiantar o trabalho, eu comecei a pensar como é que eles vão ser.

O primeiro que eu pensei foi o prédio-tronco. Ele é que nem um tronco gigante, todo marrom, e de madeira por fora. Também tem uns galhos, e nesses galhos tem uns apartamentos. É legal morar nesses apartamentos porque dá para pular direto para a piscina.

Na cobertura do prédio vai ter bastante planta, porque é uma árvore, né?

E a coisa mais legal do prédio-tronco é que, em vez de usar elevador, tem uns cipós que saem das janelas, e aí a gente vai descer por eles.

O chato vai ser na hora de subir. Aí acho que cada apartamento vai ter que ter uma máquina enroladora de cipó, e aí a gente segura no cipó e vai subindo.

 

 

O nome desse prédio aí em cima vai ser Edifício Tarzan.

Também pensei num prédio bacana que é o prédio-trailer. Ele tem umas rodonas bem grandes, e aí, quando o pessoal do prédio enjoa do lugar onde eles moram, eles contratam um guincho e o guincho puxa o prédio até uma outra rua.

Se o pessoal do prédio combinasse, ia dar até para todo mundo sair junto de férias. Isso ia ser bem bom, porque é legal conhecer uns lugares diferentes, mas é chato sair de casa.

Outro prédio que eu inventei é o prédio-enterrado. Em vez de ir para cima, ele ia ir para baixo da terra. E em cima dele podia ter uma praça bem legal.

Esse prédio ia ser bom porque aí a cidade não ia parecer esse monte de prédio, um atrás do outro, que nem dá para ver a cidade direito.

Uma coisa chata do prédio-enterrado é que ele não ia ter janela (mas para que janela se a gente só vê outros prédios?). Só que eu pensei numa saída. É que cada apartamento do prédio-enterrado ia ter um periscópio, e aí dava para olhar para a rua e ver se estava chovendo ou fazendo sol.

O engraçado no prédio-enterrado é que para ir para o apartamento, a gente ia descer. E para ir para o térreo, ia ter que subir.

Ele ia se chamar Edifício Raiz.

Um prédio bem bonito que eu inventei é o prédio-banana. Ele ia ser todo amarelo e cada pintinha ia ser uma janela. Mas o mais bacana é que cada um das pontas ia ficar no chão, então os carros podiam passar debaixo dele. Ou ali podia ser o parque do prédio.

Tem um outro que eu imaginei, mas que eu não sei se é bom, porque ele pode ser uma sacanagem com os vizinhos. É o prédio-chapéu. Ele é fininho embaixo, mas aí vai alargando em cima até ficar bem grandão.

O bom dele é que cabe uma porção de apartamento num terreno bem pequenininho. O chato é que o prédio chapéu faz sombra para as casas do lado. Mas, em compensação, não chove nos vizinhos.

Outro prédio que eu pensei foi o prédio-roda-gigante.

Ele vai ser uma roda-gigante-gigante, e, em vez de cadeirinhas, no lugar delas vai ter um apartamento inteiro.

O legal é que a gente ia morar às vezes lá em cima e às vezes lá embaixo. Cada vez que a gente olhasse pela janela ia ver uma coisa diferente, e aí nunca ia enjoar.

Outra coisa bacana é que ele não ia precisar de elevador. Sempre que alguém fosse sair, a roda-gigante ia girar e a pessoa já saía na rua.

E o último prédio que eu pensei foi o prédio-morro. Ele ia ser que nem um morro, verde, meio arredondado e com graminha por fora.

Já pensou que legal se a gente morasse numa cidade cheia de prédios-morros? Nem ia parecer cidade.

 


PS: Se alguém tiver uma idéia legal para um prédio, desenha e manda para mim (blogdolele@uol.com.br). Depois, aqui no UOL Crianças a gente vai fazer um álbum-cidade com eles.
 

Escrito por Lelê às 15h57
Lelê em Pernambuco - Último capítulo

No último dia lá em Recife, eu acordei bem cedo e perguntei para o meu tio: “Tio, hoje nós vamos na praia?”

“Grunhrg”, o meu tio respondeu.

Eu achei que ele não estava escutando direito, porque ele tinha ido dormir muito tarde, então eu perguntei bem alto: “Tio, vamos na praia!”

“Hein, hein?”, ele perguntou assustado.

“Vamos na praia?”

“Mas ainda são sete da manhã, é muito cedo”, ele disse e deitou de novo.

Aí eu esperei um tempão e perguntei de novo: “Tio, agora já é hora de ir na praia?”

“Que horas são?”

“Sete e cinco.”

“Me dá só mais um minutinho...”

Aí eu fiquei olhando o relógio e depois eu falei: “Tio, já são sete e seis! Vamos na praia?”

Então ele abriu um olho e falou: “Certo, você venceu.”

Aí a gente tomou o café (que foi o maior demorado, porque o meu tio comeu muito) e entrou no carro.

“Em que praia você quer ir?”, o meu tio me perguntou. "Acho que as mais legais são Porto de Galinhas, Coroa do Avião e Muro Alto."

Eu falei: "Eu quero ir em Porto de Galinhas porque lá deve ter umas galinhas aquáticas."

"Não tem, não", o meu tio disse.

"Então eu quero ir em Coroa do Avião porque lá deve ter uma velhinha que dirige aviões."

"Não, não tem, não", o meu tio disse.

"Pô, assim, está difícil! Só sobrou essa tal de Muro Alto, mas lá eu não quero ir porque deve ter um muro grandão que não deixa a gente ver a praia.”

“Não, não tem. O tal do muro alto são uns recifes que não deixam as ondas entrarem, e aí a praia fica parecendo uma piscina.”

“Oba, então vamos nessa!”, eu falei.

Aí a gente foi lá e a praia era o maior legal mesmo.

 Aqui é Muro Alto

A gente ficou brincando na água um tempão. O meu tio fazia de conta que era um rebocador e ficava me puxando na praia. Ele ficou meio cansado, mas eu não.

Aí, uma hora o meu tio me perguntou assim: “Acho que já é meio-dia. O que você quer almoçar? Peixe?”

Eu pensei e respondi: “Peixe, não, sorvete.”

“Sorvete?”

“É, aquele negócio gelado que vem num palito.”

“Eu sei o que é sorvete. É que isso não é almoço. Almoço tem que ser uma coisa mais saudável.”

“Ué, mas sorvete não é feito de leite e fruta?”

“É.”

“Então, a minha mãe sempre diz que eu tenho que tomar muito leite e comer bastante fruta para ter saúde.”

O meu tio coçou a cabeça e disse: “Tá bom”, e aí a gente chamou o sorveteiro.

Ele tinha um monte de tipo de sorvete.

 Esse é o carrinho de sorvete.

Eu tomei um abacaxi. O meu tio tomou um de cupuaçu, um de cajá, um de graviola, um de tapioca, dois de mangaba e um de castanha.

Aí, a gente voltou para o hotel, arrumou as coisas e foi pegar o avião.

Quando a gente estava lá no alto, o meu tio falou assim:

“Lelê, atchim, eu acho que, atchim, tomei sorvete demais, atchim. Mas não conta nada para a sua mãe, atchim, senão ela vai ficar falando que, atchim, em vez de eu tomar conta de você, atchim, você é que, atchim, devia tomar conta de mim.”

Aí eu prometi que não falava nada. E eu não falei mesmo. Só escrevi.

 

Escrito por Lelê às 12h45
Lelê em Pernambuco - 4: Blargh!
Na quinta-feira choveu e na sexta o meu tio ficou o dia todo numas reuniões e nem me levou para passear. Assim não tem graça. Blargh! 
Escrito por Lelê às 00h59
Lelê em Pernambuco - 3: O supercuspidor

Ontem, depois do café, o meu tio falou assim: “Leocádio, a sua mãe só deixou você vir aqui para Pernambuco se você aprendesse alguma coisa de história. Então a gente vai fazer isso hoje.”

Aí eu disse: “Pô, que droga! Eu vou ter que ver uma aula de história numa escola daqui...”

“Não, seu mané. A gente vai pegar o carro e vai ver um engenho de cana.”

“Legal!”, eu falei. Eu não sabia o que era engenho de cana, mas só de não ter que ir para escola já era bom.

Aí o meu tio alugou um carro, a gente viajou uma hora e chegou numa cidade chamada Goiana. Uma coisa que eu pensei é que quem nasce lá é goiano e pernambucano ao mesmo tempo. Deve dar a maior confusão.

Bom, perto dessa cidade é que fica o tal de engenho. Engenho é uma fazenda de cana. O engenho que a gente foi se chama Uruaé e tem mais de duzentos anos.

Ele tem igreja, casa grande e senzala. A igreja é essa aqui:

A coisa que eu mais gostei da igreja foi o sino. Ele tem uma torrinha só para ele. A dona Eleonor, que é a dona da fazenda, disse que essa torre se chama torre sineira.

Lá dentro da igreja tem gente enterrada. Eu achei isso o maior sinistro. Mas parece que antigamente era assim mesmo. Aí eu fiquei pensando que eu não ia querer ser enterrado numa igreja, porque eu acho missa uma coisa meio chata e ia ter que ficar ouvindo isso a vida inteira. Quer dizer, a morte inteira.

Lá no engenho tem também uma senzala. O meu tio diz que é muito difícil ver uma senzala que ainda está inteira, porque elas eram construídas com material ruim e aí elas acabam caindo depois de um tempo. Mas essa aí está inteirona.

Num filme que eu vi, a senzala era uma coisa bem grande, onde todo mundo ficava junto. Mas essa senzala aqui é diferente. Ela é cheia de quartinhos. E cada um tem a sua porta.

Lá dentro era assim:

A dona Eleonor disse que os escravos dormiam em esteira. Aquela rede é só de enfeite. Morar na senzala devia ser o maior ruim. É pior que as cabanas que eu faço na sala com o sofá da minha mãe.

Quem morava bem era os senhores de engenho. A casa deles era o maior boa. Tinha um monte de salas e a cozinha era grandona.

Lá dentro da fazenda tem um monte de móveis daquele tempo. Um monte de cadeira, cortina, lampião, cama, mesa e até um piano. Mas a coisa que eu gostei mais foi isso aqui:

Isso aqui em cima se chama “escarradeira”. O pessoal de antigamente cuspia aí, e na frente de todo mundo. O buraquinho era bem pequeno. Eles tinham que ter uma pontaria bacana.

Então, quando a gente voltou para o hotel, eu fiquei na pia do banheiro treinando cuspir bem no buraquinho, e depois de um tempo eu fiquei o maior bom.

Quando a minha mãe me perguntar o que que eu aprendi na viagem, eu vou responder: “Os senhores de engenho tinham uma pontaria o maior boa para cuspir. Que nem eu. Tup!”

E aí eu vou dar uma supercuspida bem no meio de alguma coisa. A minha mãe vai ficar o maior orgulhosa.

 

Escrito por Lelê às 10h22
Lelê em Pernambuco - 2

Ontem aqui em Recife foi o maior legal.

Depois que o meu tio tomou um café da manhã o maior grande, a gente pegou um táxi e foi até um lugar chamado Mercado São José, que é esse aqui.

Lá dentro tem um monte de coisa para vender. Tem tudo mesmo: carrinho de madeira, santo, estatuazinha, roupa, carne, peixe, boneco e até uns livrinhos bem finos.

 Esse é um corredor só de roupa. Ainda bem que a minha mãe não veio.

O meu tio me disse que estes livrinhos se chamam “literatura de cordel”, e isso é porque eles ficavam num cordão para as pessoas escolherem. Só que hoje em dia eles ficam num plástico, então eu acho que devia mudar o nome para “literatura plastiquel”.

Eu comprei uns desses livrinhos. Depois eu mostro eles aqui.

Bom, como a gente andou muito lá no mercado e já fazia uma hora que o meu tio não comia nada, ele quis ir até um restaurante chamado Leite. Eu achei o nome meio ruim, porque, se ele se chama Leite, devia ser leiteria. Para restaurante, o nome mais legal era “Comida”.

O restaurante é esse aqui, ó:

Ele é um dos mais velhos aqui do Brasil. Já tem 140 anos, que é quase da idade do meu avô. 

Mas o meu tio ainda não estava com muuuuita fome, então ele não quis almoçar, e só pediu uma coisa chamada “rabanada”, que tem esse nome mas não é feita de rabo, é de pão, e o meu tio disse que a rabanada do Leite era a melhor do mundo.

A rabanada é isso aqui, ó:


Isso vermelho que está na rabanada é vinho do porto, que tem esse nome mas não tem cheiro de mar nem de peixe. O meu tio gostou tanto da tal da rabanada que comeu de pedacinho em pedacinho, e aí de morou um tempão. Ainda bem que tinha a armadura para eu ficar brincando.

Bom, lá em Recife tem uma porção de estátuas de escritor espalhadas pela cidade, e aí o meu tio cismou de ver todas elas, se bem que ele queria mesmo era ver a de um cara chamado Manuel Bandeira.

Depois que a gente andou um tantão pela beira do rio, que é assim,

a gente encontrou a estátua do Bandeira, e aí o meu tio foi conversar com ele.

 

Eu não escutei o que o meu tio estava falando, mas acho que devia estar perguntando onde tinha outro restaurante bom.

 Eu gostei mais dessa estátua aqui.

Bom, aí a gente foi para o festival, voltou para o hotel e dormiu.

Mas ontem a gente andou tanto que hoje, quando o meu tio foi se espreguiçar, deu a maior cãibra na perna dele. “Ai, ai, ai”, ele ficou gemendo.

Eu disse: “Fica aí deitado, tio”.

Mas ele respondeu: “E perder o café da manhã? Não mesmo! Vamos lá. Ai, ai, ai...”

Escrito por Lelê às 08h55